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Tire suas Dúvidas sobre Psiquiatria

 

Dr Eduardo Adnet - Médico Psiquiatra

 

Especialista Titulado Pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira

 

Gratos por sua visita!

Desde que publicamos esta seção no site, temos recebido diversos emails com diferentes dúvidas e questionamentos sobre Transtornos Psiquiátricos, medicamentos, dentre outros assuntos relacionados com a Psiquiatria. Devido à importância de vários dos temas mencionados por nossos visitantes, gostaríamos de solicitar que, ao final de cada mensagem, a pessoa que nos enviar um email coloque, em baixo na mensagem, a autorização para que publiquemos aqui suas dúvidas. E isto para que outros também possam se beneficiar. Evidentemente, não divulgaremos nem o nome e nem o email do visitante, apenas as perguntas.

 

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Por normatização do Conselho Federal de Medicina, Não são Permitidas Consultas Online, mas apenas esclarecimentos de dúvidas de caráter genérico com vistas a utilidades informativas. Para situações que envolvam demasiada especificidade pessoal na pergunta, não há como substituir a consulta com o médico psiquiatra.

 

As perguntas enviadas são selecionadas para resposta, e somente serão respondidas as perguntas que puderem suscitar respostas para benefício dos visitantes do site no que diz respeito a uma melhor compreensão de assuntos ligados à Psiquiatria.

Devido ao grande volume de emails que recebo, passei a agrupar as perguntas por assuntos e tópicos, a fim de facilitar a navegação no site. Sugiro que primeiramente, se faça uma busca no site. Se não encontrar o que deseja, envie suas dúvidas. As perguntas selecionadas serão respondidas.

 

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                 Médico Psiquiatra

 

Perguntas Relacionadas a Medicamentos em Psiquiatria

 

Diazepam e Função no Trabalho
"Boa tarde,por gentileza,gostaria muito de ter uma resposta sobre o que segue: tem aproximadamente 10 anos que faço tratamento psiquiatrico por motivo de ansiedade - todo esse tempo tomo o remedio diazepan 10 mg - somente.Caso eu passar num concurso publico-estou me preparando para isto...poderei ser impedido de assumir o cargo,caso passe no concurso, devido a medicação? se eu obter uma resposta,ficarei muito grato mesmo,por favor tire esta duvida,pois preciso prestar um concurso publico,tendo em vista uma familia maravilhosa para cuidar.Muito obrigado.... cordialmente,..."
 
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Risperidona, Cloxazolam, Citalopram, Biperideno e Ganho de Peso

"Dr. Eduardo: Sou casada a dezessete anos e tomo medicamentos a 10 anos e durante todos esses anos, tenho ganhado muito peso e engordei muito; tenho a sensação dos musculos endurecidos e praticamente caminho como se fosse um robô,tenho perdido o libido desde que comecei a tomar esses remédios são eles: Risperidon 2mg, Olcadil 4mg, Alcytam 20mg, Akineton 2mg. A minha memória está muito lenta, já comentei tudo isto com a minha médica, mas ela diz que é da doença, será que está faltando alguma coisa. Aguardo a sua resposta." (Rio de Janeiro)

 

Embora você não tenha mencionado de que doença sofre, sobre as medicações citadas, posso lhe dizer o seguinte: O ganho de peso com o uso da Risperidona (Risperidon®) é relativamente frequente, por vezes até muito ganho de peso. O Cloxazolam (Olcadil®) possui o potencial de lentificar a memória. E o Citalopram (Alcytam®) pode, por vezes, comprometer (e bastante) a libido. São todos estes medicamentos bastante utilizados em Psiquiatria. Todavia, em havendo efeitos indesejáveis com importante desconforto para o paciente, existem diversas opções a fim de lidar com esta situação.

É o que posso lhe responder por hora.
 

Alprazolam (Frontal™), Clonazepam (Rivotril™), e Álcool

"boa noite, me desculpe a pergunta, é que não tive coragem de faze-la ao meu médico, tomo alprazolam 0,25 mg para controlar transtorno do pânico à mais ou menos 3 meses, o tratamento está dando bons resultados, as crises quase que desapareceram, ainda sinto a eminência de uma nova crise quase todo dia, mais ela não acontece, a questão é demora muito pra sarar de vez? o carnaval está chegando e eu gostaria de saber se posso tomar uma cervejinha ou não, se tem alguma reação grave por exemplo. Grata pela atenção, se possível responda por favor." (Tatuí - São Paulo)

 

