Pergunte ao Psiquiatra | Dr Eduardo Adnet

 

Medicina, Psiquiatria, Remédios, Medicamentos, Saúde

 

 

Faça uma Busca nos nossos sites. Isto poderá facilitar encontrar a resposta para a sua dúvida.

 

Risperidona, Cloxazolam, Citalopram, Biperideno e Ganho de Peso

 

"Dr. Eduardo: Sou casada a dezessete anos e tomo medicamentos a 10 anos e durante todos esses anos, tenho ganhado muito peso e engordei muito; tenho a sensação dos musculos endurecidos e praticamente caminho como se fosse um robô,tenho perdido o libido desde que comecei a tomar esses remédios são eles: Risperidon 2mg, Olcadil 4mg, Alcytam 20mg, Akineton 2mg. A minha memória está muito lenta, já comentei tudo isto com a minha médica, mas ela diz que é da doença, será que está faltando alguma coisa. Aguardo a sua resposta." (Rio de Janeiro).

 

Embora você não tenha mencionado de que doença sofre, sobre as medicações citadas, posso lhe dizer o seguinte: O ganho de peso com o uso da Risperidona (Risperidon®) é relativamente frequente, por vezes até muito ganho de peso. O Cloxazolam (Olcadil®) possui o potencial de lentificar a memória. E o Citalopram (Alcytam®) pode, por vezes, comprometer (e bastante) a libido. São todos estes medicamentos bastante utilizados em Psiquiatria. Todavia, em havendo efeitos indesejáveis com importante desconforto para o paciente, existem diversas opções a fim de lidar com esta situação.
É o que posso lhe responder por hora.

 

Olcadil (Cloxazolam)
 

Boa noite Dr. estou com uma dúvida, caso seja possível favor retornar. Tenho constantemente altas doses de ansiedade e fobia social, fui ai psiquiatra e ele receitou-me o exodus 10 mg diariamente e o olcadil 2 mg somente nos dias em que a ansiedade estiver maior. Minha dúvida é se o olcadil pode ser administrado dessa forma? Somente quando estiver em crise. Muito Obrigado. (Goiás).

 

O Olcadil® (Cloxazolam) é um medicamento ansiolítico pertencente à categoria dos Benzodiazepínicos (Diazepam, Clonazepam [Rivotril®], Lorazepam, etc.). Uma das vantagens dos Benzodiazepínicos é a flexibilidade da posologia. Diferentemente de outros medicamentos utilizados em Psiquiatria, podem ser tomados tanto de forma regular (tomada diária) bem como somente em momentos específicos, segundo orientação médica. Sendo assim, a resposta à sua indagação é sim.

 

Sertralina e Inibição da Libido

 

Estou me tratando com psiquiatra a algun tempo, tomava sertralina de 50, depois 60 depois 75, me queixei um pouco de não estar sentindo mais prazer em relações sexuais, pois era cobrada pelo meio marido. Ele receitou cloridrato de bupropiona de 150mg,já estou a mais de 2 semanas tomando, mas tive uma recaida. Um aperto no peito, tudo me fazia ter vontade de chorar, medo de morrer, aguentei o que pude, para minha filha não perceber, mas não aguentei e tive crise de choro direto, tive que tomar o rivotril sublingual de 0,25 para tentar me acalmar, fico gelada. Será que isso passará? Não aguento mais.Por favor me ajude.obrigada (Rio de Janeiro).

 

Esta resposta está relacionada à resposta anterior. Como já dito, dois dos efeitos indesejáveis mais comuns relacionados aos antidepressivos categorizados como Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRSs) - Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina, dentre outros - são o ganho de peso e o comprometimento da libido. Cabe aqui salientar que as apresentações desses efeitos indesejáveis dos ISRSs não seguem um padrão uniforme, ou seja, há pacientes para os quais estes efeitos são mais intensos e há os que sequer chegam a mencionar estas colateralidades indesejáveis relacionadas aos ISRSs.
A Bupropiona tem sido prescrita como alternativa terapêutica em diversos desses casos onde os ISRSs são a primeira escolha, todavia alguns ISRSs apresentam efeitos indesejáveis por vezes não tolerados pelo paciente. O mecanismo de ação da Bupropiona se relaciona à inibição da recaptação da Dopamina e da Noradrenalina, não tendo os mesmos efeitos indesejáveis dos ISRSs. Todavia, trata-se de um psicofármaco diferente e, em diversos casos, menos eficaz do que diversos ISRSs para o tratamento de transtornos psiquiátricos onde os ISRSs são a primeira escolha. Daí vermos, em algumas ocasiões, recorrência dos sintomas e até mesmo ineficácia relativa da Bupropiona para tratar esses referidos transtornos. Há diversos estudos comparativos entre estes fármacos que qualificam e que também quantificam suas respectivas eficácias terapêuticas.
Acontece que, além de medidas que podem ser tomadas frente ao comprometimento da libido por ISRSs, sem a necessidade de substituí-los por outro psicofármaco, existem outros tratamentos disponíveis para abordar os mesmos transtornos para os quais os ISRSs são eficazes.
Um bom diálogo com o psiquiatra responsável pelo tratamento pode resultar em uma mudança de abordagem do tratamento com boa sofisticação terapêutica a fim de tratar o caso clínico.
É o que posso lhe dizer dentro das limitações que um comentário como este exige.
Grato por seu contato.

