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Tire suas Dúvidas sobre Psiquiatria

 

Dr Eduardo Adnet - Médico Psiquiatra

Especialista Titulado Pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira

 

Gratos por sua visita!

Desde que publicamos esta seção no site, temos recebido diversos emails com diferentes dúvidas e questionamentos sobre Transtornos Psiquiátricos, medicamentos, dentre outros assuntos relacionados com a Psiquiatria. Devido à importância de vários dos temas mencionados por nossos visitantes, gostaríamos de solicitar que, ao final de cada mensagem, a pessoa que nos enviar um email coloque, em baixo na mensagem, a autorização para que publiquemos aqui suas dúvidas. E isto para que outros também possam se beneficiar. Evidentemente, não divulgaremos nem o nome e nem o email do visitante, apenas as perguntas.

 

Lembro ainda que, por normatização do Conselho Federal de Medicina, Não são Permitidas Consultas Online, mas apenas esclarecimentos de dúvidas com caráter informativo. E por mais que nos esforcemos, não há como substituir a consulta com o médico psiquiatra.

Sinto-me honrado e agradecido por sua visita ao nosso site!

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OBS: Para informações sobre preço de consultas e sobre convênios, por gentileza, contate diretamente a Clínica:

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Dr Eduardo Adnet

 

Transtorno do Humor Bipolar e Genética

Quero elogiar o site e as informações ali prestadas, pois são de valia aos leigos e interessados no assunto. Aproveitando o link que nos é aberto para indagações, quero abrir alguns questionamentos: A Bipolaridade é uma doença com forte tendência genética? Minha mãe tem o distúrbio, e eu gostaria de saber quais as chances de um de seus filhos desenvolverem a mesma doença. Em que situações as alterações de humor podem ser preocupantes e consideradas indício da doença? Independente da resposta anterior: Há algum tratamento ou acompanhamento indicado aos familiares do paciente com Transtorno Afetivo Bipolar?
Também gostaria de perguntar se o Dr. Eduardo é psiquiatra em Bipolaridade e se atende por algum convênio particular. Autorizo a publicação das perguntas no site. Desde já, fico muito grata pela resposta.

As causas do Transtorno do Humor Bipolar não foram até hoje completamente esclarecidas, embora hoje muito já se conheça sobre essa entidade psicopatológica. Estudos recentes têm sugerido que pelo menos 80% das pessoas portadoras do THB possuem história familiar com a presença de Bipolaridade e Depressões.
Uma investigação recente de pesquisadores canadenses e ingleses realizou estudos em gêmeos bipolares e foi verificado, segundo este mesmo estudo, que as chances para que o outro gemelar desenvolva a bipolaridade é de 85 a 89%. Porém, note: Os gêmeos possuem uma proximidade genética especial e peculiar em relações parentais.
Todavia, estes dados não podem ser tidos como um indicador de que se uma pessoa da família tenha sido identificada como sendo portadora do THB, outros familiares herdarão a doença. O mesmo se aplica a diversas outras doenças, como o Diabetes Melito, ou a Atopia, por exemplo.
Estas estatísticas são instrumentos de que se serve a Medicina, todavia não podem ser tidas como preditores da presença futura dessas doenças em ninguém.
Também assim como em outras doenças em outros territórios de especialidades médicas, se houver suspeita da presença de sintomas de alguma doença, o médico deve ser consultado. Tudo porém feito com tranquilidade e coerência, pois não são poucas as pessoas que estão sujeitas a assimilar doenças em seus imaginários, quando na realidade não portam as tais doenças. Por isso a avaliação do especialista é importante.
Finalizando, todos os Psiquiatras estão capacitados a tratar a Bipolaridade. Por isso é importante que, antes de marcar uma consulta com um Psiquiatra, vale a pena consultar o site do Conselho Federal de Medicina na seção "Busca Médico" a fim de saber se o médico em questão possui o Título de Especialista em Psiquiatria, concedido pela Associação Médica Brasileira e pela Associação Brasileira de Psiquiatria.
Com relação aos atendimentos, por gentileza, ligue para a Clínica e converse com as secretárias.
Grato pelo seu contato.

Transtorno Obsessivo Compulsivo - TOC

 

Eu gostaria de receber informações sobre a Psicoterapia Cognitiva para pessoas que possuem Transtorno Obsessivo-Compulsivo, pois eu venho sofrendo deste problema ja faz alguns anos. Também gostaria de saber o custo e qual a sua eficácia, pois eu ja andei conversando com alguns psicólogos que me falaram que o unico tratamento que apresenta resultados é esse. Ja sobre a questão do valor das sessões é muito importante para mim saber, e também qual seria a quantidade ideal para se fazer por semana, pois faz algum tempo que eu me mudei de Curitiba para o interior do estado (Ponta Grossa), ou seja, vou ter ainda mais o custo do meu deslocamento. Queria saber também se o atendimento pode ser feito no sábado, e em qual lugar seria, se é em alguma clinica, por exemplo, como também se existe convênio com algum plano de saúde.

 

Em nossa prática psiquiátrica utilizamos a combinação de Psicofarmacoterapia (o tratamento com medicamentos) e a Psicoterapia para o tratamento do TOC. Sobre a Psicoterapia Cognitiva ser o único tratamento que produz resultados para o tratamento do TOC, esta informação é discordante de nossa experiência clínica e discordante também de um considerável montante de literatura médica psiquiátrica de importante credibilidade internacional.

