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Tire suas Dúvidas sobre Psiquiatria

 

Dr Eduardo Adnet - Médico Psiquiatra

Especialista Titulado Pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira

 

Gratos por sua visita!

Desde que publicamos esta seção no site, temos recebido diversos emails com diferentes dúvidas e questionamentos sobre Transtornos Psiquiátricos, medicamentos, dentre outros assuntos relacionados com a Psiquiatria. Devido à importância de vários dos temas mencionados por nossos visitantes, gostaríamos de solicitar que, ao final de cada mensagem, a pessoa que nos enviar um email coloque, em baixo na mensagem, a autorização para que publiquemos aqui suas dúvidas. E isto para que outros também possam se beneficiar. Evidentemente, não divulgaremos nem o nome e nem o email do visitante, apenas as perguntas.

 

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Por normatização do Conselho Federal de Medicina, Não são Permitidas Consultas Online, mas apenas esclarecimentos de dúvidas de caráter genérico com vistas a utilidades informativas. Para situações que envolvam demasiada especificidade pessoal na pergunta, não há como substituir a consulta com o médico psiquiatra.

 

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Devido ao grande volume de emails que recebo, passei agora a agrupar as perguntas por assuntos e tópicos, a fim de facilitar a navegação no site. Eis os agrupamentos de perguntas, até o momento. Os demais assuntos continuarão nesta página até posterior agrupamento por assunto.

 

   Médico Psiquiatra e Nutrólogo

 

TÓPICOS E ASSUNTOS - CLIQUE NO TÓPICO DESEJADO
Transtorno Bipolar Medicamentos em Psiquiatria Perícias, INSS

  Homossexualidade

Transtorno Obsessivo Compulsivo

Transtornos da Alimentação

 

Perguntas ainda não Agrupadas por Tópicos

 
Psiquiatria, Neurologia, Tratamentos

Olá, Eu tenho 29 anos e faço mestrado. Eu sempre fui bem na gradução, tive boas notas e tinha atenção quando eu queria e sabia direcionar minha atenção para a leitura de um livro por longos periodos de tempo. Para entrar no mestrado, cheguei a estudar por quase 2 anos, 8 a 12h por dia, segunda a segunda. Quando entrei no mestrado, eu comecei a ter dificuldades no aprendizado com o tempo, e dificuldade de atenção. Fui mal no primeiro ano de mestrado, reprovando algumas matérias que me deixaram um pouco desanimado. As disciplinas que eu mais gosto, eu tive um mau desempenho relativo aos demais da turma. Cada vez está mais difícil de estudar, principalmente em casa, que me distraio facilmente com internet, jogos do pc, filmes, seriados, etc... Além disso sinto dores de cabeça quando eu fico em casa, não sei se é por estar bravo por não conseguir estudar. Eu tenho desvio de sépto nasal a mais de 7 anos, mas eu percebi que a sinusite "ataca" quando eu estou nervoso. Eu gostaria de saber se devo procurar um psiquiatra? Em geral, quando dura e quando custa um tratamento? Tratamento é por medicamentos ou conversar com um psiquiatra? Grato pela atenção.

 

Prezado amigo, dificuldade na atenção, distratibilidade e prejuízo progressivo do desempenho das funções cognitivas e intelectivas podem sugerir tanto um transtorno psiquiátrico como um transtorno neurológico. Embora a Psiquiatria e a Neurologia sejam especialidades médicas primas, convém lembrar que o funcionamento da psiquê (mente) passa pelo bom funcionamento do aparelho neurológico encefálico (cérebro, tronco cerebral e cerebelo). Uma das funções precípuas da Neurologia é avaliar a integridade física e funcional do Sistema Nervoso Central (Encéfalo e Medula Espinhal). Uma vez certificados de que o SNC se encontra hígido (saudável), o que se tem a fazer (em casos como o seu) é buscar a Psiquiatria, esta especialista em detectar disfunções diversas relacionadas ao desempenho das expressões do SNC, da psiquê e do comportamento, o que inclui as funções cognitivas e intelectivas.

Sendo assim, a sequência da investigação clínica se torna coerente: Neurologia > Psiquiatria.

Sobre os tratamentos psiquiátricos, é importante que não se faça confusão com os tratamentos executados pela psicologia, que não é uma especialidade médica, mas é uma cadeira cujas origens se encontram na Filosofia. A Psiquiatria é uma ciência médica, a Psicologia é uma ciência humana. Cada uma tem o seu lugar bem delimitado.

