Dr Eduardo Adnet


Médico Psiquiatra e Nutrólogo

Medicamentos em Psiquiatria e Diminuição da Libido. Anorgasmia e Disfunção Erétil.


Libido vem de um vocábulo em Latim e significa desejo ardente, desejo sexual ou ainda liberar para o prazer. A libido humana depende de fatores diversos tais como: fatores psíquicos, afetivos, sociais e também hormonais (somatogênicos).


São diversas as medicações que têm a capacidade de interferir na libido, e isto não é uma exclusividade das medicações psiquiátricas. Diversos medicamentos (ou drogas medicamentosas) utilizados pela Cardiologia, Urologia e pela Gastroenterologia, citando apenas estas, podem interferir na libido. Para citar alguns exemplos: os Beta-bloqueadores, os agonistas alfa2-adrenérgicos, diuréticos tiazídicos, inibidores da enzima de conversão da angiotensina, são medicamentos que podem interferir com a libido, dentre diversos outros. Lembrando que condições médicas como o Hipogonadismo, a Hiperprolactinemia, o Hipo ou o Hipertireoidismo, Tumores Hipófisários, dentre outras doenças e disfunções orgânicas, também podem interferir no desejo sexual.


Medicamentos que interferem com o sistema hormonal (Prolactina, Testosterona, Dehidroepiandrosterona ou  Dehidro-Epi-Androsterona - DHEA) e com neurotransmissores como a Serotonina, a Norepinefrina e a Dopamina estão frequentemente associados a efeitos colaterais ligados à disfunções sexuais (comprometimento da libido e/ou do desempenho sexual).


Em Psiquiatria, diversos transtornos evoluem com diminuição, ou mesmo abolição da libido, sendo que os transtornos depressivos e os transtornos ansiosos figuram (pelo menos quantitativamente) entre os transtornos psiquiátricos onde as alterações do desejo e do desempemho sexual estão mais frequentemente presentes (prevalência elevada). Também determinadas fobias, o etilismo crônico e o uso de drogas ilícitas, sobretudo a Cocaína e seu derivado mais agressivo, o Crack, possuem diversas implicações negativas sobre o desejo e também sobre o desempenho sexual.


Porém, parece não haver dúvidas quanto ao fato de que diversos medicamentos utilizados tanto pela Psiquiatria, e também pela Neurologia, podem ter o efeito da redução da libido. Impotência, retardo do orgasmo, anorgasmia são queixas frequentes entre diversos pacientes que utilizam algumas dessas medicações. Isto significa que embora a diminuição da libido esteja inerentemente relacionada à disfunção sexual, nem todos os medicamentos cujos efeitos colaterais reportados como sendo disfunções sexuais interferem necessariamente na libido, pois alguns deles possuem efeitos principalmente sobre o desempenho sexual.

 

 

Medicamentos que levam a uma elevação dos níveis de serotonina e de norepinefrina parecem ser os que levam a mais efeitos secundários ligados a libido (quantitativa e qualitativamente). Citemos aqui os medicamentos da categoria dos antidepressivos, sobretudo os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRSs) e os Inibidores Seletivos da Recaptação de Noradrenalina (ISRNs). Também os principais antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina, Imipramina e Clomipramina) devem ser citados devido aos seus efeitos anticolinérgicos e seus efeitos inibitórios sobre os níveis de prolactina, o que também podem levar a alterações do desejo sexual (sexual drive).


Estes problemas têm sido exaustivamente estudados e já podem ser contornados não só pelo uso de antidepressivos mais recentes e menos intervenientes nos componentes neurobioquímicos e hormonais relacionados à diminuição da libido, mas também com o uso de determinados medicamentos que podem reduzir significativamente o problema em questão. Hoje há medicações disponíveis que interferem pouco e as que em nada interferem no desejo sexual. Também a correta administração e regulação posológica no uso dessas medicações pode ser uma maneira bastante eficaz de se lidar com estes efeitos indesejáveis produzidos por esses medicamentos.

 
Há também medicações antipsicóticas, anticonvulsivantes e estabilizadoras do humor que podem ter efeitos adversos sobre a libido. Com relação aos antipsicóticos, há que se salientar que alguns dos chamados antipsicóticos atípicos são bem menos problemáticos do que os antipsicóticos clássicos quando se trata de efeitos adversos envolvendo o desejo e o desempenho sexual. Isto parece estar relacionado ao fato de alguns deles não interferirem nos níveis de prolactina, pois como já dito, a Hiperprolactinemia (primária ou secundária) está associada à diminuição do desejo sexual.

 

Antipsicóticos com grande potência antagonista dos receptores dopaminérgicos são também frequentemente associados a problemas sexuais disfuncionais, e isto pode incluir tanto os antipsicóticos clássicos como os atípicos.


Aqui, importante mencionar que em Psiquiatria, quando se trata da abordagem da diminuição do desejo e/ou do desempenho sexual, há que se avaliar se a causa do problema é a doença psiquiátrica em si, a medicação utilizada, ou ainda uma combinação de ambas.

 

Dr Eduardo Adnet

Médico Psiquiatra e Nutrólogo