Com relação aos atendimentos, por gentileza, ligue para a Clínica e converse com as secretárias.
Grato pelo seu contato.

Transtorno Bipolar? Depressão? Ciúme Patológico? Paranóia? O Diagnóstico em Psiquiatria.

Boa Tarde Dr. Eduardo,
Estou passando por uma situação complicada, acho que meu namorado sofre de transtorno bipolar. No inicio achei que era ciúmes exagerado mas lendo sobre o assunto acredito que possa ser transtorno bipolar, existe alguma ligação entre Transtorno bipolar e ciúmes patológico? Meu namorado antes de nos conhecermos já fazia tratamento com psiquiatra devido a uma depressão que teve. Ele tomo Assert e Rivotril. Fui em uma consulta com o consentimento dele conversar com o médico dele e ele disse não saber das coisas que estavam acontecendo, ele nunca toca no assunto...
Meu namorado é paranóico ele acredita em coisas que ele cria e as toma como verdades e em cima disso cria situações bizarras... Da mesma forma que ele é um amor, um namorado cuidadoso em frações de segundos se torna uma pessoa grossa e agressiva. Não tem o menor pudor em falar o que vem na cabeça dele. Não posso revidar, questionar que ele se irrita. Se eu fico quieta esperando minha raiva passar tbm o irrita... é uma situação que não tenho para onde ir.
Em momentos de lucidez ele sabe que eu cuido que eu gosto, mas no segundo seguinte ela fala que eu não faço nada por ele, que eu não o amo e por assim vai, todo dia.
Dr. o que devo fazer, como devo proceder? Quem devo procurar? O Dr. tem alguma indicação de algum médico que cuide disso em São Paulo?

Sua mensagem é um bom exemplo de como o diagnóstico de Transtornos Mentais, Afetivos e Comportamentais deve ser deixado a cargo do especialista. Muitas vezes pode estar presente a angústia, não só pelo que se está passando, mas também para se saber o porquê do comportamento que está afetando a vida de uma pessoa de nosso convívio próximo. Por essa razão buscam-se informações. Seus questionamentos são compreensíveis em se observando seu relato.

Todavia, você menciona diagnósticos distintos em Psicopatologia. Existem muitos casos da presença de mais de um transtorno psiquiátrico (comorbidade) acometendo uma pessoa. E isto pode ou não ser o caso. A avaliação psiquiátrica acurada deve ser feita explicando-se à pessoa as possíveis variações anormais de seu comportamento, e isto a fim de que ela possa ter uma visão mais crítica, porém orientada, sobre seu próprio comportamento e, em concordância com o Psiquiatra, aceitar, ou não, o tratamento proposto, se for o caso.

Algumas considerações apenas com finalidade informativa, não se tratando de “consulta online”, o que não é permitido pelo Conselho Federal de Medicina.

 

Sobre o Transtorno do Humor Bipolar, possuímos material que pode ser acessado aqui.

 

Ciúme Patológico: Esta categoria diagnóstica pode se apresentar de modo isolado ou associada a um outro Transtorno Psiquiátrico, como o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) ou um Transtorno de Personalidade, para citar apenas dois possíveis exemplos. Caracteriza-se por um ciúme literalmente doentio, obsessivo e profundamente comprometedor, para quem o possui e também para os que o cercam. Lembrando, ainda, que o caráter (as características essenciais e centrais da personalidade) da pessoa pode vir a desempenhar um papel importante em casos de Ciúme Patológico. Algumas pessoas podem ter uma visão exageradamente centrada em si próprias, como se o mundo girasse apenas em torno delas. São excessivamente egocentristas e se algo lhes contraria, podem tornar-se irritadas e até mesmo descontroladas em alguns casos. Por outro lado, há também aqueles que possuem uma profunda insegurança sobre si próprios e expressam comportamentos anômalos como forma de defesa ou de compensação. Podem ou não estar cientes e conscientes do problema que os aflige. O diagnostico de Ciúme Patológico só deve ser feito após diversos aspectos e detalhes psíquicos, afetivos, sociais e comportamentais da vida da pessoa terem sido, cuidadosamente, avaliados. Há também outras investigações médicas que podem auxiliar na hora de se firmar o diagnóstico, e isto deve ficar a cargo do Psiquiatra.

 

Irritabilidade: Pode estar associada a uma grande miríade de Transtornos Psiquiátricos e/ou Neurológicos distintos, ou em alguns casos, em comorbidade (doenças acontecem juntamente). A irritabilidade deve ser avaliada pelo especialista a fim de que este possa determinar se se trata de uma irritabilidade fisiológica (normal), ou patológica. Existe, ainda, uma hipertênue fronteira entre a irritabilidade per se e variação patológica do humor (a labilidade do humor), e que não são necessariamente a mesma coisa.

 

Paranóia: Este termo se tornou um tanto quanto genérico em seus usos no cotidiano, mais devido ao seu uso popular, não infrequentemente utilizado de modo equivocado. Portanto, devido à necessidade da definição da especificidade de cada um dos  conceitos envolvidos na definição do que seja a Paranóia, no momento opto por não comentá-los aqui, o que demandaria um espaço bastante extenso.