Quanto a nós, psiquiatras, podemos lançar mão de tratamentos estritamente psicoterápicos (sem uso de medicação), estritamente psicofarmacoterápicos (com medicação), e o que é mais frequente, uma combinação de ambos.

Sobre os custos do tratamento, o que posso lhe dizer é que se há um território na existência onde o barato pode sair muito caro, esse território é o da saúde. Não há como viajar para Londres em um belo e confortável Boeing pagando-se o preço de uma passagem doméstica de ônibus interestadual. Os investimentos para uma formação médica sofisticada e especializada são muito elevados. Todavia, de modo geral, os tratamentos pagos em Psiquiatria são acessíveis a uma grande parcela da população. Já sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre uma importante parcela do segmento dos planos de saúde, posso lhe afirmar, com meus 21 anos de atividade médica, que a realidade é muito mais precária do que muitos supõem.

É o que posso lhe dizer por hora. Grato por seu contato!

 
Irritabilidade II

Boa tarde, Gostaria de saber sua opinião a respeito de um problema que tenho desde criança. Eu não suporto ouvir pessoas fazendo barulho com a boca. Por ex. barulho ao comer, mascar chicletes, etc. Antes brigavam comigo achando que era implicancia com meus irmaos, coisa de criança. Mas com o passar dos anos sinto que nao consigo controlar a irritacao, e atrapalha muito minha vida. Eu tento nao prestar atencao, mas nao consigo. No local de trabalho, viagens, almocos em familia. As pessoas nao entendem e ficam bravas comigo. Eu gostaria de saber se é um problema mesmo, se tem tratamento, e se sou meio maluca.Obrigada, (Paraná)

 

Embora já exista uma resposta anterior (nesta mesma página) onde comento sobre a irritabilidade (por isso o título Irritabilidade II), torno ao assunto.

A irritabilidade é uma queixa bastante frequente nas consultas psiquiátricas. Há casos onde a irritabilidade é consequência de um transtorno psiquiátrico ou neurológico autêntico (são diversas as situações onde isto pode ocorrer), mas pode também se tratar de uma resposta fisiológica normal, mesmo que sua intensidade possa ser até mesmo exuberante em alguns casos. Além das possibilidades anteriormente citadas, quadros de irritabilidade frequente podem estar associados a conflitos e a inquietações internas (no ambiente intrapsíquico) e podem ser apenas uma dentre diversas outras manifestações clínicas que o paciente pode nem sequer estar percebendo. Incômodos com sons de deglutição, mastigação, odores, volume de voz, dentre outros, podem estar sendo simples fatores desencadeantes de um problema latente ou já francamente manifesto. A avaliação psiquiátrica pode esclarecer a questão.

 
Amor e Devoção à Bíblia

Dr. minha mulher teve um medo de ir para rua do tralho que desenvolve, e neste momento conheceu gente da igreja envangelica, que deu um apoio ,a partir dai so a biblia existe, tudo é a biblia, que tipo de doenca e esta? realmente parece uma lavagem celebral, mais o importante é que a mesma e psicologa. Uma mudanca radical em 3 meses. o que é isto, ja que a mesma deveria ter um conhecimento de causa. agradeco pela ajuda. (Santa Catarina)

 

Prezado amigo, pessoalmente, sou um homem que lida com ciência em meu dia a dia. Prezo a leitura bíblica e o conhecimento das Escrituras Sagradas. Há, sim, que haver moderação em todo comportamento. Todavia, não conheço ninguém que tenha jamais adoecido por conhecer a Palavra de Deus, a Bíblia.

Grato por seu contato!