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Bupropiona, Escitalopram e Fluoxetina. Efeitos Indesejáveis e Mudanças de Tratamento

ola dr q maravilha este seite principalmente pra mim q moro fora do Brasil.Olha gostaria de esclarecer algumas duvidas por favor me ajude eu tenho uma medica aqui ela e um amor de pessoua mais acho q ela esta deziformada e ela e a unica psiquiatra q eu conheço aqui q fala portugues por isso estou com ela eu falo ate bem alemao mais nesse caso me expresso melhor na minha lingua .....bom e o seguinte o pripeiro medico q eu fui quando comecei a passar mal disse q eu tinha toque com ataques de panico e me receitou lexapro e rivotril no começo foi horrivel mais depois fiquei bem so que depois de um ano parei a medicaçao depois voltei a passaar mal e muito pior voltei ao medico no Brasil e ele disse q eu era Bipolar me receitou uns remedios so que eu nao melhorei piorei ai fui na medica aqui na suiça que disse q nao sou bipolar q tenho e assiedade com a ataques de panico bom voltei a tomar lexapro so que dessa vez nao funcionou muito bem depois trocou pra fluoxetina q no começo foi otimo mais depois fui ficando mal dinovo sem contar q o desejo sexual desapareceu..agora trocou estou tomando Bupropiona 150 mg a uma semana mais continuo sentido pressao na cabeça coraçao acelerado alias parece q sinto toda a pulssaçao do meu corpo as vezes ate parece q o meu cerebro ta tremendo barulho na cabeça ou no ouvido nao sei dizer mais esse sintomas nao sao por causa da bupropiona dr pois antes eu ja sentia tudo isso e tinha ataques de panico horrivel e muita inssonia ...bom agora to tomando bupropiona e rivotril quando estou muito mal ou com inssonia obs a bupropiona tomo todos os dias 150mg....mais por favor dr o que vc acha q eu tenho e o que eu fa4o ou tomo pra acabar comessa aceleraçao no corpo e na cabeça? principalmente quando deito ai que piora as vezes ac! ho que tenho um coraçao tenho da cabeça...muito obrigada Jesus lhe abençoe por favor me ajude.... (Suíça)

 

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Medicamentos em Psiquiatria e Disfunções Sexuais (Diminuição da Libido, Anorgasmia e Disfunção Erétil)

Sou psicologo e trabalho no CAPS II ... Vou fazer um seminario para os pacientes sobre o tema Libido e Medicação e gostaria de saber mais sobre esse assunto. Os estudantes de Medicina da ... estão fazendo estágio no CAPS e acompanharao o seminario me ajudando na questão médica e suas especificidades. Gostaria que o Doutor me falasse um pouco sobre este tema. O seminário vai ser na sexta feira dia... (Paraná)

 

Com prazer atendo sua solicitação. Elaborei um artigo sobre o tema, buscando ser sucinto, com menção a tópicos que considero importantes e relevantes à questão. É um artigo com linguagem técnica que lhe disponibilizo. Caberá ao amigo fazer a adaptação em uma linguagem mais simples para a sua apresentação, se assim lhe parecer conveniente. É com o que posso, no momento, procurar colaborar, atendendo, com prazer, sua solicitação. Clique aqui para ler a sua resposta.

 
Olcadil (Cloxazolam)

Boa noite Dr. estou com uma dúvida, caso seja possível favor retornar. Tenho constantemente altas doses de ansiedade e fobia social, fui ai psiquiatra e ele receitou-me o exodus 10 mg diariamente e o olcadil 2 mg somente nos dias em que a ansiedade estiver maior. Minha dúvida é se o olcadil pode ser administrado dessa forma? Somente quando estiver em crise. Muito Obrigado. (Goiás).

 

O Olcadil® (Cloxazolam) é um medicamento ansiolítico pertencente à categoria dos Benzodiazepínicos (Diazepam, Clonazepam [Rivotril®], Lorazepam, etc.). Uma das vantagens dos Benzodiazepínicos é a flexibilidade da posologia. Diferentemente de outros medicamentos utilizados em Psiquiatria, podem ser tomados tanto de forma regular (tomada diária) bem como somente em momentos específicos, segundo orientação médica. Sendo assim, a resposta à sua indagação é sim.