 

Buscar ter uma conversa franca, objetiva e direta com a pessoa de quem se suspeita estar acometida por algum Transtorno Psiquiátrico é uma medida importante a ser tomada a fim de que ela, caso concorde, seja avaliada por um Médico Psiquiatra. E que persista, juntamente com o Psiquiatra, no aprofundamento da avaliação a fim de que o diagnóstico correto e específico seja firmado (o que costumamos chamar de sofisticação diagnóstica), e a seguir seja o melhor tratamento proposto. A conduta do Médico Psiquiatra deve ser respeitada e seguida, porém não sem a concordância do paciente, para o qual tudo deve ser explicado, inclusive os prós e os contras das medidas de tratamento sugeridas.  Enquanto a pessoa permanecer sob os cuidados de um determinado Psiquiatra, seja ele quem for, esta responsabilidade caberá a ele.

Em nossa visão e experiência clínica profissional, o diagnóstico em Psiquiatria deve ser trabalhado ao máximo possível de sua sofisticação, ou seja, um milímetro à esquerda ou à direita pode fazer muita diferença. Pois o que importa, no final das contas, é que a pessoa se veja livre do sofrimento que a aflige, e que pode também estar afetando a outros que o cercam.

 

Sobre a indicação de um colega Psiquiatra em São Paulo, sinto não poder lhe ajudar, pois a maioria dos colegas Psiquiatras com os quais convivo são do Rio de Janeiro e de Curitiba, onde atuo profissionalmente. Todavia, antes de aceitar alguma indicação, sugiro-lhe que, de posse do nome do profissional indicado, verifique se esse profissional possui o Título de Especialista em Psiquiatria, pois só podem se anunciar como Psiquiatras os que possuem esse título. Busque acessar o site do Conselho Regional de Medicina de seu Estado e logo na página inicial, procure por onde está escrito: "Pesquisar Médicos" ou "Buscar Médicos" e então digite o nome do profissional em questão. Se for um especialista, esta informação deverá aparecer junto aos dados do nome e do CRM do médico. Esta busca pode também ser feita no site do Conselho Federal de Medicina.

 

Transtornos Ansiosos, Fobia Social e Propranolol

Dr. Sofro de fobia social. Tenho um serio problema em falar em publico, só de pensar em participar de alguma reunião no trabalho fico nervoso tremendo muito, minha garganta fecha, não consigo raciocinar direito, ler em público então não dá de jeito nenhum. Fiquei sabendo de um medicamento chamado Propanolol que comecei a fazer uso há dois dias, deu para sentir uma diferencia. Nunca tive problemas se saúde acho que o medicamento não irá me fazer mal. Mas não quero usar o remédio para sempre, depois que comecei a tomar o medicamento, o tremor nas mãos passou e não fico mais com o meu coração acelerado, e tive mais confiança para conversar com as pessoas socialmente de boa olho no olho. Também né, sem parecer que o coração irá sair pela a boca fica mais fácil. Mas ainda não sei se teria coragem de encara uma faculdade sem ficar orando na sala o tempo todo. É engraçado mais é assim, e não quero mais viver nessa ansiedade, angustia. Por favor, me responda!!! Quais os efeitos do Propanolol? Que mal pode me fazer o remédio? O que o Senhor (a) sugeria? Desse já agradeço!!!!

Um famoso cantor de ópera, falecido há não muito tempo, contou em uma entrevista que os momentos que antecediam sua entrada no palco eram os piores momentos de sua vida. Uma angústia terrível, aceleração dos batimentos cardíacos, turvação do pensamento e tensão muscular eram alguns dos sintomas que ele sentia. Porém, já que sua carreira dependia das apresentações em público, ele treinou a si próprio a fim de suportar essas manifestações ansiosas, percebendo que quando entrava no palco os sintomas cessavam.

Todo ser humano quando diante de situações de grande expectativa, situações de ameaça, perigo ou hostilidade, tende a apresentar uma reação semelhante ao do cantor de ópera. É a chamada “reação de luta ou fuga”, quando mecanismos automáticos e inconscientes de defesa são acionados. Essa reação é mediada por vários hormônios e neurotransmissores, sendo que o papel exercido pela adrenalina já foi bem estudado e é bem conhecido. A adrenalina é a responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, tremores de extremidades, sudorese aumentada e tensão muscular.

Este padrão de reação é fisiológico (normal), sendo que pode ser mais ou menos intenso em algumas pessoas. Porém, se a reação mencionada ultrapassa determinados parâmetros a ponto de se tornar um fenômeno por demais incômodo e que cause sofrimento, então podemos estar diante de um transtorno psiquiátrico. E dentre eles, os transtornos ansiosos são os que mais frequentemente se relacionam a padrões anormais da reação de luta ou fuga.

 

O Propranolol é um medicamento pertencente à classe dos Beta-Bloqueadores, e o que ele faz é bloquear parcialmente os efeitos da adrenalina nos receptores cardíacos. Ou seja, esses receptores (com os quais a adrenalina interage desencadeando os efeitos acima citados) passam a interagir com a adrenalina em menor intensidade, e isto resulta em uma limitação restritiva para que os batimentos cardíacos não se acelerem muito.