 
Agressão e Tratamento Psiquiátrico

Meu marido vem apresentando um comportamento estranho e ultimamente do nada ,por causa de uma sinples conversa me agrediu com uma faca quase me atingindo. estou sem saber como começar o tramento com ele. obrigada .beijos (São Paulo)


Prezada Sra, ninguém é obrigado a se submeter a tratamento algum sem que o indivíduo deseje, salvo em determinados casos onde a justiça assim o determine. Todavia, quando o comportamento de uma pessoa portadora de algum transtorno psiquiátrico traz riscos a ela ou a terceiros, como nos casos de agressão ou de ameaça de agressão, por exemplo, a medida a ser tomada é solicitar a presença da polícia. Após isto, deverá ser acionado um serviço de remoção especializado (em algumas situações o SAMU pode ser acionado) e o indivíduo encaminhado a um hospital para avaliação. Pode também ocorrer que o indivíduo seja levado a uma delegacia de polícia e o delegado deverá ser informado pela família sobre a possível existência de um transtorno mental em curso. Nesse caso, provavelmente ele encaminhará o paciente a um hospital ou pronto-socorro. Após isto, o correto é que um Psiquiatra seja chamado e avalie o paciente. Após isto tomará sua decisão quanto ao tratamento indicado ao paciente. Deverá ser feito um Boletim de Ocorrência (BO) e caberá ao delegado a decisão sobre a abertura de um inquérito policial. Passados outros trâmites, o caso chegará a um juiz de primeira instância. Este, frequentemente nesses casos, solicita uma perícia psiquiátrica a fim de se inteirar sobre o estado de saúde mental do examinando. Após isto, o juiz tomará sua decisão, o que pode, inclusive, incluir a decisão de determinar uma internação compulsória.

Melhor seria, entretanto, que nada destas coisas necessitasse ocorrer. Portanto, se seu marido possui algum médico de sua confiança (um cardiologista ou clínico geral, por exemplo), este deverá ser procurado pela família e informado sobre essas mudanças de comportamento. O médico, então, encaminhará o paciente a um psiquiatra e ele avaliará o paciente. De qualquer modo é necessário agir o quanto antes!

 
Insônia, Expectativa e Apreensão
olha doutor ha 15 anos perdir minha mae e avó no mesmo dia,,depois disso minha vida se transformou ,,tenho medo de tudo,nao deixo meus filhos irem a canto algum sem m89m!!se o telefone toca quando eles estao no colegio só falto morrer achando que é alguma nocia ruim,,marco medico mais eles nao querem me passar um ante depressivo,,acordo umas 5 vezes na noite,,tenho insonia,,e sou muito nervosa,,tudo me stressa,fico me tremendo quando tomo susto,,em fim me ajuda por favor,,,um imenso abraço e desde já obrigada!! Deus abençõe vc e toda sua familia!!!

Uma das funções principais dos médicos é agir, o quanto antes, a fim de aliviar a dor e o sofrimento dos pacientes. Em mais de duas décadas de exercício da minha profissão, nunca jamais me esqueci do lema áureo da medicina: “Curar, se possível, aliviar sempre!”

Diante de um relato como o seu, sinceramente me é difícil compreender essa aparente relutância em lhe aliviarem o sofrimento lançando mão do poderoso arsenal psicofarmacoterapêutico (os medicamentos da psiquiatria) de que hoje dispomos. Ter medo de tudo, uma preocupação angustiante com algo que possa ocorrer com os filhos, transtorno do sono, enfim, são sinais e sintomas os quais, na minha visão, justificam um tratamento que lhe possa aliviar, e, se possível, curar definitivamente. Sem lhe conhecer, não há nada que eu possa lhe indicar, até porque pode haver algo em sua história clínica que possa, aos olhos dos colegas médicos que você procurou, lhes ser motivo para não lhe medicar. Procure não se fixar em nenhuma categoria de medicamentos (antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores do humor, dentre outros) uma vez que os recursos terapêuticos são muitos e muita coisa em psiquiatria não se trata com antidepressivos.

Um detalhe, porém, embora eu não saiba quem são os colegas que lhe atenderam: Por vezes, médicos que não são especialistas em psiquiatria podem sentir-se desconfortáveis ao se moverem em um território que não dominam, o que é compreensivo. Não há, nesse seu caso, como não lhe sugerir que procure um psiquiatra.

Ainda que opte o psiquiatra por um tratamento psicoterapêutico (sem medicamentos), se não houver melhora, há que se atentar para o fato de que muitas publicações de conhecida credibilidade da psiquiatria apontam diversas vantagens na combinação psicofarmacoterapia (medicamentos) associados à psicoterapia (o tratamento sem medicamentos).

É o que posso comentar sobre seu caso dentro das limitações presentes.

Que Deus abençoe você e sua família também!

 
Expressão de Sinais e Sintomas e Aparente Negação da Doença. O que Fazer?

