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Pergunte ao Psiquiatra Tire suas Dúvidas sobre Psiquiatria
Dr Eduardo Adnet - Médico Psiquiatra
Especialista Titulado Pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira
Gratos por sua visita! Desde que publicamos esta seção no site, temos recebido diversos emails com diferentes dúvidas e questionamentos sobre Transtornos Psiquiátricos, medicamentos, dentre outros assuntos relacionados com a Psiquiatria. Devido à importância de vários dos temas mencionados por nossos visitantes, gostaríamos de solicitar que, ao final de cada mensagem, a pessoa que nos enviar um email coloque, em baixo na mensagem, a autorização para que publiquemos aqui suas dúvidas. E isto para que outros também possam se beneficiar. Evidentemente, não divulgaremos nem o nome e nem o email do visitante, apenas as perguntas.
LEIA ISTO COM ATENÇÃO ANTES DE ENVIAR SUA PERGUNTA! Por normatização do Conselho Federal de Medicina, Não são Permitidas Consultas Online, mas apenas esclarecimentos de dúvidas de caráter genérico com vistas a utilidades informativas. Para situações que envolvam demasiada especificidade pessoal na pergunta, não há como substituir a consulta com o médico psiquiatra.
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Médico Psiquiatra
Perguntas Relacionadas ao Transtorno Obsessivo Compulsivo - TOC
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| TOC Severo, Tratamento, Medidas Terapêuticas |
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Dr. Eduardo, bom dia!
Meu filho (...) tem 17 anos e foi acometido pelo mal do TOC em maio
deste ano. Somente tivemos certeza de que era esta horrível doença
mental, depois de muito conversarmos e nos informarmos a respeito.
Seu tratamento inicou-se somente em julho, no período das suas
férias (ele faz gruduação fora da nossa cidade de origem), e
concluiu o 1º período letivo com muita dificuldade. Já o levamos a
um psiquiatra, a um neurologista e também a um psicólogo. O (...)
usou fluoxetina 20mg e respiridona 2mg por um mês. Posteriormente
passou a usar sertralina 100mg, respiridona 1mg e rivotril,
inclusive o sublingual. Mesmo assim, parece que seu quadro só piorou
e seu sofrimento junto. A impresssão que temos é que a doença e seu
martírio não terão fim. Tanto, que ao tentar lutar contra o mal, ele
acaba ficando muito nervoso e descontrolado, a ponto de se esmurrar
e se debater, agredindo seu próprio corpo. Meu filho foi forçado,
com isto, a trancar ! sua matrícula na universidade federal, depois
de ser aprovado com muito esforço e alegria pois, além da
dificuldade de caminhar, subir e descer escadas, mudar de prédio
para assistir as aulas, e outras dificuldades mais, também tomou
pavor do campus onde estuda.
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| Pensamentos Obsessivos e Medicação Psiquiátrica |
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doutor nao tenho nenhuma mania a nao ser obsessao mental que nao me deixa em paz sao pensamentos e imagens que persistem nao sei o que fazer pois nem nos sonhos me deixam em paz tenho medo de tomar remedio enao adiantar o que fazer ajude me
Prezado amigo, permita-me fazer uma observação sobre esta sua afirmação: “nao tenho nenhuma mania a nao ser obsessao mental”. Na realidade, as obsessões são sempre mentais, ocorrendo que elas podem ou não se manifestar na forma de atos, atitudes ou comportamentos. Há casos em que o simples “medo de tomar remédio” pode ser uma manifestação da própria doença. As obsessões mentais (uma das principais características do Transtorno Obsessivo Compulsivo) podem ser terrivelmente atormentadoras e possuem o potencial de suscitar impressões falsas na mente (algo como um truque). Nos diversos casos que tenho tratado, a resposta à psicofarmacoterapia (tratamento com medicação, isoladamente ou combinada com psicoterapia) tem sido muito satisfatória. Penso que seria válido você reavaliar seu posicionamento diante dos medicamentos psiquiátricos, os quais tem podido melhorar, e em muito, a qualidade de vida de muitas pessoas (quando seu uso se justifica, evidentemente). Leve seus questionamentos ao seu psiquiatra e procure esclarecer com ele todas as suas dúvidas. Interessante, também a meu ver, seria que lhe fosse feita uma revisão diagnóstica (confirmar seu diagnóstico) a fim de detectar possível presença de comorbidade (presença de mais de um transtorno psiquiátrico). Não fique assustado e procure animar-se, pois há muito o que a Psiquiatria pode fazer para casos como o seu. Grato por seu contato e pela credibilidade a mim confiada. |
| TOC e Sofrimento. Idéias Intrusivas |