 
Sertralina e Inibição da Libido

Estou me tratando com psiquiatra a algun tempo, tomava sertralina de 50, depois 60 depois 75, me queixei um pouco de não estar sentindo mais prazer em relações sexuais, pois era cobrada pelo meio marido. Ele receitou cloridrato de bupropiona de 150mg,já estou a mais de 2 semanas tomando, mas tive uma recaida . Um aperto no peito, tudo me fazia ter vontade de chorar, medo de morrer, aguentei o que pude, para minha filha não perceber, mas não aguentei e tive crise de choro direto, tive que tomar o rivotril sublingual de 0,25 para tentar me acalmar, fico gelada. Será que isso passará? Não aguento mais.Por favor me ajude.obrigada (Rio de Janeiro)

 

Esta resposta está relacionada à resposta anterior. Como já dito, dois dos efeitos indesejáveis mais comuns relacionados aos antidepressivos categorizados como Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRSs) - Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina, dentre outros - são o ganho de peso e o comprometimento da libido. Cabe aqui salientar que as apresentações desses efeitos indesejáveis dos ISRSs não seguem um padrão uniforme, ou seja, há pacientes para os quais estes efeitos são mais intensos e há os que sequer chegam a mencionar estas colateralidades indesejáveis relacionadas aos ISRSs.

A Bupropiona tem sido prescrita como alternativa terapêutica em diversos desses casos onde os ISRSs são a primeira escolha, todavia apresentam efeitos indesejáveis por vezes não tolerados pelo paciente. O mecanismo de ação da Bupropiona se relaciona à inibição da recaptação da Dopamina e da Noradrenalina, não tendo os mesmos efeitos indesejáveis dos ISRSs. Todavia, trata-se de um psicofármaco diferente e, em diversos casos, menos eficaz do que diversos ISRSs para o tratamento de transtornos psiquiátricos onde os ISRSs são a primeira escolha. Daí vermos, em algumas ocasiões, recorrência dos sintomas e até mesmo ineficácia relativa da Bupropiona para tratar esses referidos transtornos. Há diversos estudos comparativos entre estes fármacos que qualificam e que também quantificam suas respectivas eficácias terapêuticas.

Acontece que, além de medidas que podem ser tomadas frente ao comprometimento da libido por ISRSs, sem a necessidade de substituí-los por outro psicofármaco, existem outros tratamentos disponíveis para abordar os mesmos transtornos para os quais os ISRSs são eficazes.

Um bom diálogo com o psiquiatra responsável pelo tratamento pode resultar em uma mudança de abordagem do tratamento com maior sofisticação terapêutica a fim de tratar o quadro clínico em foco.

É o que posso lhe dizer dentro das limitações que um comentário como este exige.

Grato por seu contato.

 
Paroxetina e Libido

Dr, Meu esposo toma Cloridrato de Paroxetina e eu gostaria de saber por qto tempo ou se há previsao de perda de libido, pois somos casados há pouco tempo e se com o tempo a libido volta normalmente. Grata. (São Paulo)

Embora a Paroxetina seja um medicamento bastante eficaz no tratamento de transtornos psiquiátricos, ela está fortemente relacionada a dois efeitos indesejáveis muito frequentes: comprometimento da libido e ganho de peso. Em minha experiência profissional, nunca vi estes efeitos colaterais cederem completamente com o tempo. Ou seja, enquanto se utilizar a Paroxetina (e houver comprometimento da libido e/ou ganho de peso), estes efeitos indesejáveis tendem a permanecer, embora possa haver uma atenuação destes efeitos colaterais. Lembrando, todavia, que há pacientes que não experimentam estes efeitos colaterais de modo a necessitarem de interromper a medicação. O que, pelo que tenho observado, se constitui em uma minoria dos casos. Se os efeitos indesejáveis estiverem se constituindo em um problema importante, converse com o psiquiatra de seu marido e indague sobre alternativas de tratamento (a substituição da Paroxetina).

 
Lítio no Sangue

Gostaria de saber se existe fator hereditário para pessoas terem aumento ou diminuição da taxa de lítio no sangue. (Pernambuco)

Não. De modo sucinto, praticamente não há Lítio algum em nosso organismo, salvo traços que podem ser encontrados em alguns fluidos corporais (e cuja função é ainda pouco conhecida), algo que nada tem a ver com a administração do Carbonato de Lítio para fins de tratamento psiquiátrico. Como já dito em resposta anterior, dosar o Lítio em quem não faz uso dessa medicação é algo completamente inútil sob o ponto de vista psiquiátrico.

 
Fluoxetina e Ganho de Peso

Doutor gostaria de saber a dose ideal de fluoxetina para controlar a fome exagerada, sofro de disturbio bipolar tenho 167 e estou pesando 91kg. quero muito emagrecer mas n o consigo, sempre desisto.o médico me receitou fluoxetina,mas ainda não comecei.ele passou 2omg pela manhã e 20mg a noite.se fizer assim posso emagrecer? (Tocantins)

Os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRSs) que incluem a Fluoxetina, a Paroxetina, a Sertralina, dentre outros, estão todos eles associados a ganho de peso. Estima-se que, pelo menos, 30% dos pacientes que usam esses medicamentos têm ganho de peso considerável. Embora os ISRSs possam, no início do tratamento, cooperar para alguma modulação do apetite, em diversos casos eles terminam por levar ao efeito contrário de quem deseja perder peso. Embora a ciência ainda não tenha conseguido determinar com precisão o mecanismo pelo qual os ISRSs levam ao ganho de peso, esta tem sido uma queixa cada vez mais observada nos pacientes que os utilizam.