Olá Doutor, Meus parabéns pelo site! Uma situação bem delicada vem acontecendo em minha casa. Minha mãe, de uns dois anos para cá, vem apresentando diversos sintomas de algum distúrbio mental, o que inclusive contribuiu fortemente para o de um relacionamento casamento de mais de 25 anos. Grosseiramente falando, os principais sintomas percebidos por nós são: irritabilidade excessiva sem motivo aparente; agitação; decisões de risco, como chegar frequentemente muito atrasada nos locais por \"prazer\", inclusive assumindo que sente necessidade; invensão de determinados acontecimentos, sendo que em alguns casos não há mais como convencer que está equivocada. Quando aos momentos depressivos, é fácil destacar mudanças nos hábitos de sono, incapacidade de concentração, preguiça em excesso, etc.. Bom, o que mais incomoda, é que grande parte dos excessos são cometidos em casa, o que está tornando a convivência insuportável. Não se pode nem tocar no assunto de psiquiatra que gera extrema irritação, e ela vem se tratando com o mesmo psicólogo há anos, sem sucesso. Gostaria de saber se há uma boa forma de convencer ela a se tratar, ou se não, se seria ético eu marcar uma consulta para conhecer o psicólogo dela, ou quem sabe eu mesmo ir a um psiquiatra... O que o senhor recomendaria? Lembrando que simples conversas estão desencadeanto ataques de raiva violentos..

 

Prezado amigo, o caso por você relatado é interessante sob o aspecto clínico e importante no que diz respeito aos sentimentos de "imobilidade" diante de um parente psiquiatricamente adoecido. Importante salientar que vivemos debaixo de um corpo de leis que asseguram a autonomia do indivíduo, e isto inclui a situação dos portadores de transtornos mentais.

Seu relato sobre sua mãe é um relato rico de sinais e de sintomas que sugerem adoecimento. Todavia, não se pode, simplesmente, obrigar alguém a se tratar, caso a pessoa não deseje. Salvo onde a própria vida possa ser colocada em risco, e/ou a vida de terceiros.
Recentemente, um rapaz da sua idade me procurou no consultório relatando que sua mãe, todas as noites, cobria as janelas, as portas e todos os locais por onde pudesse penetrar luz. Ela colocava almofadas, travesseiros e até a tábua de passar roupas a fim de evitar a luz da manhã. Segundo dizia (a paciente), caso a luz penetrasse casa adentro, a luz acionaria mecanismos eletrônicos em seu cérebro e chips internos, os quais lhe traziam confusões à cabeça. Durante o dia, essa senhora se comportava normalmente, falava com desenvoltura com as pessoas à volta, trabalhava e não acreditava, de modo nenhum, estar doente. Seu filho (o que me procurou) relatou já não mais suportar aquele quadro e me solicitou orientações de como proceder.
O que fiz foi combinar uma visita a domicílio a fim de que eu pudesse avaliar sua mãe. Nada de constrangimentos, imposições ou violações dos direitos legais da paciente, pois é justamente nessas horas que a família se apresenta como a principal e mais importante cuidadora de um familiar adoecido.

Mesmo para determinadas pessoas portadoras de transtornos mentais algo severos, bucar o auxílio de um psicólogo seria como que algo mais light, ao passo que a busca por um psiquiatra pode trazer consigo o temor de um diagnótico psicopatológico e a consequente necessidade de se iniciar tratamento com medicação psiquiátrica. Muitos pacientes possuem uma consciência apenas parcial de seu adoecimento, e algumas delas temem o confronto com a doença mental.
Embora o caso relatado acima seja bastante diferente do seu relato, penso que procurar um psiquiatra e conversar com ele sobre o que está se passando é a melhor medida a tomar em situações como estas.

 
Esquizofrenia tem Cura?

Minha irmã de 46 anos, teve a principio diagnotico de depressão grave (F32.3) posteriormente o quadro evoluiu e pelos seus sintomas (ouvia vozes, ideias suicidas e mania de perseguição). A médica entedeu que os sintomas sugeria esquizofrenia (F20.0). Já esta há quse 4 anos em tratamento minha dúvida é. A depressão grave pode evoluir para esquizofrenia paranoide? Pode se confundir depresão grave com esquizofrenia? Esquizofrenia tem cura?

 

Respostas:

A Depressão Grave pode evoluir para Esquizofrenia Paranóide?

Não. Transtornos Depressivos graves, isoladamente, são doenças distintas da Esquizofrenia Paranóide.

