Quanto menos Remédios, melhor! O Receio da Dependência Medicamentosa.

 

Este já é um antigo ditado, quase um provérbio, utilizado há décadas e sempre repetido. Está certo o referido ditado “Quanto menos remédios, melhor”?!

Sim, está corretíssimo! Quanto menos medicamentos pudermos ingerir, melhor será.

 

Consideremos, porém, o seguinte: Imaginemos que alguém sofra de Hipertensão Arterial e que a pessoa tenha níveis tensionais arteriais em torno de 190x120 mmHg. É um nível de hipertensão arriscado e que pode ocasionar consequências diversas ao organismo, mesmo fatais. E, quase que invariavelmente, as medidas terapêuticas mais imediatas são as que envolvem medicação. É necessário ingerir medicações a fim de estabilizar a pressão arterial do indivíduo o quanto antes, e trabalhar por mantê-la estável, evidentemente.

Temos aqui, portanto, um exemplo onde a medicação (ou medicações) é necessária. E a melhor medida é seguir a recomendação de seu médico a fim de que seu tratamento obtenha o sucesso esperado.

Porém, há casos em que a hipertensão arterial cede, seja parcialmente, seja completamente, e verdade seja dita, há casos em que é necessário o uso de medicação por toda a vida. Porém ao ceder a hipertensão arterial, parcial ou completamente, há que se pensar em reduzir progressivamente a medicação e até mesmo retirá-la por completo, se for o caso.

No caso dos transtornos psiquiátricos, não é muito diferente disto. Há pessoas que necessitam da medicação por um curto período de tempo, outras por um período maior e há aquelas pessoas que precisam da medicação psiquiátrica pelo resto da vida, o que nos parece ser uma minoria de casos.

O que não convém ocorra é a idéia (muitas vezes completamente equivocada) de que uma vez que se inicie o tratamento com psicofármacos (os medicamentos utilizados em Psiquiatria), este tratamento deverá durar meses a fio. Em muitas situações isto jamais é necessário.

Há pacientes que precisam de medicação psiquiátrica (sejam antidepressivos, estabilizadores do humor, ansiolíticos e até mesmo antipsicóticos) por um período de tempo bastante reduzido.

Ainda outra preocupação de muitos pacientes é sobre a “dependência” ao medicamento. Na realidade, não são muitos os medicamentos utilizados em Psiquiatria que causam dependência de facto. Em um tratamento psiquiátrico bem conduzido, e com a adequada participação do paciente (a quem cabe cumprir as recomendações médicas), a dependência de medicamentos não é algo tão frequente como se pensa. Caberá ao psiquiatra orientar o paciente sobre o tempo estimado em que o paciente deverá estar utilizando a medicação prescrita. Lembrando que todo tratamento tem um começo, meio e fim, logo o acompanhamento do tratamento deve ser feito com rigor, boa técnica e sistemática.

Ocorre, por vezes, que o paciente após a primeira e a segunda consulta, passa a solicitar a outros médicos que simplesmente “repitam” a prescrição do psiquiatra. E isto sim possui o potencial de conduzir à dependência psíquica desta ou daquela medicação, e até mesmo à dependência física (uma minoria de casos).

Sendo assim, a retirada progressiva da medicação (e existem técnicas específicas para isso) deve se constituir em motivo de alegria, não só para o paciente, pois já se vislumbra a cura, mas também para o psiquiatra, para quem a alta do tratamento significa o sucesso terapêutico.

Sim, como já diziam os antigos: Quanto menos remédios, melhor!

Mas se forem necessários, que sejam utilizados, preferivelmente pelo menor tempo possível. E convém seja, ainda, explicado ao paciente que remédio ele estará tomando, porque o estará utilizando e, como já dito e dentro do possível, deve ser dado ao paciente uma estimativa de tempo para o uso da medicação, embora isto nem sempre possa ser feito até que a evolução clínica seja vista e avaliada pelo médico psiquiatra.
 

Médico Psiquiatra e Nutrólogo

 

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