Mas, anime-se! Como Psiquiatra e Nutrólogo, lhe digo que existem diversos tratamentos atuais disponíveis para perda de peso (e que não incluem a Fluoxetina!)

 
Rivotril e Mudanças no Humor

Dr.Eduardo: meu marido passou por uma fase de sindrome  do panico hje controlada porem vem apresentando mudanças de humor que chegam as vezes a serem desagradaveis,sera  que o uso do rivotril pode influenciar nestas mudanças? gostaria de um esclarecimento,desde ja agradeço.atte.Carla.

 

O Rivotril® (Clonazepam) é um medicamento pertencente ao grupo dos Benzodiazepínicos, assim como o Diazepam, o Alprazolam, Cloxazolam, dentre outros. Embora pertençam à mesma classe de psicofármacos, cada um deles possui características bastante específicas e também efeitos distintos (desejáveis e indesejáveis). Dentre os efeitos indesejáveis, as alterações do humor e determinadas alterações cognitivas podem estar presentes, dependendo do Benzodiazepínico prescrito, dose, tempo de uso, associação com outros fármacos, dentre outros fatores.  O Diazepam e o Flunitrazepam, por exemplo, podem levar a casos de apatia que podem ser confundidos com episódios depressivos clássicos, quando não são eles próprios os desencadeadores de episódios depressivos.  

Embora os Benzodiazepínicos sejam medicamentos de elevada importância em psiquiatria e prescritos no mundo todo, cabe ao médico psiquiatra o domínio dos conhecimentos sobre a psicocinética e a psicodinâmica dessas drogas terapêuticas. Há meios de se amenizar estes efeitos indesejáveis, quando presentes, e necessidade de se avaliar a continuidade de seu uso e, não infrequentemente, realizar ajustes de doses. Respondendo, portanto,  a sua pergunta, sim, o Clonazepam pode causar alterações do humor. Todavia, somente uma avaliação minuciosa, e que possa excluir outras diversas possíveis causas para humor alterado, pode fornecer os meios para uma afirmação definitiva sobre estas alterações.

Importante lembrar que praticamente todos os medicamentos utilizados em Medicina (seja qual for a especialidade médica) possuem efeitos colaterais. Isto digo a fim de que não se fomentem preconceitos quanto aos medicamentos da psiquiatria, os quais têm podido não somente controlar muitas doenças psiquiátricas, como também têm melhorado dramaticamente a qualidade de vida de muitos portadores de transtornos psiquiátricos pelo mundo afora.

 

Transtornos Ansiosos, Fobia Social e Propranolol

Dr. Sofro de fobia social. Tenho um serio problema em falar em publico, só de pensar em participar de alguma reunião no trabalho fico nervoso tremendo muito, minha garganta fecha, não consigo raciocinar direito, ler em público então não dá de jeito nenhum. Fiquei sabendo de um medicamento chamado Propanolol que comecei a fazer uso há dois dias, deu para sentir uma diferencia. Nunca tive problemas se saúde acho que o medicamento não irá me fazer mal. Mas não quero usar o remédio para sempre, depois que comecei a tomar o medicamento, o tremor nas mãos passou e não fico mais com o meu coração acelerado, e tive mais confiança para conversar com as pessoas socialmente de boa olho no olho. Também né, sem parecer que o coração irá sair pela a boca fica mais fácil. Mas ainda não sei se teria coragem de encara uma faculdade sem ficar orando na sala o tempo todo. É engraçado mais é assim, e não quero mais viver nessa ansiedade, angustia. Por favor, me responda!!! Quais os efeitos do Propanolol? Que mal pode me fazer o remédio? O que o Senhor (a) sugeria? Desse já agradeço!!!!

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Medicamentos Químicos ou "Medicamentos Naturais"?

Boa tarde, estou com alguns sintomas a uns três anos e não consigo cura, como se eu tivesse falta de ar, amortece minhas mãos, fico inquieto e tenho medo que me de um trosso, sei lá isso tem me dado com frequencia e estou tomando fluoxetina mais não esta adiantando poderia me ajudar,eu não gostaria de tomar remedios quimicos e sim remedios naturais.