 

Pode se confundir Depressão Grave com Esquizofrenia?

Mui dificilmente. Não vejo como um Psiquiatra experimentado possa fazer essa confusão. Todavia, nem sempre é possível aos psiquiatras darem um diagnóstico definitivo já na primeira avaliação. Salvo em determinados casos de transtornos psiquiátricos leves e simples. Já o diagnóstico de Esquizofrenia, embora possa, em diversos casos, ser dado já na primeira avaliação psiquiátrica, isto não se constitui em uma regra.

 

Esquizofrenia tem cura?

Embora não haja consenso sobre este ponto específico, o grande corpo de volume de informações hoje disponíveis aponta para o fato de que ainda não existe cura para a Esquizofrenia. Embora muitos pacientes, quando adequadamente tratados, possam viver uma vida com qualidade, produzirem, estudarem e, enfim, ser felizes e completamente inseridos em um contexto social, laboral e familiar bastante satisfatórios.

 
Depressão, Síndrome do Pânico ou Transtorno Bipolar?

Boa tarde. Meu nome é Larissa, e eu tenho 18 anos. Consigo passar da euforia pra depressao em SEGUNDOS.. tenho crises de choro, aperto no peito, coração acelera, angústia,pânico, pensamento acelerado entre outras coisas. Pode ser bipolaridade, sindrome do panico, depressao, ou os 3 num só? Posso tomar remédio apesar da pouca idade? obrigada!

 

Sua mensagem é bastante interessante e importante na medida em que suas dúvidas são muito frequentes no dia a dia de diversas pessoas. Suas poucas, porém objetivas, palavras seriam o suficiente para uma resposta bastante longa, bem maior do que está será. Vamos, porém, por partes.

 

Primeiramente, devo esclarecer que isto aqui não é nenhuma consulta online (o que não é permitido pelo Conselho Federal de Medicina), mas um esclarecimento aos seus questionamentos (que, seguramente, são também questionamentos de uma vasta miríade de pessoas).

Você conseguiu, em poucas palavras, citar alguns dos mais frequentes sintomas de pessoas portadoras dos assim chamados transtornos psiquiátricos leves: aperto no peito, angústia, aceleração do coração, choro, etc. E isto, por si só, já dá margem a possíveis confusões para quem não é especialista (Psiquiatra), pois os diagnósticos em psiquiatria não se resumem a depressão, síndrome do pânico e transtorno bipolar. Há, na realidade, dezenas de diagnósticos onde estas manifestações clínicas podem estar presentes e não se tratar nem de depressão, nem de síndrome do pânico ou de transtorno do humor bipolar.

A sua visão (em que pese o mérito do seu esforço a fim de compreender a si própria) do que está acontecendo sugere a idéia do que chamamos de diagnósticos reducionistas (ou simplistas), ou seja, é como se tudo em psiquiatria coubesse em um só pacote, em um só embrulho, em uma única apresentação de sinais e de sintomas de cujo pacote só se poderia tirar como resultado (diagnóstico) depressão, síndrome do pânico ou transtorno bipolar. Mas, como dizia o poeta inglês Shakespeare: “Há muito mais entre o céu e a terra do que imaginam as nossas vãs filosofias”.

 

O que aqui escrevo é, novamente, um alerta sobre os riscos de auto-diagnóstico e também de diagnósticos mal elaborados por médicos não especialistas em Psiquiatria. Lembrando que não se prescreve um colírio para quem sofre de hérnia de hiato esofageano e nem tampouco se trata uma pneumonia realizando um cateterismo.

O que estou dizendo é que não haverá tratamento correto se o diagnóstico também não for correto.

A psiquiatria é uma especialidade médica, e medicina é ciência, e, aliás, uma ciência muito mais exigente do que outras cadeiras, como engenharia e até mesmo a matemática, a despeito de todas as suas importantes aplicações.

É, portanto, um alerta a que se evite, o tanto quanto possível, o auto-diagnóstico, e mais ainda a auto-medicação.

 

Sobre o que você menciona sobre passar da “euforia” para “depressão” em segundos, eu perguntaria a você quais seriam os limites de uma euforia anormal (patológica) e uma euforia normal (fisiológica)? Qual a fronteira entre um estado depressivo que signifique doença depressiva e um estado depressivo reativo (como o luto, por exemplo)? E onde estão as delimitações do que seja, ou não, uma autêntica variação do humor?