O Propranolol não trata a causa do fenômeno ansioso, mas restringe as suas manifestações através dos mecanismos acima descritos. O Propranolol é um medicamento clássico do território da Cardiologia, e seu uso em Psiquiatria é algo controverso. Principalmente hoje quando se dispõe de medicamentos capazes de intervir de modo mais incisivo nas manifestações ansiosas sem os efeitos colaterais dos Beta-Bloqueadores, os quais podem ser diversos. Porém, não se pode afirmar que seu uso como coadjuvante para o tratamento de transtornos ansiosos esteja errado. Isto fica a critério do médico que o prescreve. O que não pode ser feito, de modo nenhum, é o aumento da dose do Propranolol sem a devida supervisão médica. O abuso ou uso incorreto do Propranolol pode acarretar efeitos indesejáveis perigosos.

Para o paciente, a determinação do que sejam manifestações ansiosas clássicas ou expressões do Transtorno de Fobia Social nem sempre são úteis, pois uma rotulação precipitada (ou diagnóstico mal feito) podem influenciar negativamente a mente do paciente. Vamos a alguns exemplos.

Alguns pacientes me procuram já afirmando que são portadores de Transtorno do Pânico. Relatam seus problemas, apontam para os sintomas, porém alguns assumem para si alguns “sintomas extras”, pois leram na internet quais são os sintomas mais frequentes do Transtorno de Pânico (também chamado de Crise de Pânico ou de Transtorno de Ansiedade Paroxística Recorrente). Após a avaliação psiquiátrica, percebo que muitos deles não são portadores da Doença do Pânico, mas estão apenas sofrendo de manifestações ansiosas simples, alguns em maior ou em menor intensidade. E isto serve para diversas outras situações em Psiquiatria. Seria como dizer que alguns pacientes entram no consultório com um boné escrito “sou bipolar”, outro com uma camiseta com os dizeres “tenho depressão” estampados no peito, e ainda outros com um chaveiro onde estaria escrito “tenho TOC” (Transtorno Obsessivo Compulsivo).

Não são poucos os que, já de pronto, experimentam um enorme alívio ao saberem que podem se desfazer do boné bipolar, da camiseta depressiva e do chaveiro compulsivo. Evidentemente, porém, esta responsabilidade de descaracterizar diagnósticos mal feitos é do psiquiatra. Por isso a avaliação e o tratamento do paciente com sintomatologia psiquiátrica convém serem feitos pelo especialista.

É o que podemos, por hora, lhe informar. Grato pelo seu contato.

 

Transtorno do Humor Bipolar e Capacidade Laborativa

Gostaria de um esclarecimento. Meu irmão foi diagnosticado com bipolaridade. Ele recebia auxilio-doença do inss, mas foi cortado. Não consegue voltar ao trabalho. Esta doença o impede de trabalhar? O que devo fazer? Obrigada

Há diversas variáveis intervenientes no curso do Transtorno do Humor Bipolar. A efetiva resposta ao tratamento instituído é um dos diversos meios de que se dispõe a fim de avaliar a capacidade laborativa das pessoas portadoras do THB. Embora possa haver casos de incapacitação permanente para o trabalho, em nossa experiência temos verificado tratar-se de uma minoria de casos. Em havendo uma boa resposta ao tratamento a pessoa pode viver com qualidade de vida e trabalhar normalmente. A supervisão psiquiátrica a longo prazo é recomendada.

 

Dores no Peito

Gostaria de uma explicação que me tranquilize nos momentos de uma crise. Já fiz todos os exames cardiologicos e todos foram normais, porque sinto dores e pontadas no peito se não tenho nada cardiaco? desde já agradeço.

As dores no peito (precordialgias/dores torácicas) não se manifestam somente em situações onde haja comprometimento do sistema cardiovascular. Existem diversas situações onde as dores no peito podem estar presentes sem que isto signifique doença cardíaca. Determinadas doenças do estômago, esôfago ou pulmões também podem levar a pessoa a sentir dores no peito. Em Psiquiatria são frequentes as dores no peito relacionadas a estados ansiosos e também a determinados transtornos do humor. Devido à possibilidade de a dor torácica poder estar relacionada a doenças cardíacas potencialmente severas, é correto dar prioridade a uma avaliação cardiológica, embora o ideal seja uma investigação médica ampla e acurada a fim de detectar suas causas precisas. Não infrequentemente, após as causas orgânicas para a dor no peito já terem sido afastadas, pode-se estar diante de manifestações de um transtorno psiquiátrico.

 

Como saber se o Diagnóstico está Correto?

 

Dr. estou consultando um psiquiatra e tomando medicação pro transtorno de humor. Como posso ter certeza que meu diagnóstico esta certo?  E se é possível acharem cura? Por que meu psiquiatra diz que não isso e muito angustiante.

 

Existem diversos transtornos psiquiátricos agrupados na abrangente categoria dos Transtornos do Humor. Dessa forma, simplesmente “transtorno do humor” é um diagnóstico ainda não suficientemente sofisticado. Por vezes há a necessidade de um período de tempo até que seu psiquiatra possa especificar com mais exatidão o diagnóstico.

Já sobre como ter certeza se seu diagnóstico está correto, você pode pedir ao seu psiquiatra para lhe fornecer o máximo de informações possíveis sobre o seu parecer diagnóstico. Esta é uma prática salutar e se chama de psicoeducação.

