Pergunte ao Psiquiatra | Dr Eduardo Adnet

Transtorno Bipolar sem Melhora Há Sete Anos

 

Boa noite Dr. Eduardo, meu nome é (...), sou de SC, meu pai tem disturbio bipolar, mais ate hoje nenhum médico deu geito de fazer um tratamento adquado a ele, pois ele está cada vez pior, teve um médico de Rio do Sul, que disse que não sabia mais o que fazer, faz 7 anos que descobrimos essa doença nele, ele mudou muito. Ele fica o dia inteiro sentado, ele fica falando que tem ferros na boca, que tem alicate, ele sempre fica mexendo com a boca, diz que está tentando tirar os ferros da boca. Gostaria muito de sua ajuda, isso pode se dizer que é um filho desesperado sem saber o q fazer com seu pai, só queria o meu pai de volta. Se for preciso levo ele até Curitiba para se consultar com o Dr. Desde já agradeço pela atenção! Atenciosamente (...) (Santa Catarina).

 

Resposta: Prezado amigo, o sofrimento de ver um familiar querido em estado de doença é algo terrível e é até mesmo difícil de ser expresso em palavras. Por isso mesmo Deus colocou médicos no mundo, a fim de que ajudemos os nossos semelhantes pela ciência que recebemos.

Importante ser dito que hoje existem mais de cinquenta especialidades médicas reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina. Sendo assim, é importante que todos nós médicos, juntamente com os nossos pacientes e seus familiares, saibamos compreender quando é a hora certa de se buscar um especialista, quando for o caso, evidentemente.

De qualquer forma, chama a atenção o fato de você ter escrito que seu pai recebeu um diagnóstico psiquiátrico há sete anos e “até hoje nenhum médico deu jeito”, segundo suas próprias palavras, e ainda acrescenta “está cada vez pior”.

Tenho dito, e aqui reafirmo, que a maioria dos pacientes que me procura dizendo ser portadores do Transtorno do Humor Bipolar, na realidade não são. Ou são portadores de transtornos psiquiátricos bem menos severos, ou simplesmente não têm doença psiquiátrica nenhuma, ou ainda, e o que é pior, são portadores de algum transtorno psiquiátrico ainda mais sério. Esta última situação é a mais rara dentre as outras que mencionei, felizmente. E há, obviamente, os que são, de fato, pacientes genuinamente bipolares.

Também penso ser algo muito frustrante ouvir de um médico a sentença “não sei mais o que fazer”, segundo você escreveu.


Um dos lemas áureos da Medicina é: “Curar, se possível, mas aliviar, sempre!”


Em se tratando de doenças terminais, ou ainda de outras situações muito graves, onde as expectativas de melhora e/ou cura são muito mais restritas, há casos em que o médico precisa fazer saber ao paciente a aos seus familiares sobre a realidade da sua condição de saúde. Mas quando a melhora ou a cura ainda estão ao alcance da Medicina, os recursos de que hoje dispomos são imensos e devem ser otimizados o mais possível a fim de que o paciente receba o melhor. E isto em qualquer situação. Mas tudo fica muito mais difícil se um diagnóstico de certeza não tiver sido firmado. É como ir a um ourives e perguntar ao profissional se determinada peça é ou não de ouro. Ora, se após diversos retornos ao tal ourives, este ainda não souber se a peça é de ouro ou não, o que fazer senão procurar outro especialista em jóias? São sete anos de sofrimento, segundo o seu relato!

Quanto ao mérito do médico que disse não saber mais o que fazer em relação ao seu pai, não é de minha competência emitir juízo algum sobre o colega, mas se ele não sabe mais o que fazer, será que nesse nosso imenso país não existem outros médicos que saberão o que fazer?


Digo ainda que existe um certo abuso e exageros no diagnóstico de Transtorno Bipolar, sendo este último uma patologia já bem conhecida e bem estudada, e com tratamentos bastante eficazes para a maioria dos casos. Por isso chama a atenção esse longo período sem melhora, e até com piora, segundo você escreve.

 

Sua afirmação de que seu pai diz que tem ferros na boca e que ainda movimenta a boca a fim de remover o que parece perceber como sendo ferros e alicates sugere que seu pai possa ser portador de um transtorno psiquiátrico algo mais severo, o que precisa ser diagnosticado e tratado corretamente. Há diversas doenças que podem ser até mesmo parecidas com o Transtorno Bipolar em alguns de seus aspectos de manifestações clínicas, mas também existe um abismo de diferenças entre essas doenças, cabendo ao psiquiatra saber fazer essa diferenciação.

Sua região é uma das mais belas do sul do Brasil, com uma vegetação rica e de um verde vivo, próspera na agricultura, um povo muito educado e cordial, cidades aconchegantes e com um clima agradável. Mas, infelizmente, relativamente pobre em número de psiquiatras.


Gostaria de poder ajudá-lo mais, ao seu pai principalmente, evidentemente, mas é tudo o que posso comentar a respeito, por hora.

 

 

 

 

 

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