 

Não estou lhe criticando e muito menos censurando, ainda mais porque vejo que você parece estar sofrendo pelo que sente. Todavia há riscos implícitos e óbvios em se tratando de auto-diagnóstico e muito mais ainda de medicações utilizadas de modo incorreto (e isto vale para leigos e também para nós, médicos).

 

Finalizando, pense em uma pessoa que esteja com dores abdominais e procure um cirurgião e diga: “Doutor, me opere depressa! Estou com dores fortes na minha barriga! Tira o meu apêndice ou extirpa a minha vesícula, porque só pode ser isso!” E nessa história, onde ficam as dores originadas no estômago, no duodeno, no jejuno, no esôfago, no íleo, no pâncreas, no peritônio, etc? E se o apêndice e a vesícula não tiverem absolutamente nada a ver com a história?

Espero que não somente você, mas outros leitores entendam e meditem sobre o assunto.

 

Grato por seu contato e espero que, depressa, tudo lhe seja solucionado!

De minha parte, é tudo o que posso lhe dizer comentando a sua pergunta aqui no site.

 
Irritabilidade

Me consultei com alguns medicos e eles me disseram que tenho sindrome do panico comeceia tomar calmantes não sinto mais tantas crises mas eu me irrito facilmente tudo me deixa irritada nervosa as vezes só deouvir a voz de determinada pessoa eu fico extremamente irritada perco a paciencia facilmente,agora estou com medo de ir trabalhar não só com medo mas com raiva muita raiva de algumas pessoas que trabalham comigo, eu trabalho em uma farmacia no perioda da noite das 23h as 7h da manhã, ja passei por uns dez assaltos a mão armada e cada vez os assaltantes estão mais violentos meu gerente chega de manhã e a unica coisa que ele fala é \"normal,isso acontece mesmo\" claro não é ele que esta sendo humilhado e roubado, pq os assaltantes estão levando ate nossos objetos pessoais,eu sinto tanta raiva eu me controlo mas eu chego em casa e choro muito,mas o fato é que eu tenho que continuar trabalhando mas eu não sei como lidar com essa raiva que me consome,sinto raiva e irritação com todos ao meu redor, familia, amigos, colegas de trabalho, clientes da loja,eu começo a chorar a tremer mesmo de raiva, algumas pessoas falam que é apenas um ataque estérico, eu não sei exatamente oq é isso e o que eu devo fazer eu só sei que eu sinto as pessoas cada vez mais longes de mim me achando a pessoas mais imsuportavel do mundo.
 

Não resta a menor dúvida que o ambiente à nossa volta (a violência, o crescimento da miséria no Brasil, o tráfico de drogas, a corrupção escancaradamente praticada por muitos políticos irônicos, impunes e debochados, o desemprego, a disseminação de doenças e de epidemias, as traições, os subornos e a incerteza podem se constituir em fatores francamente desencadeantes ou agravantes de muitos transtornos mentais).  Todavia, irritabilidade é um sintoma que pode estar presente em diversos transtornos psiquiátricos, como também pode ser considerada, dependendo do caso, irritabilidade fisiológica (quando a simples presença de episódios de irritação com motivo aparente não justifica um diagnóstico de transtorno psiquiátrico).  As modernas medicações em Psiquiatria são altamente eficazes para um grande número de doenças, todavia, em determinadas situações, são apenas parte de um tratamento que poderá envolver outras medidas terapêuticas. Além do que, ainda que se esteja em um tratamento correto, há que se considerar situações onde mudanças do estilo de vida, resolução de problemas de ordem pessoal, mudanças no trabalho, correções de leituras incorretas de percepções pessoais e a identificação de fatores desencadeantes de piora clínica também podem ser de fundamental importância para a melhora ou cura. Existem hoje diversas opções de tratamento para casos onde a irritabilidade seja um sintoma proeminente em um conjunto de sinais e de sintomas que estejam a afligir a pessoa. Em outras palavras, os tratamentos em Psiquiatria não se resumem ao binômio doença e medicamento, mas consistem de um grupo de fatores bem mais amplo a ser considerado na hora da avaliação do paciente e no momento da indicação do tratamento adequado.