Caso persistam dúvidas, você tem o direito de ouvir uma segunda opinião.

 

Psiquiatria ou Neurologia?

 

Dr. Apresento alguns sintomas característicos de psicose, ou distúrbios neurológicos, embora não sejam constantes, me preocupa. tenho alucinações auditivas, ouço ruídos e sons produzidos por mim mesma, involuntários e rápidos. tenho movimentos involuntários dos membros também, braços e pernas, por exemplo: Estico a perna, sem controle e sem que eu quisesse fazer isso. normalmente ocorre a noite, mas não estou dormindo, deitada apenas. Sinto medo. Em 1998 tive um transtorno psíquico. Pensamentos involuntários e depressivos, foi horrível. sofri muito e tomei remédios controlados por muito tempo. me tratei e há alguns anos me sinto bem, nunca mais tive crises. Pode estar relacionado? meu caso é neurologia, ou psiquiatria? Pode me ajudar?

 

A Psiquiatria e a Neurologia são “especialidades primas”, sendo que em diversas ocasiões não é possível separar suas interfaces, isolando-as.  Embora não sejam infrequentes as situações onde o Neurologista encaminha o paciente ao Psiquiatra e vice-versa.

Pelo seu relato, há características no seu caso que parecem solicitar a atenção de ambas as especialidades.

Caso opte por se consultar com um Psiquiatra e com um Neurologista, e se esta for, de fato, a sua necessidade, seria interessante que houvesse um intercâmbio entre ambos os especialistas que vierem a lhe assistir.

 

Medicamentos Químicos ou "Medicamentos Naturais"?

 

Boa tarde, estou com alguns sintomas a uns três anos e não consigo cura, como se eu tivesse falta de ar, amortece minhas mãos, fico inquieto e tenho medo que me de um trosso, sei lá isso tem me dado com frequencia e estou tomando fluoxetina mais não esta adiantando poderia me ajudar,eu não gostaria de tomar remedios quimicos e sim remedios naturais.

Pelo seu relato, trata-se de um quadro de sinais e sintomas que requer atenção e tratamento pela Psiquiatria. Sobre se seu tratamento deverá ser feito com o uso de medicação, somente com psicoterapia ou com a combinação de ambos, isto só poderá ser decidido mediante uma avaliação psiquiátrica. Todavia, aqui cabe uma importante observação sobre os chamados medicamentos naturais, informação esta que muitos ignoram:

Ao longo de toda a história da medicina, os medicamentos utilizados para tratar doenças sempre vieram da natureza. Com o desenvolvimento das tecnologias modernas de síntese de moléculas de medicamentos em laboratório, passou-se a uma visão dicotomizante e ilusória onde existiria uma suposta divisão entre “medicamentos químicos” e “medicamentos naturais”. Esta divisão é ilusória e carece de fundamentação científica, pois todos os medicamentos, sejam os industrializados ou os chamados “naturais” são medicamentos químicos. Toda ação medicamentosa é química, salvo nos casos de efeito placebo.

Outro equívoco frequente é o de se supor que os ditos “medicamentos naturais” não possuem efeitos colaterais e seriam mais seguros. Esta afirmação é falsa, pois determinados remédios chamados de “naturais” podem, dependendo do caso, intoxicar e até matar.

A atual popularidade de determinados tratamentos com “ervas naturais” tem sua origem na China, onde essa prática é comum, muito mais pela miséria em que vive a maioria do povo chinês, alienada de tratamentos médicos de qualidade, do que por seus efeitos terapêuticos.

Dois estudos recentes realizados pela Associação Americana de Oncologia e pelo Departamento de Saúde da Califórnia demonstraram que diversas ervas utilizadas pela chamada medicina de ervas chinesas podem ser bastante tóxicas e danosas ao corpo humano. Após terem sido testadas diversas dessas ervas “naturais”, verificou-se que um terço delas estava impregnado com traços de medicamentos industrializados e também com produtos tóxicos como o chumbo e o arsênico. Além de ter sido verificada a presença de agrotóxicos em diversas dessas “ervas naturais”. Essas substâncias tóxicas presentes nos chamados “remédios naturais” possuem o potencial de causar severas intoxicações, alergias graves, fotossensibilização, insuficiência renal e até a morte por falência renal.

 

Mais de uma Doença Psiquiátrica e o Uso de Mais de um Medicamento

 

Sou formada em psicologia e aprendi na faculdade que um paciente não deve ser medicado para neurose e psicose ao mesmo tempo. Meu irmao toma há mais de 15 anos remedios para disturbio do panico e TOC. Agora o psiquiatra dele receitou um antipsicotico por conta de uns eventos que aconteceram e ele quer investigar se pode ser uma manifestação psicotica ou não. Minha pergunta é, isso é possivel? Ou tomando 2 medicamentos para disturbios tao distintos nao pode piorar a situação?

 

O termo neurose, além de se revestir de importante inespecificidade, cai em desuso à medida que o tempo passa e se vão sofisticando os diagnósticos em Psiquiatria. Também o termo Psicose é inespecífico, visto que "comportamentos psicóticos" carecem da especificação psicopatológica e etiopatogênica do transtorno que pode estar ocasionando tais comportamentos.