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Boa noite doutor, sou portadora de TOC há muitos anos, mas só foi descoberto quando tinha uns 16 anos. De uns anos pra cá sismo com coisas que eu mesma considero como absurdas, por exemplo agora sismei que posso ter engravidado por ter usado o vaso sanitário logo após meu irmão usar, na verdade eu não tenho certeza nem se ele usou, mas essa idéia me perturba, é como se fosse algo que "se acontecesse" ninguém iria acreditar e me acusariam, uma culpa, um medo de desconfian a das pessoas, so sei que sofro demais, me sinto como se tivesse feito algo absurdo e que todos me apontariam, penso o que seria de minha mãe já que somos só nós duas aqui em casa. Gostaria de alguma orientação e se conhece algum caso parecido.Desde já agradeço a atenção. (São Paulo)
Uma das características essenciais do Transtorno Obsessivo Compulsivo é o caráter irracional das idéias obsessivas. Há casos, por exemplo, em que o indivíduo acometido pela doença acredita que se não lavar as mãos determinado número de vezes, sua mãe morrerá sendo torturada, ou ele perderá sua perna, ainda que não haja nenhuma plausibilidade nessas idéias. É a doença se manifestando. É uma doença sobremaneira intrusiva e perturbadora, a qual requer tratamento psiquiátrico o quanto antes. Uma das características do TOC é a persistência da alternância entre idéias de certeza e de incerteza, algo perturbador, de fato! Se conheço casos como o seu? Bem piores, inclusive. Mas, tenha bom ânimo: Muitos pacientes terminam por se ver livres do TOC, com tratamento psiquiátrico adequado, e livres para sempre. Há excelentes tratamentos disponíveis hoje em dia! Gostaria de poder ajudá-la mais, mas é o que posso comentar por hora. |
| Transtorno Obsessivo Compulsivo - TOC |
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Eu gostaria de receber informações sobre a Psicoterapia Cognitiva para pessoas que possuem Transtorno Obsessivo-Compulsivo, pois eu venho sofrendo deste problema ja faz alguns anos. Também gostaria de saber o custo e qual a sua eficácia, pois eu ja andei conversando com alguns psicólogos que me falaram que o unico tratamento que apresenta resultados é esse. Ja sobre a questão do valor das sessões é muito importante para mim saber, e também qual seria a quantidade ideal para se fazer por semana, pois faz algum tempo que eu me mudei de Curitiba para o interior do estado (Ponta Grossa), ou seja, vou ter ainda mais o custo do meu deslocamento. Queria saber também se o atendimento pode ser feito no sábado, e em qual lugar seria, se é em alguma clinica, por exemplo, como também se existe convênio com algum plano de saúde.
Em nossa prática psiquiátrica utilizamos a combinação de Psicofarmacoterapia (o tratamento com medicamentos) e a Psicoterapia para o tratamento do TOC. Sobre a Psicoterapia Cognitiva ser o único tratamento que produz resultados para o tratamento do TOC, esta informação é discordante de nossa experiência clínica e discordante também de um considerável montante de literatura médica psiquiátrica de importante credibilidade internacional. Com relação aos atendimentos, por gentileza, ligue
ou escreva para o Consultório. |
| Transtorno Obsessivo Compulsivo - Sinais, Sintomas, Tratamentos - Causas |
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Tentarei ser breve. Desde que fui diagnosticado como sendo portador do TOC tenho tentado ler o máximo possível a respeito do tema. Mas minha dúvida e sobre a qual categoria identificável pertence o meu transtorno. Vou tentar resumir. Posso dizer com alguma tranquilidade que sou uma pessoas bem dotada intelectualmente e que com alguns talentos--como matemática e reflexões de cunho filosófico e político--considerados notórios pelos demais... Mas de uns 7 anos pra cá minhas preocupações morais e espirituais definitivamente comprometeram meu potencial e danificaram sobremaneira minha saúde. Sentimentos de perda e de culpa completamente despropositados (Para o senhor ter uma idéia, ainda penso numa moça por quem me apaixonei há onze anos e com a qual nunca tive nada!!!), rituais solitários de auto-julgamento pelas omissões e erros cometidos, melancolia irracional à menor lembrança de um evento passado, e etc.... Todos os meus pensamentos, repito, todos os meus pensamentos são interpretados por mim como acontecimentos grandiosos, de tal forma que me esforço ao máximo para não perdê-los. Imagine o esforço que é essa tentativa de documentar todo e qualquer pensamento!! Tenho centenas de páginas preenchidas com anotações e reflexões; das mais importantes até aquelas mais tolas e insignificantes. Se, por exemplo, converso com alguem e digo algo que considero fundamental não é incomum que a procura ruminante pelo tal pensamento indispensável venha me atormentar alguns dias depois. A questão é que todos os meus pensamentos tornaram-se indispensáveis e impressionantes. Se falo com uma moça e retiro dela um sorriso com alguma frase espirituosa, fatalmente irei tentar lembrar o que fez com que aquela garota se abrisse. Mas como tudo isso é cansativo e desgastante!! Enfim... Teria o senhor algo a dizer?