 
Fluoxetina, Sintomas Presentes, Tempo de Tratamento

A minha duvida é quanto ao uso da fluoxetina !!! De Janeiro de 2009 até fevereiro desse ano eu usei essa medicaçao. hj é dia 15 de abril e vai fazer quase três meses ki nao uso remedio nenhum. eu usava para depressão e ansiedade!!! só ki agora ando sentindo uns sintomas, como mãos e pés suando Frio, vertigem, aceleração no coração, nervosismo, ansiedade, sonolência, fraqueza, contração muscular involuntária e etc.... pq ano sentindo essas reações se faz um bom tempo ki nao uso mais esse remedio???? será que foi pq eu parei de vez, sem ser gradativamente reduzindo a dose aos poucos???? esses sintomas vão sumir ???? estou muito preocupado, e por conta disso estou parado, sem estudar, sem trabalhar e ando meio distantes de meus amigos......... espero uma resposta ! Abraço doutor , fik com Deus.

Prezado amigo, o simples fato de você citar que fazia uso de Fluoxetina para Depressão e Ansiedade, elencar tantos sintomas que você alega estarem presentes, relatar que interrompeu a medicação de forma abrupta, sugere que o seu tratamento não foi completado de forma adequada. Os tratamentos medicamentosos em Psiquiatria devem ser instituídos de modo gradativo, com acompanhamento criterioso pelo Psiquiatra, e, quando for o caso, a medicação deve ser retirada, na hora certa, também de forma gradativa, regular e supervisionada. Não são incomuns as situações onde seja pela falta de adesão do paciente ao tratamento, por indisciplina, por precipitação em interromper a medicação, por dificuldades para se conseguir uma consulta com a Psiquiatria (serviço público), e até, em alguns casos, tratamentos deficientemente conduzidos por médicos que não são especialistas em Psiquiatria, podem conduzir a resultados como o relatado por você. Aliás, você não menciona se foi ou não tratado por um Psiquiatra.

Caso lhe pareça conveniente procurar um médico psiquiatra, procure esclarecer com ele todas as suas dúvidas sobre o seu diagnóstico, sobre a medicação prescrita, sobre o tempo presumido de tratamento, enfim, procure não permitir que fiquem dúvidas. Há casos em que a preocupação em não melhorar, impressões e interpretações equivocadas sobre o que se está sentindo, atenção indevida dada a opinião de pessoas leigas, apreensão sobre possíveis efeitos da medicação e informações truncadas sobre o diagnóstico podem ser piores do que a própria doença em si. É o que posso lhe dizer por hora.

 

Grato por seu contato!

 

Dores no Peito

Gostaria de uma explicação que me tranquilize nos momentos de uma crise. Já fiz todos os exames cardiologicos e todos foram normais, porque sinto dores e pontadas no peito se não tenho nada cardiaco? desde já agradeço.

As dores no peito (precordialgias/dores torácicas) não se manifestam somente em situações onde haja comprometimento do sistema cardiovascular. Existem diversas situações onde as dores no peito podem estar presentes sem que isto signifique doença cardíaca. Determinadas doenças do estômago, esôfago ou pulmões também podem levar a pessoa a sentir dores no peito. Em Psiquiatria são frequentes as dores no peito relacionadas a estados ansiosos e também a determinados transtornos do humor. Devido à possibilidade de a dor torácica poder estar relacionada a doenças cardíacas potencialmente severas, é correto dar prioridade a uma avaliação cardiológica, embora o ideal seja uma investigação médica ampla e acurada a fim de detectar suas causas precisas. Não infrequentemente, após as causas orgânicas para a dor no peito já terem sido afastadas, pode-se estar diante de manifestações de um transtorno psiquiátrico.

 

Como saber se o Diagnóstico está Correto?

 

Dr. estou consultando um psiquiatra e tomando medicação pro transtorno de humor. Como posso ter certeza que meu diagnóstico esta certo?  E se é possível acharem cura? Por que meu psiquiatra diz que não isso e muito angustiante.

 

Existem diversos transtornos psiquiátricos agrupados na abrangente categoria dos Transtornos do Humor. Dessa forma, simplesmente “transtorno do humor” é um diagnóstico ainda não suficientemente sofisticado. Por vezes há a necessidade de um período de tempo até que seu psiquiatra possa especificar com mais exatidão o diagnóstico.

Já sobre como ter certeza se seu diagnóstico está correto, você pode pedir ao seu psiquiatra para lhe fornecer o máximo de informações possíveis sobre o seu parecer diagnóstico. Esta é uma prática salutar e se chama de psicoeducação.