O Transtorno de pânico (ansiedade paroxística episódica) pertence à categoria dos Transtornos de Ansiedades e o Transtorno Obsessivo Compulsivo é ainda, por alguns, chamado de Neurose Obsessivo Compulsiva, e ambos os transtornos mencionados estão agrupados na CID como Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o "stress" e transtornos somatoformes. Todavia, reitero o que disse sobre o termo neurose.

Para uma visão técnica mais específica sobre a categorização e sobre as manifestações clínicas destes transtornos, e também sobre as abrangências das categorias diagnósticas onde o termo psicose pode ser empregado é necessário um sólido conhecimento em Psicopatologia, e abordar pormenorizadamente este assunto nesta seção fugiria aos objetivos deste segmento do site.

O que importa em seu caso relatado é a correta determinação do diagnóstico do paciente em questão, o que pode, se for o caso, envolver a presença de mais de um transtorno psiquiátrico (comorbidade). Há pacientes que possuem dois, três, ou até mais transtornos, o que pode, sim, justificar a psicofarmacoterapia com o uso de mais de um psicofármaco. Caberá ao psiquiatra optar pela decisão terapêutica mais adequada ao paciente, preferencialmente esclarecendo ao paciente (e, se necessário, também aos familiares) sobre os principais aspectos envolvidos no diagnóstico e no tratamento proposto.

 

Dosagem Sérica de Carbonato de Lítio e de Serotonina

 

Todos os medicamentos que se toma como estabilizadores do humor precisam ser dosados no sangue? E a serotonina? Também precisa ser dosada no sangue? Se a pessoa está com a serotonina baixa, isso significa que ela pode ter depressão?

 

Na realidade não! Não são todos os estabilizadores do humor que necessitam de dosagem sérica (exame de sangue) para o controle do medicamento no sangue. A cada dia que passa surgem estabilizadores do humor mais e mais eficazes como alguns pertencentes à categoria dos antiepilépticos mais recentes e dos antipsicóticos atípicos (alguns destes também recentes). A situação do Carbonato de Lítio é bastante específica, pois trata-se de um medicamento com potenciais efeitos colaterais importantes e que podem (e devem) ser evitados a todo custo pelo monitoramento da dosagem sérica (exame de sangue) do Lítio e pela observação e acompanhamento médico. Também esta dosagem sérica é realizada a fim de que se possa observar e avaliar a chamada dose terapêutica adequada, ou seja: Se o Carbonato de Lítio estiver muito abaixo do seu nível terapêutico pode não produzir os efeitos desejados. Por outro lado, se estiver excessivamente elevado o seu nível no sangue, pode ocasionar efeitos colaterais potencialmente perigosos, como o comprometimento renal, por exemplo. Todavia, convém lembrar que há diversos casos onde o Carbonato de Lítio se encontra abaixo do que é considerado seu nível terapêutico, mas seu efeito se faz presente. Logo, a dosagem do Lítio (Litemia) não é o único meio a fim de se avaliar a eficácia desta medicação. Outro estabilizador que deve ser dosado em diversas situações é a Carbamazepina (um antiepiléptico utilizado também como estabilizador do humor). A Carbamazepina pode produzir Leucopenia (baixa das células de defesa do organismo) dependendo da dosagem e da pessoa que está recebendo a medicação. Há ainda outras situações em que a Carbamazepina deve ser dosada no sangue. Porém isto não é uma regra matemática.

Há diversos outros estabilizadores do humor (a maioria pertencente à classe dos antiepilépticos e dos antipsicóticos atípicos) os quais não necessitam de monitoramento sanguíneo frequente. Em alguns casos a dosagem sérica deles nunca é necessária. Todavia, a decisão cabe ao médico psiquiatra que os prescreveu, sendo importante esclarecer todas as dúvidas ao paciente, pois muitas bulas de remédios podem confundir. Outro equívoco é o de se dosar o Lítio em quem não toma Carbonato de Lítio. Quem não toma Carbonato de Lítio não precisa de dosagem sérica (sangue) de Lítio. O Lítio é produto de uma pedra que se chama Petalita, é só pode estar elevado no organismo se a pessoa estiver recebendo tratamento com Carbonato de Lítio. Aliás, Lítio vem de Lithus, que em Grego significa Pedra.

Sobre a dosagem de Serotonina sérica (sangue), não há embasamento científico que sustente este tipo de abordagem terapêutica. Ou seja, pelos dados de que dispõem a literatura científica atual em Psiquiatria, não se justifica a dosagem de Serotonina com fins a estabelecer alguma relação com quadros depressivos.

Dosar o Lítio em quem não toma esse medicamento e dosar Serotonina para avaliar quadros depressivos são medidas inúteis sob o ponto de vista Psiquiátrico.

 
Revisão de Medicamentos e de Dosagens ao longo do Tratamento Psiquiátrico

Boa noite,minha mãe tem 64anos,tem depressão e toma carbamazepina 200mg,3 vezes ao dia,clopromaz 100mg,e aldol 5mg,ela tinha crises de nervo,choro,mas não sofre de ataque.Tem uma historia de vida bem complicada,e hoje ela so conversa se quiser,ou se alguem dirige a palavra a ela,responde o necessario ,as atividades domesticas nao tem vontade de fazer,reclama de dor de cabeça no final da tarde, realmente ela parece um robosinho,faz tudo automatico.Gostaria de saber que atitude devo tomar, e se precisa rever suas medicamentos com um especialista.Obrigado!