Pelo seu relato, trata-se de um quadro de sinais e sintomas que requer atenção e tratamento pela Psiquiatria. Sobre se seu tratamento deverá ser feito com o uso de medicação, somente com psicoterapia ou com a combinação de ambos, isto só poderá ser decidido mediante uma avaliação psiquiátrica. Todavia, aqui cabe uma importante observação sobre os chamados medicamentos naturais, informação esta que muitos ignoram:

Ao longo de toda a história da medicina, os medicamentos utilizados para tratar doenças sempre vieram da natureza. Com o desenvolvimento das tecnologias modernas de síntese de moléculas de medicamentos em laboratório, passou-se a uma visão dicotomizante e ilusória onde existiria uma suposta divisão entre “medicamentos químicos” e “medicamentos naturais”. Esta divisão é ilusória e carece de fundamentação científica, pois todos os medicamentos, sejam os industrializados ou os chamados “naturais” são medicamentos químicos. Toda ação medicamentosa é química, salvo nos casos de efeito placebo.

Outro equívoco frequente é o de se supor que os ditos “medicamentos naturais” não possuem efeitos colaterais e seriam mais seguros. Esta afirmação é falsa, pois determinados remédios chamados de “naturais” podem, dependendo do caso, intoxicar e até matar.

A atual popularidade de determinados tratamentos com “ervas naturais” tem sua origem na China, onde essa prática é comum, muito mais pela miséria em que vive a maioria do povo chinês, alienada de tratamentos médicos de qualidade, do que por seus efeitos terapêuticos.

Dois estudos recentes realizados pela Associação Americana de Oncologia e pelo Departamento de Saúde da Califórnia demonstraram que diversas ervas utilizadas pela chamada medicina de ervas chinesas podem ser bastante tóxicas e danosas ao corpo humano. Após terem sido testadas diversas dessas ervas “naturais”, verificou-se que um terço delas estava impregnado com traços de medicamentos industrializados e também com produtos tóxicos como o chumbo e o arsênico. Além de ter sido verificada a presença de agrotóxicos em diversas dessas “ervas naturais”. Essas substâncias tóxicas presentes nos chamados “remédios naturais” possuem o potencial de causar severas intoxicações, alergias graves, fotossensibilização, insuficiência renal e até a morte por falência renal.

 

Mais de uma Doença Psiquiátrica e o Uso de Mais de um Medicamento

Sou formada em psicologia e aprendi na faculdade que um paciente não deve ser medicado para neurose e psicose ao mesmo tempo. Meu irmao toma há mais de 15 anos remedios para disturbio do panico e TOC. Agora o psiquiatra dele receitou um antipsicotico por conta de uns eventos que aconteceram e ele quer investigar se pode ser uma manifestação psicotica ou não. Minha pergunta é, isso é possivel? Ou tomando 2 medicamentos para disturbios tao distintos nao pode piorar a situação?

 

O termo neurose, além de se revestir de importante inespecificidade, cai em desuso à medida que o tempo passa e se vão sofisticando os diagnósticos em Psiquiatria. Também o termo Psicose é inespecífico, visto que "comportamentos psicóticos" carecem da especificação psicopatológica e etiopatogênica do transtorno que pode estar ocasionando tais comportamentos.

O Transtorno de pânico (ansiedade paroxística episódica) pertence à categoria dos Transtornos de Ansiedades e o Transtorno Obsessivo Compulsivo é ainda, por alguns, chamado de Neurose Obsessivo Compulsiva, e ambos os transtornos mencionados estão agrupados na CID como Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o "stress" e transtornos somatoformes. Todavia, reitero o que disse sobre o termo neurose.

Para uma visão técnica mais específica sobre a categorização e sobre as manifestações clínicas destes transtornos, e também sobre as abrangências das categorias diagnósticas onde o termo psicose pode ser empregado é necessário um sólido conhecimento em Psicopatologia, e abordar pormenorizadamente este assunto nesta seção fugiria aos objetivos deste segmento do site.

O que importa em seu caso relatado é a correta determinação do diagnóstico do paciente em questão, o que pode, se for o caso, envolver a presença de mais de um transtorno psiquiátrico (comorbidade). Há pacientes que possuem dois, três, ou até mais transtornos, o que pode, sim, justificar a psicofarmacoterapia com o uso de mais de um psicofármaco. Caberá ao psiquiatra optar pela decisão terapêutica mais adequada ao paciente, preferencialmente esclarecendo ao paciente (e, se necessário, também aos familiares) sobre os principais aspectos envolvidos no diagnóstico e no tratamento proposto.

 

Dosagem Sérica de Carbonato de Lítio e de Serotonina

Todos os medicamentos que se toma como estabilizadores do humor precisam ser dosados no sangue? E a serotonina? Também precisa ser dosada no sangue? Se a pessoa está com a serotonina baixa, isso significa que ela pode ter depressão?