Sim amigo, tenho muito a lhe dizer, e teria ainda muito mais, não fossem as limitações com as quais aqui lidamos, dentre elas a proibição por parte do Conselho Federal de Medicina a que sejam feitas consultas online. É necessário um cuidado específico a fim de que não caiamos no objeto desta proibição. Não que eu a critique, pelo contrário, mas neste caso, torna-se a mesma em um fator limitante.
Primeiramente, minha solidariedade a você e atenção especial diante do sofrimento pelo qual você vem passando. Seu email com sua mensagem sobre o TOC é, até o momento, o mais profundo e o mais bem relatado que já recebi, e logo explicarei o porquê.
O que direi a seguir não pode ser considerado algo como que parte de um tratado sobre psiquiatria, até porque certamente haverá psiquiatras que discordarão de mim. Mas é fruto de anos de experiência profissional, frequência a congressos e jornadas em psiquiatria, vasta leitura de material científico, enfim, trata-se aqui de uma opinião profissional e pessoal, qual seja, eu elenco o Transtorno Obsessivo Compulsivo dentre as cinco doenças psiquiátricas que mais tormentos trazem às pessoas. Tenho visto casos impressionantes e muito tristes, sendo que o mais triste é o atraso com que muitas dessas pessoas começam a ser tratadas, diversas delas com evidentes manifestações de TOC desde a infância, mas que passaram desapercebidas, mal tratadas ou sem tratamento algum. Salvo casos de leves manifestações da Doença Obsessivo Compulsiva, não me lembro de casos graves de TOC que tenham sido curados sem uma profunda abordagem sobre diversos aspectos das vivências pessoais da pessoa, o que inclui aspectos morais, severos conflitos intra-psíquicos, lutas com a própria consciência, perfeccionismo motivado e até, em muitos casos, aspectos morais e relativos à espiritualidade, como você relata em sua mensagem.
Se o TOC fosse um transtorno psiquiátrico tão simples assim, não estariam hoje em pleno curso as cirurgias para tratamento do TOC. E isto sem falar no fato da indispensável e criteriosa busca por algum outro transtorno psiquiátrico associado ao TOC (comorbidade), o que tenho verificado não ser incomum.
Vou lhe dar um exemplo que tenho assistido, o de um paciente portador de TOC grave, o qual está sob os cuidados de outro médico, aliás, o melhor psiquiatra que conheço. De longe, o melhor médico que conheço e que é meu professor. Tudo o que sei, devo a ele. E digo isto com muito orgulho e humildade. E ainda que eu possua mais de duas décadas de experiência profissional, meu professor possui mais do que isso. Foi também desse mesmo professor que aprendi que a humildade é o segredo para o sucesso.