Uma das principais características da Psiquiatria é o fato desta especialidade médica lidar com doenças em sua maioria crônicas. Um dado antibiótico pode ser eficaz no tratamento de determinada infecção. Terminada a infecção, o antibiótico já não é mais necessário. Porém, quando se tratam de transtornos psiquiátricos crônicos (alguns duram pelo resto da vida, mesmo a despeito de grandes melhoras com a instituição do tratamento adequado), nosso organismo pode apresentar variações surpreendentes e também inesperadas em relação a esta ou àquela medicação. Por esta razão as medicações devem ser sempre revistas. Não somente as dosagens e as, muitas vezes necessárias, combinações de psicofármacos, mas também os efeitos que esses medicamentos estão exercendo sobre o fígado e os rins (os quais potencialmente podem sofrer algumas consequências devido às medicações). Também os ajustes de doses e a retirada deste ou daquele fármaco durante o tratamento precisam ser avaliados periodicamente. E, por fim, o envelhecimento é um dos principais motivos por causa do qual doses de medicamentos devem ser reavaliadas e alguns medicamentos até mesmo suspensos (ou trocados), pois à medida em que os anos avançam, nossa capacidade em metabolizar os medicamentos tende a ficar alterada.

A doença que você menciona (Depressão) e os medicamentos a que você faz referência são objetos de atenção da Psiquiatria.

 
Esquizofrenia - Semap - Outros Antipsicóticos

Tive esquizofrenia aos 18 anos e hoje levo uma vida normal (trabalho e sou casado) .Trabalho desde os 30 anos e tomo uma dose de semap de 10 mg /semana (meio comprimido por semana). Acontece que este medicamento parou de fabricar e o médico me receitou 1 mg de risperidona e não me senti bem . tive insônia, agitação e nervosismo . existe medicamentos como menos efeitos colaterais que posso tomar, sem ser a risperidona ? obrigado .

De fato, a produção do psicofármaco Semap (Penfluridol) foi descontinuada desde 2009 pelo Laboratório JANSSEN-CILAG. Todavia, existem diversos outros medicamentos pertencentes à mesma categoria do Semap (um antipsicótico) com menos efeitos colaterais do que este último. O Penfluridol (Semap) possuía o potencial de ocasionar diversos efeitos colaterais, dentre eles a Acatisia e a Discinesia tardia. Sobre a Risperidona, embora seja um excelente antipsicótico, há alguns efeitos colaterais que podem se manifestar no início, e/ou ao longo do tratamento, como ganho de peso, por exemplo. Embora em nem todos os casos da mesma forma. Possuo diversos pacientes que fazem uso da Risperidona sem grandes problemas. Porém, existem medidas muito específicas a serem tomadas pelo Psiquiatra na introdução deste medicamento. Mas em não havendo uma resposta satisfatória à Risperidona, ou efeitos indesejáveis, mesmo que a introdução do medicamento tenha sido feita de modo correto e mantida a posologia adequada, há diversas outras opções de tratamento para quem necessita de fazer uso de antipsicótico. Algumas destas opções podem ser significativamente superiores à Risperidona. Acredito que seu Psiquiatra deva estar a par destes fatos.

 
“Talvez seja Transtorno Bipolar”

Olá,tenho uma duvida meu esposo, muda de humor rapidamente e as vezes até agresivo,convesando com minha medica,ela mim disse que talvez seja trastornos bipolar,então resolvi pesquisa sobre, as vezes sai pra trabalhar bem e a noite ja chegar com a maior raiva do mundo,eu procuro entender mais não consigo porque tanta raiva que parece as vezes que ele vai explodir. Sera que ele e doente, mim ajude tire minhas duvidas por favor,sou casada com ele a 4 quatros desde quanto namorava-mos ele tive isto, um detalhe não convesar com ninquem, e percebo que mais comigo, não posso chegar nem perto,senão saio ferida com suas palavras de baixo calão, e depois que passa ele parece uma pessoa indefesa sem ninquem e abrigo, por isso não tenho coragem de deixar.

 

Alterações frequentes do humor e também irritabilidade, ou agressividade, não são situações exclusivas do Transtorno Bipolar. Diversos outros transtornos psiquiátricos podem evoluir com a apresentação desses sinais e sintomas.

Depressão, Transtorno Bipolar e Síndrome do Pânico são transtornos psiquiátricos que ficaram famosos, e portanto é fácil encontrar informações sobre eles na internet, ainda que muitas dessas informações sejam pobres e mescladas de erros, pois muitas delas são escritas por pessoas leigas no assunto. “Talvez seja Transtorno Bipolar” não é um diagnóstico. É necessário que o diagnóstico seja preciso a fim de que se inicie um tratamento adequado, se for o caso.

Seus esforços em pesquisar para saber mais sobre transtornos mentais é uma atitude louvável, ainda mais sendo motivada por sua preocupação com seu esposo. Todavia, durante muitas dessas pesquisas, corre-se o risco de procurar “encaixar” a pessoa nesse ou naquele transtorno psiquiátrico que se pesquisou, porque pode “parecer” que seja esta ou aquela doença pesquisada na internet a que está acomentendo a pessoa com a qual estamos preocupados. A melhor medida, a mais prudente e a mais inteligente, é a de procurar um especialista, nesse caso, pelo conteúdo do seu relato, um Psiquiatra.