 

Na realidade não! Não são todos os estabilizadores do humor que necessitam de dosagem sérica (exame de sangue) para o controle do medicamento no sangue. A cada dia que passa surgem estabilizadores do humor mais e mais eficazes como alguns pertencentes à categoria dos antiepilépticos mais recentes e dos antipsicóticos atípicos (alguns destes também recentes). A situação do Carbonato de Lítio é bastante específica, pois trata-se de um medicamento com potenciais efeitos colaterais importantes e que podem (e devem) ser evitados a todo custo pelo monitoramento da dosagem sérica (exame de sangue) do Lítio e pela observação e acompanhamento médico. Também esta dosagem sérica é realizada a fim de que se possa observar e avaliar a chamada dose terapêutica adequada, ou seja: Se o Carbonato de Lítio estiver muito abaixo do seu nível terapêutico pode não produzir os efeitos desejados. Por outro lado, se estiver excessivamente elevado o seu nível no sangue, pode ocasionar efeitos colaterais potencialmente perigosos, como o comprometimento renal, por exemplo. Todavia, convém lembrar que há diversos casos onde o Carbonato de Lítio se encontra abaixo do que é considerado seu nível terapêutico, mas seu efeito se faz presente. Logo, a dosagem do Lítio (Litemia) não é o único meio a fim de se avaliar a eficácia desta medicação. Outro estabilizador que deve ser dosado em diversas situações é a Carbamazepina (um antiepiléptico utilizado também como estabilizador do humor). A Carbamazepina pode produzir Leucopenia (baixa das células de defesa do organismo) dependendo da dosagem e da pessoa que está recebendo a medicação. Há ainda outras situações em que a Carbamazepina deve ser dosada no sangue. Porém isto não é uma regra matemática.

Há diversos outros estabilizadores do humor (a maioria pertencente à classe dos antiepilépticos e dos antipsicóticos atípicos) os quais não necessitam de monitoramento sanguíneo frequente. Em alguns casos a dosagem sérica deles nunca é necessária. Todavia, a decisão cabe ao médico psiquiatra que os prescreveu, sendo importante esclarecer todas as dúvidas ao paciente, pois muitas bulas de remédios podem confundir. Outro equívoco é o de se dosar o Lítio em quem não toma Carbonato de Lítio. Quem não toma Carbonato de Lítio não precisa de dosagem sérica (sangue) de Lítio. O Lítio é produto de uma pedra que se chama Petalita, é só pode estar elevado no organismo se a pessoa estiver recebendo tratamento com Carbonato de Lítio. Aliás, Lítio vem de Lithus, que em Grego significa Pedra.

Sobre a dosagem de Serotonina sérica (sangue), não há embasamento científico que sustente este tipo de abordagem terapêutica. Ou seja, pelos dados de que dispõem a literatura científica atual em Psiquiatria, não se justifica a dosagem de Serotonina com fins a estabelecer alguma relação com quadros depressivos.

Dosar o Lítio em quem não toma esse medicamento e dosar Serotonina para avaliar quadros depressivos são medidas inúteis sob o ponto de vista Psiquiátrico.

 
Revisão de Medicamentos e de Dosagens ao longo do Tratamento Psiquiátrico

Boa noite,minha mãe tem 64anos,tem depressão e toma carbamazepina 200mg,3 vezes ao dia,clopromaz 100mg,e aldol 5mg,ela tinha crises de nervo,choro,mas não sofre de ataque.Tem uma historia de vida bem complicada,e hoje ela so conversa se quiser,ou se alguem dirige a palavra a ela,responde o necessario ,as atividades domesticas nao tem vontade de fazer,reclama de dor de cabeça no final da tarde, realmente ela parece um robosinho,faz tudo automatico.Gostaria de saber que atitude devo tomar, e se precisa rever suas medicamentos com um especialista.Obrigado!

Uma das principais características da Psiquiatria é o fato desta especialidade médica lidar com doenças em sua maioria crônicas. Um dado antibiótico pode ser eficaz no tratamento de determinada infecção. Terminada a infecção, o antibiótico já não é mais necessário. Porém, quando se tratam de transtornos psiquiátricos crônicos (alguns duram pelo resto da vida, mesmo a despeito de grandes melhoras com a instituição do tratamento adequado), nosso organismo pode apresentar variações surpreendentes e também inesperadas em relação a esta ou àquela medicação. Por esta razão as medicações devem ser sempre revistas. Não somente as dosagens e as, muitas vezes necessárias, combinações de psicofármacos, mas também os efeitos que esses medicamentos estão exercendo sobre o fígado e os rins (os quais potencialmente podem sofrer algumas consequências devido às medicações). Também os ajustes de doses e a retirada deste ou daquele fármaco durante o tratamento precisam ser avaliados periodicamente. E, por fim, o envelhecimento é um dos principais motivos por causa do qual doses de medicamentos devem ser reavaliadas e alguns medicamentos até mesmo suspensos (ou trocados), pois à medida em que os anos avançam, nossa capacidade em metabolizar os medicamentos tende a ficar alterada.