 

 

Paroxetina e Libido

 

Dr, Meu esposo toma Cloridrato de Paroxetina e eu gostaria de saber por qto tempo ou se há previsao de perda de libido, pois somos casados há pouco tempo e se com o tempo a libido volta normalmente. Grata. (São Paulo).

 

Embora a Paroxetina seja um medicamento bastante eficaz no tratamento de transtornos psiquiátricos, ela está fortemente relacionada a dois efeitos indesejáveis muito frequentes: comprometimento da libido e ganho de peso. Em minha experiência profissional, vejo que estes efeitos colaterais nem sempre cedem completamente com o tempo. Ou seja, enquanto se utilizar a Paroxetina (e houver comprometimento da libido e/ou ganho de peso), estes efeitos indesejáveis tendem a permanecer, embora possa haver uma atenuação destes efeitos colaterais. Lembrando, todavia, que há pacientes que não experimentam estes efeitos colaterais de modo a necessitarem de interromper a medicação. Se os efeitos indesejáveis estiverem se constituindo em um problema importante, converse com o psiquiatra de seu marido e indague sobre alternativas de tratamento (a substituição da Paroxetina).

 

Lítio no Sangue

 

Gostaria de saber se existe fator hereditário para pessoas terem aumento ou diminuição da taxa de lítio no sangue. (Pernambuco)

 

Não. De modo sucinto, praticamente não há Lítio algum em nosso organismo, salvo traços que podem ser encontrados em alguns fluidos corporais (e cuja função é ainda pouco conhecida), algo que nada tem a ver com a administração do Carbonato de Lítio para fins de tratamento psiquiátrico. Como já dito em resposta anterior, dosar o Lítio em quem não faz uso dessa medicação é algo completamente inútil sob o ponto de vista psiquiátrico.

 

Fluoxetina e Ganho de Peso

 

Doutor gostaria de saber a dose ideal de fluoxetina para controlar a fome exagerada, sofro de disturbio bipolar tenho 167 e estou pesando 91kg. quero muito emagrecer mas n o consigo, sempre desisto.o médico me receitou fluoxetina,mas ainda não comecei.ele passou 2omg pela manhã e 20mg a noite.se fizer assim posso emagrecer? (Tocantins)

 

Os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRSs) que incluem a Fluoxetina, a Paroxetina, a Sertralina, dentre outros, estão praticamente todos eles associados a um possível ganho de peso. Estima-se que, pelo menos, 30% dos pacientes que usam esses medicamentos têm ganho de peso considerável. Embora os ISRSs possam, no início do tratamento, cooperar para alguma modulação do apetite, em diversos casos eles terminam por levar ao efeito contrário de quem deseja perder peso. Embora a Medicina ainda não tenha conseguido determinar com precisão exata o mecanismo pelo qual os ISRSs levam ao ganho de peso, esta tem sido uma queixa cada vez mais observada nos pacientes que os utilizam.
Importante observar que em determinados casos de Transtornos Alimentares, a Fluoxetina pode ser utilizada, mas nestes casos, a introdução desta medicação pode ser outra.

 

Rivotril e Mudanças no Humor

 

Dr.Eduardo: meu marido passou por uma fase de sindrome do panico hje controlada porem vem apresentando mudanças de humor que chegam as vezes a serem desagradaveis,sera que o uso do rivotril pode influenciar nestas mudanças? gostaria de um esclarecimento,desde ja agradeço.atte.