 
Minha Prima toda vez que bebe entra em Surto!

Minha prima toda vez que bebe entra em surto ! O marido dela a abandou com seis meses de casamento, porque toda vez que ela bebe faz escandalo, já ameaçou ele com uma faca, quebrou a casa inteira, chamou a polícia e inventou que ele estava agredindo ela (mas não agrediu) e até que ele pediu a separação. Ela não bebe sempre, mas quando bebe surta de vez, foi no psicólogo e não teve jeito. Será que ela psicotica ? Pq alcoolismo, não sei... ela trabalha e só bebe as vezes, mas entra em surto quando bebe, esquizofrenia, alguma coisa assim ?

 

O álcool pode exercer efeitos devastadores sobre o Sistema Nervoso Central (cérebro, tronco cerebral, medula). Ainda que as respostas aos efeitos do álcool sejam, em importante medida, diferentes de uma pessoa para outra.

Porém, todo e qualquer ser humano após ingerir grandes quantidades de álcool apresentará alterações de comportamento, invariavelmente. Uns mais, outros menos. Mas o álcool sempre altera o comportamento.

Em diversos casos, a simples ingestão de álcool pode levar a quadros bizarros de alterações do comportamento que podem se assemelhar a francos transtornos psicóticos (lembrando, inclusive, surtos esquizofrênicos), e a pessoa pode não ser portadora de transtorno mental algum. É, pura e simplesmente, o efeito químico do álcool sobre as células neuronais.

Ainda uma outra situação é quando existe um transtorno psiquiátrico de fundo, ou seja, a pessoa já possui o transtorno mental que é exacerbado ou precipitado pelo uso do álcool etílico. É relativamente frequente observarmos pessoas portadoras de Transtorno Bipolar, por exemplo, que entram em surtos maníacos após beberem. Alguns indivíduos esquizofrênicos podem piorar gravemente se ingerirem álcool. Também pessoas portadoras de Transtornos Depressivos podem apresentar pioras graves do quadro depressivo após ingerirem álcool. O álcool também pode levar e conduzir pessoas à Depressão, independente da presença de um Transtorno Depressivo prévio.

Há etilistas que acreditam não serem alcoólatras pelo simples fato de beberem de vez em quando. Porém, em muitos casos, pessoas que bebem grandes quantidades de álcool ocasionalmente podem ser portadoras de uma variação do etilismo bem mais grave do que até mesmo pessoas que bebem diariamente. Ou seja, não é quando a pessoa bebe que se caracteriza o etilismo, mas sim como bebe e quanto bebe.

Pelo seu relato, sua prima necessita de ser avaliada por um Psiquiatra, o quanto antes.

 
Homeopatia, Acupuntura, Tai-Chi

Caro Dr. Eduardo Adnet,
Eu moro em Amsterdam ja ha 20 anos, local onde tenho dificuldade de encontrar profissionais competentes na area da saude, tanto fisica como mental. Sou casado com um holandez que tem sintomas de bipolaridade. Ele tem 54 anos e gostaria se possivel que o senhor me indicasse algum medico em Amsterdam.  O senhor acredita que pode-se tratar bipolaridade com homeopatia? Acupuntura? Fazendo Tai-Chi? Minha grande dificuldade eh que quando ele esta euforico, ele nao me ouve, e quando deprimido tento poupa-lo de qq. disconforto. Vivo com ele ja ha 13anos e sofro muito com ele, pois eu tambem tenho uma tendencia a depressao... Por favor nos ajude.

 

Prezado amigo,

Embora eu já tenha exercido a medicina na Europa, não conheço nenhum psiquiatra que eu pudesse lhe indicar na Holanda. Meus contatos com colegas de profissão em continente europeu se restringem à Áustria, Alemanha e Portugal.

Ter “sintomas de Bipolaridade”, como você escreveu, não é a mesma coisa que ser portador do Transtorno do Humor Bipolar. Nesse caso, somente uma avaliação psiquiátrica poderia conferir precisão diagnóstica com fins de orientação terapêutica, evidentemente.

Sobre terapias com Homeopatia, Acupuntura ou Tai-Chi, em nossa experiência profissional jamais detectamos qualquer benefício para o tratamento de transtornos psiquiátricos com essas modalidades de tratamento (ou abordagens terapêuticas). Se tais práticas são benéficas, cabe aos profissionais que as executam comprovar sua eficácia junto à comunidade científica internacional. Todavia, como já dito, nunca observamos benefício algum por parte dessas terapias (Homeopatia, Acupuntura ou Tai-Chi) em nossa vivência profissional. Meus respeitos aos profissionais que as exercem, mas não recomendamos tais modalidades de tratamento aos nossos pacientes, direito que nos cabe de modo legítimo e legal.

O caso por você relatado envolve diversos aspectos e variantes que podem influenciar no quadro. Infelizmente não há muito mais o que eu possa comentar, pois as informações são insuficientes.

É o que posso lhe adiantar por hora.

 

Grato por seu contato!

Saiba mais sobre o nosso Livro!

 

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