DIAZEPAM E FUNÇÃO NO TRABALHO | PSIQUIATRA EDUARDO ADNET
 

Diazepam e Função no Trabalho

"Boa tarde,por gentileza,gostaria muito de ter uma resposta sobre o que segue: tem aproximadamente 10 anos que faço tratamento psiquiatrico por motivo de ansiedade - todo esse tempo tomo o remedio diazepan 10 mg - somente.Caso eu passar num concurso publico-estou me preparando para isto...poderei ser impedido de assumir o cargo,caso passe no concurso, devido a medicação? se eu obter uma resposta,ficarei muito grato mesmo,por favor tire esta duvida,pois preciso prestar um concurso publico,tendo em vista uma familia maravilhosa para cuidar.Muito obrigado.... cordialmente,..."

Você não mencionou um dos principais pontos referentes ao seu questionamento: A função laboral que irá ocupar, caso seja aprovado no concurso almejado. De qualquer modo, a decisão sobre sua aptidão, ou não, para a função alvo deverá ficar a cargo do médico do trabalho que o avaliar. Todos os trabalhadores necessitam de ser submetidos a uma avaliação pré-admissional (ou simplesmente: admissional) pela medicina do trabalho antes de poderem assumir suas respectivas funções.


O Diazepam é um medicamento com propriedades ansiolíticas, miorrelaxantes e anticonvulsivantes. É um medicamento antigo, com seu uso tendendo a ser declinante em razão do problema de sua meia-vida plasmática, a qual é muito longa. A meia-vida plasmática (T1/2) é o tempo necessário para que a concentração de determinado fármaco no plasma (sangue) seja reduzida à metade. No caso do Diazepam, este possui uma meia-vida plasmática terminal muito longa e que pode chegar a ultrapassar 30 dias, sendo que a meia-vida do metabólito ativo é de aproximadamente 100 horas, dependendo da idade e da função hepática.

O Diazepam e seus metabólitos são eliminados principalmente pela urina (cerca de 70%), sob a forma livre ou predominantemente conjugada. Há casos de detecções tardias do Dizepam no organismo de pessoas que utilizaram esta medicação e que podem chegar aos 280 dias. Ou seja, o Diazepam demora bastante até ser completamente eliminado pelo organismo.

Há casos onde esta longa permanência deste fármaco é desejada, principalmente quando este é utilizado como medicação coadjuvante no tratamento de alguns casos de Epilepsia e também da Esquizofrenia.
 

Não está incorreta a sua utilização em determinados casos de Transtornos Ansiosos, mas, e para que se tenha uma idéia, a meia-vida plasmática do Bromazepam (muito utilizado para o tratamento de Transtornos Ansiosos) é de cerca de 12 horas, enquanto a do Diazepam, como já dito, é de cerca de 30 a 100 horas, ou mais.


Evidentemente, isto poderá fazer diferença na dependência da função laboral desejada.
Para funções laborais que requeiram um elevado desempenho da atenção, do equilíbrio e dos reflexos, o uso prolongado do Diazepam pode vir a merecer uma atenção especial.
Em muitas situações, todavia, o seu uso não necessariamente irá interferir no desempenho do trabalho.

 

Como dito, essa avaliação deverá ficar a cargo do médico do trabalho, o qual poderá, caso julgue necessário, solicitar informações complementares ao psiquiatra assistente do candidato à função.
 

Se desejar saber um pouco mais sobre o Diazepam e sobre outros Benzodiazepínicos, basta clicar aqui.

 

        Médico Psiquiatra e Nutrólogo

 

 

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