 

O Rivotril® (Clonazepam) é um medicamento pertencente ao grupo dos Benzodiazepínicos, assim como o Diazepam, o Alprazolam, Cloxazolam, dentre outros. Embora pertençam à mesma classe de psicofármacos, cada um deles possui características bastante específicas e também efeitos distintos (desejáveis e indesejáveis). Dentre os efeitos indesejáveis, as alterações do humor e determinadas alterações cognitivas podem estar presentes, dependendo do Benzodiazepínico prescrito, dose, tempo de uso, associação com outros fármacos, dentre outros fatores. O Diazepam e o Flunitrazepam, por exemplo, podem levar a casos de apatia que podem ser confundidos com episódios depressivos clássicos, quando não são eles próprios os desencadeadores de episódios depressivos.  
Embora os Benzodiazepínicos sejam medicamentos de elevada importância em Psiquiatria e prescritos no mundo todo, cabe ao médico psiquiatra o domínio dos conhecimentos sobre a psicocinética e a psicodinâmica dessas drogas terapêuticas. Há meios de se amenizar estes efeitos indesejáveis, quando presentes, e necessidade de se avaliar a continuidade de seu uso e, não infrequentemente, realizar ajustes de doses. Respondendo, portanto,  a sua pergunta, sim, o Clonazepam pode causar alterações do humor. Todavia, somente uma avaliação minuciosa, e que possa excluir outras diversas possíveis causas para o humor alterado, pode fornecer os meios para uma afirmação definitiva sobre estas alterações.
Importante lembrar que praticamente todos os medicamentos utilizados em Medicina (seja qual for a especialidade médica) possuem efeitos colaterais. Isto digo a fim de que não se fomentem preconceitos quanto aos medicamentos da Psiquiatria, os quais têm podido não somente controlar muitas doenças psiquiátricas, como também têm melhorado dramaticamente a qualidade de vida de muitos portadores de transtornos psiquiátricos pelo mundo afora.


"Remédios Químicos" ou "Medicamentos Naturais"?

 

Boa tarde, estou com alguns sintomas a uns três anos e não consigo cura, como se eu tivesse falta de ar, amortece minhas mãos, fico inquieto e tenho medo que me de um trosso, sei lá isso tem me dado com frequencia e estou tomando fluoxetina mais não esta adiantando poderia me ajudar,eu não gostaria de tomar remedios quimicos e sim remedios naturais.

 

Pelo seu relato, trata-se de um quadro clínico com sinais e sintomas que sugerem requerer atenção e tratamento pela Psiquiatria. Sobre se o seu tratamento deverá ser feito com o uso de medicação, somente com psicoterapia ou com a combinação de ambas, isto só poderá ser decidido mediante uma avaliação psiquiátrica. Todavia, aqui cabe uma importante observação sobre os chamados medicamentos naturais, informação esta que muitos ignoram:


Ao longo de toda a história da medicina, os medicamentos utilizados para tratar doenças sempre vieram da natureza. Com o desenvolvimento das tecnologias modernas de síntese de moléculas de medicamentos em laboratório, passou-se a uma visão dicotomizante e ilusória onde existiria uma suposta divisão entre “medicamentos químicos” e “medicamentos naturais”. Esta divisão é ilusória e carece de fundamentação científica, pois todos os medicamentos, sejam os industrializados ou os chamados “naturais”, são medicamentos químicos. Toda ação medicamentosa é química, salvo nos casos de efeito placebo.
Outro equívoco frequente é o de se supor que os ditos “medicamentos naturais” não possuem efeitos colaterais e seriam mais seguros. Esta afirmação é precária, pois determinados remédios chamados de “naturais” podem, dependendo do caso, intoxicar e mesmo causar sérios danos à saúde.
A atual popularidade de determinados tratamentos com “ervas naturais” tem sua origem na China, onde essa prática é comum, muito mais pela miséria em que vive a maioria do povo chinês, alienada de tratamentos médicos de qualidade, do que por seus efeitos terapêuticos.
Dois estudos recentes realizados pela Associação Americana de Oncologia e pelo Departamento de Saúde da Califórnia demonstraram que diversas ervas utilizadas pela chamada medicina de ervas chinesas podem ser bastante tóxicas e danosas ao corpo humano. Após terem sido testadas diversas dessas ervas “naturais”, verificou-se que um terço delas estava impregnado com traços de medicamentos industrializados e também com produtos tóxicos como o chumbo e o arsênico. Além de ter sido verificada a presença de agrotóxicos em diversas dessas “ervas naturais”. A possível presença de substâncias tóxicas nos chamados “remédios naturais” possuem o potencial de causar severas intoxicações, alergias graves, fotossensibilização, insuficiência renal e até a morte por falência renal. Existem bons medicamentos chamados de "naturais", mas sua utilização não é recomendada sem a avaliação médica. Particularmente, desencorajo a auto-medicação.