Pois bem, ele está tratando de um paciente portador de comorbidade TOC-Bipolaridade severos. O paciente em questão possui uma poderosa inclinação para a retidão, para a honestidade e se esmera por acertar em tudo o que faz. Possui uma visão moral e espiritual saudável. Todavia, como todo ser humano, possui falhas e defeitos, e um desses defeitos abrange aspectos morais. Quando manifesta surge a sua fraqueza, o TOC vem logo a seguir. Tal fraqueza normalmente só surge quando esse paciente faz uso de álcool, e já chegou à conclusão de que não lhe é nada saudável ingerir bebidas alcoólicas (é o que poderíamos chamar de um péssimo bebedor). E por mais irônico que possa parecer, o TOC, que nele surge em razão de manifestações de sua Bipolaridade, tem se manifestado quando ele tenta interromper o uso do álcool. É algo muito complexo, embora à primeira vista possa não parecer. Este paciente em questão já havia deliberado não mais beber (e também não mais se envolver em outros atos que lhe agridem a consciência e seus valores morais, éticos e espirituais). Mas por diversas vezes, após ter decidido não mais fazer nenhuma daquelas coisas, o TOC se manifesta como que lhe dizendo: “Você ainda não pode parar de fazer nenhuma dessas coisas, pois a situação (seja a posição em que se encontrava, seja o que lhe passava pela cabeça naquela hora, dentre outras coisas), “não se ajustavam às exigências do TOC para que aquela fosse considerada a última vez em que tal ato fosse realizado”. Por exemplo, se ele decidisse que aquele seria o último gole e o copo não estivesse na posição exata que “precisava estar”, a interrupção do hábito de beber não ocorria, senão até que outra oportunidade surgisse para que um outro último gole fosse dado "do modo correto", "na posição correta" e “sem falhas no último ato”. Após cada falha, seguiam-se episódios depressivos severos, autopunições, sensações de impotência e muita tristeza.
Evidentemente, isto é apenas parte do seu problema, pois pouco ou nada comentei a respeito de sua Bipolaridade. Mas veja que sofrimento! O homem desejoso de acertar, de fazer as coisas de modo correto e o TOC se interpondo com força suficiente para causar tamanho estrago e impedimento. Não conheço as profundidades desse caso, pois, como já dito, este paciente está sob os cuidados do meu professor, o qual, com a serenidade que lhe é peculiar me asseverou: Este caso já está bem próximo do seu fim. Sua cura é certa!
Citei este exemplo para lhe dizer que não considero o TOC como algo passível de ser reduzido ao binômio doença - medicamento, embora haja casos leves e simples onde apenas a medicação pode resolver o problema. Em casos graves, porém, jamais vi a cura do TOC com esse tipo de abordagem terapêutica, ainda mais porque em diversos casos de TOC severo a comorbidade está presente.
Vou finalizar deixando aqui algumas situações onde os ambientes interno e externo são favoráveis ao surgimento e ao desencadeamento de manifestações do Transtorno Obsessivo Compulsivo:
Na tenra idade: Ambientes de muita cobrança na infância, situações na infância e na adolescência onde o indivíduo se sente impotente para solucionar situações impossíveis de serem solucionadas nessa faixa etária por eles próprios, medo do fracasso por pressão dos pais ou de outros, desavenças familiares frequentemente presenciadas por crianças e adolescentes, abuso sexual, início precoce da sexualidade, sentimentos de rejeição e de inferioridade, hereditariedade, dentre outros.
Na idade adulta: conflitos com a consciência, intolerância ao fracasso, ansiedade pelo desfecho de situações que frequentemente são demoradas, perfeccionismo, narcisismo, sentimentos de culpa motivados, vícios, auto-estima comprometida, autopunições, prática de atos em desacordo com as exigências morais do indivíduo, práticas de atos em desacordo com as exigências espirituais aceitas pela pessoa, tentativas de reparar atos passados, comorbidades, hereditariedade, dentro outros.
É óbvio que o que foi elencado acima pode também estar relacionado a outros transtornos psiquiátricos, todavia, no caso específico do TOC, a identificação de tais fatores causadores, desencadeantes ou agravantes precisa estar em uma linha de tratamento psiquiátrico que tenha o TOC como o fator doença com o qual se está lidando, caso contrário, a coisa pode perder o rumo e corre-se o risco de se adentrar em um tratamento carente de coerência e de orientação adequada. Em cada caso, o uso de medicação deve ser avaliado cuidadosamente. E sobre a identificação da categoria na qual você se enquadra, as informações fornecidas por você são insuficientes para esta determinação, o que, aliás, só seria recomendável ser feito em situação de consulta. Grato por seu contato. |
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Médico Psiquiatra |
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