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Quando há Incompatibilidade entre a Doença e a Função de Trabalho.

 

Fiquei afastado do serviço por 1 ano e seis meses fazendo tratamento, o psiquiatra do inss me diaguinosticou como portador de F60.3 + F41.2 cid 10. como trabalho armado , e lido com público fui afastado das funçoes por esse periudo. recebi auta da perita do inss e fui mandado de volta ao trabalho. mas fui informado pela minha antiga psiquiatra que deveria tomar os remedios para sempre, e nao deveria voltar a trabalhar armado e se possivel evitar grande aglomeraçoes de gente ja que esse tipo de situaçao me deixava nervoso. isso esta correto ?, se esta como posso eu agir ja minha empresa insiste em me colocar em posto com muita aglomeraçao de gente ? (Santa Catarina)

 

Resposta: Sobre os diagnósticos que você afirma terem sido firmados levando-se em conta o seu caso clínico, sobre os diagnósticos opto por não comentar, primeiro por não ter eu a certeza de que estejam corretos, e segundo porque consultas online não são permitidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).


O que posso lhe dizer é que não somente em Psiquiatria como em outras especialidades médicas, a doença apresentada pelo paciente, sendo crônica ou não, pode ser incompatível com a função laboral que a pessoa esteja exercendo.


Além de Psiquiatra e Nutrólogo, também sou pós-graduado em Medicina do Trabalho.


Lembro-me de um caso em que o sujeito era motorista de caminhões e viajava por longas distâncias atravessando, inclusive e a trabalho, fronteiras entre países.


Coube-me a mim, ser o médico examinador daquele indivíduo em um Exame Ocupacional de rotina. Logo percebi que aquele senhor se encontrava muito tenso bem no início da avaliação médica. Parecia (e estava) procurando esconder algo.


Observei, ainda, que seu modo de olhar e de gesticular com a cabeça apresentava uma variação patológica diante do normal. Tratava-se de um problema oftalmológico muito sério que aquele senhor (motorista profissional) apresentava em um dos seus olhos. Um dos olhos estava seriamente comprometido pela doença, sendo que o homem era também completamente cego do outro olho.


Quando ele percebeu que havia chegado a hora de estar diante da decisão médica sobre a sua aptidão ou não para aquele trabalho (função), entrou em desespero e me disse que, havia já tempo, tinha feito de tudo a fim de ocultar sua doença dos médicos da Medicina do Trabalho em razão do temor de perder o emprego e de não ter como sustentar sua família. Era um senhor com cerca de 60 anos.


Sem, agora neste momento, necessitar entrar em detalhes sobre que doença aquele homem possuía, minha decisão foi pela inaptidão para a função de motorista de caminhão de carga em razão da séria doença oftalmológica que apresentava.


Porém, a função do médico é sempre ajudar, cooperar e buscar todos os meios possíveis em prol da saúde da pessoa humana, seja no território da saúde física, mas também da saúde mental e afetiva.


Agendei uma reunião com a equipe médica a fim de buscarmos uma solução para aquela situação (no caso a situação laboral, visto que aquele senhor já se encontrava aos cuidados da Oftalmologia). A decisão da equipe médica pela inaptidão para a função de motorista de caminhão foi unânime entre nós. Porém, o que fizemos para ajudá-lo foi a mudança de função, ou seja, ele não perderia seu emprego e passaria a exercer outra função dentro da empresa.


A parceria (multidisciplinaridade) entre a Psiquiatria e a Medicina do Trabalho é, em muitos casos, indispensável, pois o médico do trabalho da empresa pode, ele próprio, atestar a necessidade de mudança de função em razão da incompatibilidade entre a existência de uma determinada doença psiquiátrica e a função laboral do indivíduo, como já mencionei acima.

 

Em não poucas vezes, a decisão do médico do trabalho em atestar a necessidade de mudança de função para um paciente portador de algum transtorno psiquiátrico (e que justifique a mudança de função) muitas vezs é tomada em razão do parecer técnico do Psiquiatra.


Acredito já ter, dentro do possível, respondido a sua pergunta.


Grato pelo seu contato.
 

 Dr Eduardo Adnet

 Médico Psiquiatra

 

 

 

 

 

 

 

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