Dosagem Sérica de Carbonato de Lítio e de Serotonina

 

Todos os medicamentos que se toma como estabilizadores do humor precisam ser dosados no sangue? E a serotonina? Também precisa ser dosada no sangue? Se a pessoa está com a serotonina baixa, isso significa que ela pode ter depressão?

 

Na realidade não! Não são todos os estabilizadores do humor que necessitam de dosagem sérica (exame de sangue) para o controle do medicamento no sangue. A cada dia que passa, surgem estabilizadores do humor mais e mais eficazes como alguns pertencentes à categoria dos anticonvulsivantes mais recentes e dos antipsicóticos atípicos (alguns destes também recentes). A situação do Carbonato de Lítio é bastante específica, pois trata-se de um medicamento com potenciais efeitos colaterais importantes e que podem (e devem) ser evitados a todo custo pelo monitoramento da dosagem sérica (exame de sangue) do Lítio e pela observação e acompanhamento médico. Também esta dosagem sérica é realizada a fim de que se possa observar e avaliar a chamada dose terapêutica adequada, ou seja: Se o Carbonato de Lítio estiver muito abaixo do seu nível terapêutico pode não produzir os efeitos desejados. Por outro lado, se estiver excessivamente elevado o seu nível no sangue, pode ocasionar efeitos colaterais potencialmente perigosos, como o comprometimento renal, por exemplo. Todavia, convém lembrar que há diversos casos onde o Carbonato de Lítio se encontra abaixo do que é considerado seu nível terapêutico, mas seu efeito se faz presente. Logo, a dosagem do Lítio (Litemia) não é o único meio a fim de se avaliar a eficácia desta medicação. Outro estabilizador que deve ser dosado em diversas situações é a Carbamazepina (um antiepiléptico utilizado também como estabilizador do humor). A Carbamazepina pode produzir Leucopenia (baixa das células de defesa do organismo) dependendo da dosagem e da pessoa que está recebendo a medicação. Há ainda outras situações em que a Carbamazepina deve ser dosada no sangue. Porém isto não é uma regra matemática.


Há diversos outros estabilizadores do humor (a maioria pertencente à categoria dos anticonvulsivantes e dos antipsicóticos atípicos) os quais não necessitam de monitoramento sanguíneo frequente. Em alguns casos a dosagem sérica deles nunca é necessária. Todavia, a decisão cabe ao médico psiquiatra que os prescreveu, sendo importante esclarecer todas as dúvidas ao paciente, pois muitas bulas de remédios podem confundir. Outro equívoco é o de se dosar o Lítio em quem não toma Carbonato de Lítio. Quem não toma Carbonato de Lítio não precisa de dosagem sérica (sangue) de Lítio. O Lítio é produto de uma pedra que se chama Petalita, é só pode estar elevado no organismo se a pessoa estiver recebendo tratamento com Carbonato de Lítio. Aliás, Lítio vem de Lithus, que em Grego significa Pedra.


Sobre a dosagem de Serotonina sérica (sangue), não há embasamento científico que sustente este tipo de abordagem terapêutica. Ou seja, pelos dados de que dispõem a literatura científica atual em Medicina, não se justifica a dosagem de Serotonina com fins a estabelecer alguma relação com quadros depressivos.
Dosar o Lítio em quem não toma esse medicamento e dosar Serotonina para avaliar quadros depressivos são medidas inúteis sob o ponto de vista Psiquiátrico.


Revisão de Medicamentos e de Dosagens ao longo do Tratamento Psiquiátrico

 

Boa noite,minha mãe tem 64anos,tem depressão e toma carbamazepina 200mg,3 vezes ao dia,clopromaz 100mg,e aldol 5mg,ela tinha crises de nervo,choro,mas não sofre de ataque.Tem uma historia de vida bem complicada,e hoje ela so conversa se quiser,ou se alguem dirige a palavra a ela,responde o necessario ,as atividades domesticas nao tem vontade de fazer,reclama de dor de cabeça no final da tarde, realmente ela parece um robosinho,faz tudo automatico.Gostaria de saber que atitude devo tomar, e se precisa rever suas medicamentos com um especialista.Obrigado!

