Dr Eduardo Adnet


Médico Psiquiatra e Nutrólogo

Transtornos Psiquiátricos em Mulheres


Os transtornos psiquiátricos estão associados a uma carga significativa de morbidade e incapacitações as mais diversas. As taxas de prevalência ao longo da vida para qualquer tipo de transtorno psiquiátrico são maiores do que se pensava anteriormente, estão aumentando de acordo com estudos e levantamentos epidemiológicos recentes e já afetam quase metade da população mundial.

Apesar de ser comum, a doença mental é comumente subdiagnosticada pelos médicos. Menos de metade das pessoas que atendem aos critérios de diagnóstico para transtornos psiquiátricos são identificadas pelos médicos dos serviços de atendimento básico (atenção primária). E isto é um dado preocupante.

Por outro lado, pacientes também podem ser significativamente relutantes em procurar ajuda profissional no âmbito da Saúde Mental. Apenas duas em cada cinco pessoas sofrendo de transtornos do humor, ansiedade ou transtornos por uso de substâncias procuram assistência especializada no primeiro ano do início da doença.

Embora as taxas globais de transtornos psiquiátricos sejam quase idênticas para homens e mulheres, as diferenças de gênero (masculino e feminino) podem ser marcantes nos resultados encontrados nos estudos dos padrões de doenças psiquiátricas.

Depressão, ansiedade, violência sexual, violência doméstica e as taxas crescentes de uso de substâncias afetam as mulheres em maior medida do que os homens em diferentes países e em diferentes situações. Pressões criadas por múltiplas atribuições, a discriminação do gênero feminino e fatores associados à pobreza, fome, desnutrição, excesso de trabalho, violência doméstica e abuso sexual, se combinam para explicar diversos aspectos relacionados aos problemas de saúde mental em mulheres. Há ainda uma relação entre a frequência e a severidade de tais fatores sociais. Eventos traumáticos na vida que causam uma sensação de perda, inferioridade, humilhação ou encarceramento podem conduzir a estados depressivos diversos e com diferentes apresentações clínicas.

Cerca de 20% dos usuários dos cuidados primários de saúde (atenção básica) em países em desenvolvimento sofrem de ansiedade e / ou de transtornos depressivos. Na maioria dos centros, esses pacientes não são reconhecidos e quando procuram serviços médicos de cuidados primários, muitas vezes os transtornos psiquiátricos não são diagnosticados (ou mesmo notados) portanto, não chegam a ser tratados. A comunicação entre profissionais de saúde e pacientes mulheres é extremamente autoritária em muitos países, inibindo assim os relatos de muitas mulheres em sofrimento psíquico e emocional.

O gênero é um fator determinante da saúde mental e da doença mental

O gênero (masculino e feminino) pode chegar a determinar o diferencial de poder e de controle que homens e mulheres têm sobre os determinantes socio-econômicos da sua saúde mental e de suas vidas, tais como posição social, status e a receptividade que recebem na sociedade.

As diferenças de gênero e suas associações à prevalência de transtornos psiquiátricos ocorrem particularmente nos transtornos mentais mais frequentes (mais comuns): depressão, ansiedade e queixas somáticas. Estes transtornos afetam mais as mulheres (aproximadamente uma em cada três).

A chamada Depressão Unipolar, acredita-se, será a segunda principal causa de incapacitações até o ano de 2020, sendo duas vezes mais comum entre as mulheres.

A depressão não é simplesmente o problema de saúde mental mais comum entre as mulheres, mas este transtorno também pode ser mais persistente em mulheres do que em homens.

Já em relação às taxas de prevalência para dependência de álcool, outro transtorno comum, é mais do que duas vezes maior em homens do que mulheres. Nos países desenvolvidos, cerca de um em cada cinco homens e uma em cada doze mulheres desenvolvem dependência alcoólica durante suas vidas

Os transtornos depressivos são responsáveis por cerca de 41,9% dos transtornos neuropsiquiátricos entre as mulheres, em comparação com 29,3% entre os homens.

Os principais problemas de saúde mental dos adultos mais velhos são depressão, síndromes cerebrais orgânicas e demências. A maioria são mulheres.

Estima-se que 80% das 50 milhões de pessoas afetadas por conflitos violentos, guerras civis, desastres e deslocamentos (fugas) sejam mulheres e crianças.

Taxas de prevalência de violência contra as mulheres variam de 16% a 50%.

Pelo menos uma em cada cinco mulheres sofre estupro ou tentativa de estupro em sua vida.

Pesquisas mostram que há três importantes fatores que podem ser altamente preventivos contra o desenvolvimento de problemas mentais em mulheres, especialmente a depressão. São eles:

•Possuir maior autonomia para exercer um maior nível de resposta a eventos adversos.

•Ter um melhor nível de acesso a recursos materiais que possam permitir melhores escolhas em face de eventos severos.

•Apoio da família, dos amigos, ou de profissionais de saúde são fatores de grande importância preventiva contra o desenvolvimento (ou contra o agravamento) de transtornos psiquiátricos.

Fonte: - WHO, Gender and women's mental health. (Organização Mundial de Saúde).
 

Dr Eduardo Adnet

Médico Psiquiatra e Nutrólogo