A doença que você menciona (Depressão) e os medicamentos a que você faz referência são objetos de atenção da Psiquiatria.

 
Esquizofrenia - Semap - Outros Antipsicóticos

Tive esquizofrenia aos 18 anos e hoje levo uma vida normal (trabalho e sou casado) .Trabalho desde os 30 anos e tomo uma dose de semap de 10 mg /semana (meio comprimido por semana). Acontece que este medicamento parou de fabricar e o médico me receitou 1 mg de risperidona e não me senti bem . tive insônia, agitação e nervosismo . existe medicamentos como menos efeitos colaterais que posso tomar, sem ser a risperidona ? obrigado .

De fato, a produção do psicofármaco Semap (Penfluridol) foi descontinuada desde 2009 pelo Laboratório JANSSEN-CILAG. Todavia, existem diversos outros medicamentos pertencentes à mesma categoria do Semap (um antipsicótico) com menos efeitos colaterais do que este último. O Penfluridol (Semap) possuía o potencial de ocasionar diversos efeitos colaterais, dentre eles a Acatisia e a Discinesia tardia. Sobre a Risperidona, embora seja um excelente antipsicótico, há alguns efeitos colaterais que podem se manifestar no início, e/ou ao longo do tratamento, como ganho de peso, por exemplo. Embora em nem todos os casos da mesma forma. Possuo diversos pacientes que fazem uso da Risperidona sem grandes problemas. Porém, existem medidas muito específicas a serem tomadas pelo Psiquiatra na introdução deste medicamento. Mas em não havendo uma resposta satisfatória à Risperidona, ou efeitos indesejáveis, mesmo que a introdução do medicamento tenha sido feita de modo correto e mantida a posologia adequada, há diversas outras opções de tratamento para quem necessita de fazer uso de antipsicótico. Algumas destas opções podem ser significativamente superiores à Risperidona. Acredito que seu Psiquiatra deva estar a par destes fatos.

 
Homeopatia, Acupuntura, Tai-Chi

Caro Dr. Eduardo Adnet, Eu moro em Amsterdam ja ha 20 anos, local onde tenho dificuldade de encontrar profissionais competentes na area da saude, tanto fisica como mental. Sou casado com um holandez que tem sintomas de bipolaridade. Ele tem 54 anos e gostaria se possivel que o senhor me indicasse algum medico em Amsterdam.  O senhor acredita que pode-se tratar bipolaridade com homeopatia? Acupuntura? Fazendo Tai-Chi? Minha grande dificuldade eh que quando ele esta euforico, ele nao me ouve, e quando deprimido tento poupa-lo de qq. disconforto. Vivo com ele ja ha 13anos e sofro muito com ele, pois eu tambem tenho uma tendencia a depressao... Por favor nos ajude.

 

Prezado amigo,

Embora eu já tenha exercido a medicina na Europa, não conheço nenhum psiquiatra que eu pudesse lhe indicar na Holanda. Meus contatos com colegas de profissão em continente europeu se restringem à Áustria, Alemanha e Portugal.

Ter “sintomas de Bipolaridade”, como você escreveu, não é a mesma coisa que ser portador do Transtorno do Humor Bipolar. Nesse caso, somente uma avaliação psiquiátrica poderia conferir precisão diagnóstica com fins de orientação terapêutica, evidentemente.

Sobre terapias com Homeopatia, Acupuntura ou Tai-Chi, em nossa experiência profissional jamais detectamos qualquer benefício para o tratamento de transtornos psiquiátricos com essas modalidades de tratamento (ou abordagens terapêuticas). Se tais práticas são benéficas, cabe aos profissionais que as executam comprovar sua eficácia junto à comunidade científica internacional. Todavia, como já dito, nunca observamos benefício algum por parte dessas terapias (Homeopatia, Acupuntura ou Tai-Chi) em nossa vivência profissional. Meus respeitos aos profissionais que as exercem, mas não recomendamos tais modalidades de tratamento aos nossos pacientes, direito que nos cabe de modo legítimo e legal.

O caso por você relatado envolve diversos aspectos e variantes que podem influenciar no quadro. Infelizmente não há muito mais o que eu possa comentar, pois as informações são insuficientes.