 

Uma das principais características da Psiquiatria é o fato desta especialidade médica lidar com doenças em sua maioria crônicas. Um dado antibiótico pode ser eficaz no tratamento de determinada infecção. Terminada a infecção, o antibiótico já não é mais necessário. Porém, quando se tratam de transtornos psiquiátricos crônicos (alguns duram pelo resto da vida, mesmo a despeito de grandes melhoras com a instituição do tratamento adequado), nosso organismo pode apresentar variações surpreendentes e também inesperadas em relação a esta ou àquela medicação. Por esta razão as medicações devem ser sempre revistas. Não somente as dosagens e as, muitas vezes necessárias, combinações de psicofármacos, mas também os efeitos que esses medicamentos estão exercendo sobre o fígado e os rins (os quais potencialmente podem sofrer algumas consequências devido às medicações). Também os ajustes de doses e a retirada deste ou daquele fármaco durante o tratamento precisam ser avaliados periodicamente. E, por fim, o envelhecimento é um dos principais motivos por causa do qual doses de medicamentos devem ser cuidadosamente reavaliadas e alguns medicamentos até mesmo suspensos (ou trocados), pois à medida em que os anos avançam, nossa capacidade em metabolizar os medicamentos tende a ficar alterada.
A doença que você menciona (Depressão) e os medicamentos a que você faz referência são objetos de atenção da Psiquiatria.

 

Tempo Necessário para a Eliminação do Carbonato de Lítio do Organismo, após Interrupção do Tratamento

 

Quanto tempo para o litio sair do corpo, apos ter tomado por 30 dias?

 

O Carbonato de Lítio é eliminado principalmente através da urina com insignificante eliminação pelas fezes. A meia vida de eliminação do Lítio é de aproximadamente 24 horas. Pode ser necessário um período de até 2 semanas até que o Lítio seja eliminado do organismo, após a suspensão do tratamento com esse medicamento. Salvo se houver alguma doença do aparelho urinário limitadora de eliminação do Lítio (Insuficiência Renal). A quantidade de Lítio no sangue pode ser facilmente determinada pela dosagem de Lítio no sangue (apenas para quem faz tratamento com Carbonato de Lítio), um exame conhecido por Litemia. A realização de Litemia é inútil para quem não faz tratamento com Lítio.

 

Mais de uma Doença Psiquiátrica e o Uso de Mais de um Medicamento

 

Sou formada em psicologia e aprendi na faculdade que um paciente não deve ser medicado para neurose e psicose ao mesmo tempo. Meu irmao toma há mais de 15 anos remedios para disturbio do panico e TOC. Agora o psiquiatra dele receitou um antipsicotico por conta de uns eventos que aconteceram e ele quer investigar se pode ser uma manifestação psicotica ou não. Minha pergunta é, isso é possivel? Ou tomando 2 medicamentos para disturbios tao distintos nao pode piorar a situação?

 

O termo neurose, além de se revestir de certa inespecificidade, vem caindo em desuso à medida que o tempo passa e se vão sofisticando os diagnósticos em Psiquiatria e Psicopatologia. Também o termo Psicose é um tanto quanto inespecífico em nossos dias, visto que "comportamentos psicóticos" carecem da especificação psicopatológica e etiopatogênica do transtorno que pode estar ocasionando tais comportamentos.
O Transtorno do Pânico (ansiedade paroxística episódica) pertence à categoria dos Transtornos de Ansiedades e o Transtorno Obsessivo Compulsivo é ainda, por alguns, chamado de Neurose Obsessivo Compulsiva, e ambos os transtornos mencionados estão agrupados na CID como Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o "stress" e transtornos somatoformes. Todavia, reitero o que disse sobre o termo neurose.
Para uma visão técnica mais específica sobre a categorização e sobre as manifestações clínicas destes transtornos, e também sobre as abrangências das categorias diagnósticas onde o termo psicose pode ser empregado é necessário um sólido conhecimento em Psicopatologia. Porém, abordar pormenorizadamente este assunto nesta seção fugiria aos objetivos deste segmento do site.
O que importa em seu caso relatado é a correta determinação do diagnóstico do paciente em questão, o que pode, se for o caso, envolver a presença de mais de um transtorno psiquiátrico (comorbidade). Há pacientes que possuem dois, três, ou até mais transtornos, o que pode, sim, justificar a psicofarmacoterapia com o uso de mais de um psicofármaco. Caberá ao psiquiatra optar pela decisão terapêutica mais adequada ao paciente, preferencialmente esclarecendo ao paciente (e, se necessário, também aos familiares) sobre os principais aspectos envolvidos no diagnóstico e no tratamento proposto.

 

 

Dr Eduardo Adnet

Médico Psiquiatra

 

 

 

 

Home

 

"Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento." Provérbios 2:6

As informações contidas nesta página são informativas e não substituem a Consulta Médica.


© Copyright Eduardo Adnet - Todos os Direitos Reservados. Não está autorizada a reprodução, cópia ou distribuição deste artigo sem o consentimento expresso do autor.