Caso persistam dúvidas, você tem o direito de ouvir uma segunda opinião.

 

Psiquiatria ou Neurologia?

 

Dr. Apresento alguns sintomas característicos de psicose, ou distúrbios neurológicos, embora não sejam constantes, me preocupa. tenho alucinações auditivas, ouço ruídos e sons produzidos por mim mesma, involuntários e rápidos. tenho movimentos involuntários dos membros também, braços e pernas, por exemplo: Estico a perna, sem controle e sem que eu quisesse fazer isso. normalmente ocorre a noite, mas não estou dormindo, deitada apenas. Sinto medo. Em 1998 tive um transtorno psíquico. Pensamentos involuntários e depressivos, foi horrível. sofri muito e tomei remédios controlados por muito tempo. me tratei e há alguns anos me sinto bem, nunca mais tive crises. Pode estar relacionado? meu caso é neurologia, ou psiquiatria? Pode me ajudar?

 

A Psiquiatria e a Neurologia são “especialidades primas”, sendo que em diversas ocasiões não é possível separar suas interfaces, isolando-as.  Embora não sejam infrequentes as situações onde o Neurologista encaminha o paciente ao Psiquiatra e vice-versa.

Pelo seu relato, há características no seu caso que parecem solicitar a atenção de ambas as especialidades.

Caso opte por se consultar com um Psiquiatra e com um Neurologista, e se esta for, de fato, a sua necessidade, seria interessante que houvesse um intercâmbio entre ambos os especialistas que vierem a lhe assistir.

 

 
Minha Prima toda vez que bebe entra em Surto!

Minha prima toda vez que bebe entra em surto ! O marido dela a abandou com seis meses de casamento, porque toda vez que ela bebe faz escandalo, já ameaçou ele com uma faca, quebrou a casa inteira, chamou a polícia e inventou que ele estava agredindo ela (mas não agrediu) e até que ele pediu a separação. Ela não bebe sempre, mas quando bebe surta de vez, foi no psicólogo e não teve jeito. Será que ela psicotica ? Pq alcoolismo, não sei... ela trabalha e só bebe as vezes, mas entra em surto quando bebe, esquizofrenia, alguma coisa assim ?

 

O álcool pode exercer efeitos devastadores sobre o Sistema Nervoso Central (cérebro, tronco cerebral, medula). Ainda que as respostas aos efeitos do álcool sejam, em importante medida, diferentes de uma pessoa para outra.

Porém, todo e qualquer ser humano após ingerir grandes quantidades de álcool apresentará alterações de comportamento, invariavelmente. Uns mais, outros menos. Mas o álcool sempre altera o comportamento.

Em diversos casos, a simples ingestão de álcool pode levar a quadros bizarros de alterações do comportamento que podem se assemelhar a francos transtornos psicóticos (lembrando, inclusive, surtos esquizofrênicos), e a pessoa pode não ser portadora de transtorno mental algum. É, pura e simplesmente, o efeito químico do álcool sobre as células neuronais.

Ainda uma outra situação é quando existe um transtorno psiquiátrico de fundo, ou seja, a pessoa já possui o transtorno mental que é exacerbado ou precipitado pelo uso do álcool etílico. É relativamente frequente observarmos pessoas portadoras de Transtorno Bipolar, por exemplo, que entram em surtos maníacos após beberem. Alguns indivíduos esquizofrênicos podem piorar gravemente se ingerirem álcool. Também pessoas portadoras de Transtornos Depressivos podem apresentar pioras graves do quadro depressivo após ingerirem álcool. O álcool também pode levar e conduzir pessoas à Depressão, independente da presença de um Transtorno Depressivo prévio.

Há etilistas que acreditam não serem alcoólatras pelo simples fato de beberem de vez em quando. Porém, em muitos casos, pessoas que bebem grandes quantidades de álcool ocasionalmente podem ser portadoras de uma variação do etilismo bem mais grave do que até mesmo pessoas que bebem diariamente. Ou seja, não é quando a pessoa bebe que se caracteriza o etilismo, mas sim como bebe e quanto bebe.

Pelo seu relato, sua prima necessita de ser avaliada por um Psiquiatra, o quanto antes.

 

    Médico Psiquiatra e Nutrólogo

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