É o que posso lhe adiantar por hora.

 

Grato por seu contato!

 

Tempo Necessário para a Eliminação do Carbonato de Lítio do Organismo, após Interrupção do Tratamento

Quanto tempo para o litio sair do corpo, apos ter tomado por 30 dias?

 

O Carbonato de Lítio é eliminado principalmente através da urina com insignificante eliminação pelas fezes. A meia vida de eliminação do lítio é de aproximadamente 24 horas. Pode ser necessário um período de até 2 semanas até que o Lítio seja eliminado do organismo, após a suspensão do tratamento com esse medicamento. Salvo se houver alguma doença do aparelho urinário limitadora de eliminação do Lítio (Insuficiência Renal). A quantidade de Lítio no sangue pode ser facilmente determinada pela dosagem de Lítio no sangue (apenas para quem faz tratamento com Carbonato de Lítio), um exame conhecido por Litemia. A realização de Litemia é inútil para quem não faz tratamento com Lítio.

 
Fluoxetina, Sintomas Presentes, Tempo de Tratamento

A minha duvida é quanto ao uso da fluoxetina !!! De Janeiro de 2009 até fevereiro desse ano eu usei essa medicaçao. hj é dia 15 de abril e vai fazer quase três meses ki nao uso remedio nenhum. eu usava para depressão e ansiedade!!! só ki agora ando sentindo uns sintomas, como mãos e pés suando Frio, vertigem, aceleração no coração, nervosismo, ansiedade, sonolência, fraqueza, contração muscular involuntária e etc.... pq ano sentindo essas reações se faz um bom tempo ki nao uso mais esse remedio???? será que foi pq eu parei de vez, sem ser gradativamente reduzindo a dose aos poucos???? esses sintomas vão sumir ???? estou muito preocupado, e por conta disso estou parado, sem estudar, sem trabalhar e ando meio distantes de meus amigos......... espero uma resposta ! Abraço doutor , fik com Deus.

 

Prezado amigo, o simples fato de você citar que fazia uso de Fluoxetina para Depressão e Ansiedade, elencar tantos sintomas que você alega estarem presentes, relatar que interrompeu a medicação de forma abrupta, sugere que o seu tratamento não foi completado de forma adequada. Os tratamentos medicamentosos em Psiquiatria devem ser instituídos de modo gradativo, com acompanhamento criterioso pelo Psiquiatra, e, quando for o caso, a medicação deve ser retirada, na hora certa, também de forma gradativa, regular e supervisionada. Não são incomuns as situações onde seja pela falta de adesão do paciente ao tratamento, por indisciplina, por precipitação em interromper a medicação, por dificuldades para se conseguir uma consulta com a Psiquiatria (serviço público), e até, em alguns casos, tratamentos deficientemente conduzidos por médicos que não são especialistas em Psiquiatria, podem conduzir a resultados como o relatado por você. Aliás, você não menciona se foi ou não tratado por um Psiquiatra.

Caso lhe pareça conveniente procurar um médico psiquiatra, procure esclarecer com ele todas as suas dúvidas sobre o seu diagnóstico, sobre a medicação prescrita, sobre o tempo presumido de tratamento, enfim, procure não permitir que fiquem dúvidas. Há casos em que a preocupação em não melhorar, impressões e interpretações equivocadas sobre o que se está sentindo, atenção indevida dada a opinião de pessoas leigas, apreensão sobre possíveis efeitos da medicação e informações truncadas sobre o diagnóstico podem ser piores do que a própria doença em si. É o que posso lhe dizer por hora.

Grato por seu contato!

 
Transtorno Bipolar e Lamotrigina

O uso de lamotragina é efetivo em quais casos do trasntorno bipolar? Aproveitando a oportunidade, minha namorada tem transtorno bipolar e faz o tratamento com lamotragina, porém não está apresentando melhoras significativas, gostaria de saber se o senhor atende pelo plano UNIMED para termos uma segunda opinião e quem sabe iniciar uma psicoterapia. Obrigado!

A Lamotrigina é, por definição, uma droga antiepiléptica. Todavia, assim como também acontece com determinados outros medicamentos antiepilépticos, a Lamotrigina tem sido usada em Psiquiatria para quadros psiquiátricos onde haja a necessidade de ser administrado um estabilizador do humor (como no Transtorno do Humor Bipolar, por exemplo). Em nossa experiência profissional, não costumamos utilizar este medicamento com grande frequência em razão de considerarmos outros psicofármacos bem mais eficazes do que a Lamotrigina quando se trata de estabilização do humor. Sobre a UNIMED, não atendemos por este convênio.

 

                 Médico Psiquiatra

 

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