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Pergunte ao Psiquiatra Tire suas Dúvidas sobre Psiquiatria
Dr Eduardo Adnet - Médico Psiquiatra
Especialista Titulado Pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira
Gratos por sua visita! Desde que publicamos esta seção no site, temos recebido diversos emails com diferentes dúvidas e questionamentos sobre Transtornos Psiquiátricos, medicamentos, dentre outros assuntos relacionados com a Psiquiatria. Devido à importância de vários dos temas mencionados por nossos visitantes, gostaríamos de solicitar que, ao final de cada mensagem, a pessoa que nos enviar um email coloque, em baixo na mensagem, a autorização para que publiquemos aqui suas dúvidas. E isto para que outros também possam se beneficiar. Evidentemente, não divulgaremos nem o nome e nem o email do visitante, apenas as perguntas.
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Devido ao grande volume de emails que recebo, passei a agrupar as
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Médico Psiquiatra
Perguntas Relacionadas ao Transtorno Obsessivo Compulsivo - TOC
Ritual de Lavar as Mãos
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| Diagnóstico do TOC |
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| TOC Severo, Tratamento, Medidas Terapêuticas I |
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Prezado amigo, antes de tudo, tenha esperança em Deus! Quanto maior a proximidade com o nosso Criador, tanto mais haverá alívio, conforto e cura! Sobre o TOC. Ainda que seu diagnóstico esteja correto (você menciona o Transtorno Obsessivo Compulsivo), há sempre que se considerar a presença de mais de uma entidade psicopatológica em se tratando de casos resistentes aos tratamentos prescritos. Em meus anos profissionais, devo admitir que muito poucas vezes me surpreendi com transtornos psiquiátricos, mesmo estando diante de diversos deles, alguns muito severos e com manifestações clínicas bastante complexas. Minha atitude como médico psiquiatra sempre foi enfrentar os transtornos psiquiátricos cara a cara, sempre munido da boa técnica, da perseverança e do amor ao próximo. Digo isto pois tenho visto o terrível sofrimento que alguns portadores do TOC experimentam (uns sofrem menos, outros mais, e há uma relação óbvia no que diz respeito às intensidades e aos formatos das manifestações desta doença). Digo ao amigo que nem mesmo determinados casos muito graves de Esquizofrenia puderam me surpreender por suas manifestações clínicas, mas o TOC, admito, já me surpreendeu algumas vezes. E na medida em que os anos se vão passando e novos casos se me apresentam para tratamento, tanto mais se me torna clara a necessidade de uma avaliação sistemática e, por vezes, bastante profunda do estado da psiquê (da mente) e dos afetos de alguns desses pacientes. A visão deturpada do ser humano, que leva alguns a encarar o homem como se fosse uma mera máquina biológica, e nada além disso, a meu ver está na raiz do fracasso de muitos tratamentos. Não digo ser este o seu caso, pois poucas informações possuo sobre o seu caso e sobre as abordagens terapêuticas a que você foi submetido. Um recente estudo apresentado por um determinado psiquiatra brasileiro procura sugerir que não há muito proveito em se investigar conflitos intrapsíquicos na patogenia (a causa da doença) e na evolução do TOC. Discordo técnica e pessoalmente desse tipo de informação. Em diversos casos de TOC severo e resistente ao tratamento, tenho observado o importante papel que conflitos internos podem desempenhar nessa desagradabilíssima doença. Há muito a ser considerado sobre o TOC na hora da avaliação do paciente, no estabelecimento de seu tratamento e no seu seguimento terapêutico. Considero ainda que quanto mais protocolos para tratamentos psiquiátricos surgem, mais fria vai se tornando a psiquiatria. Há lugares que bem conheço que estipulam protocolos de tratamento mais ou menos assim: Para doença tal, medicamento X; se não surtir efeito, passa-se a medicamento Y, e assim por diante. Embora alguns desses protocolos possam servir para alguma coisa, pessoalmente não lhes sou nada simpático. O exercício da psiquiatria requer muito, mais muito mais do que a mecânica memorização de protocolos terapêuticos, sejam eles quais forem e venham de onde quer que tenham vindo. O ser humano é muito mais do que uma máquina, é uma criatura complexa e que sofre diante de tantos fatores que podem colaborar para o desencadeamento e/ou para o agravamento de transtornos psiquiátricos. E sobre o TOC, especificamente, sou ousado em admitir publicamente que minha experiência com esta doença não é apenas grande, mas é também de muitos anos, e conheço os “truques” que ela passa na mente de muitas pessoas. Por vezes, só a medicação não é o suficiente. Novamente lhe digo: tenha esperança! E sugiro-lhe que busque um psiquiatra que possua uma visão do ser humano não mecanizada (materialista e reducionista), mas sim ampla, profunda e amorosa, e que além disso, valorize os aspectos ultra-sensíveis que residem nas tênues fronteiras entre o que sejam o corpo, a mente e o espírito do ser humano. Meus sinceros votos de melhora rápida e de cura! Dr Eduardo Adnet Retorno: Muito, mas muito obrigado mesmo do fundo do meu coração, pela sua resposta e atenção. A minha esposa tem uma parte da família que mora em Curitiba e se eu tiver oportunidade, na próxima vez que eu estiver por aí tentarei marcar uma consulta. Mais uma vez muito obrigado, suas palavras me ajudaram muito. |
| TOC Severo, Tratamento, Medidas Terapêuticas II |
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| Pensamentos Obsessivos e Medicação Psiquiátrica |
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Prezado amigo, permita-me fazer uma observação sobre esta sua afirmação: “nao tenho nenhuma mania a nao ser obsessao mental”. Na realidade, as obsessões são sempre mentais, ocorrendo que elas podem ou não se manifestar na forma de atos, atitudes ou comportamentos. Há casos em que o simples “medo de tomar remédio” pode ser uma manifestação da própria doença. As obsessões mentais (uma das principais características do Transtorno Obsessivo Compulsivo) podem ser terrivelmente atormentadoras e possuem o potencial de suscitar impressões falsas na mente (algo como um truque). Nos diversos casos que tenho tratado, a resposta à psicofarmacoterapia (tratamento com medicação, isoladamente ou combinada com psicoterapia) tem sido muito satisfatória. Penso que seria válido você reavaliar seu posicionamento diante dos medicamentos psiquiátricos, os quais tem podido melhorar, e em muito, a qualidade de vida de muitas pessoas (quando seu uso se justifica, evidentemente). Leve seus questionamentos ao seu psiquiatra e procure esclarecer com ele todas as suas dúvidas. Interessante, também a meu ver, seria que lhe fosse feita uma revisão diagnóstica (confirmar seu diagnóstico) a fim de detectar possível presença de comorbidade (presença de mais de um transtorno psiquiátrico). Não fique assustado e procure animar-se, pois há muito o que a Psiquiatria pode fazer para casos como o seu. Grato por seu contato e pela credibilidade a mim confiada. |
| TOC e Sofrimento. Idéias Intrusivas |
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Uma das características essenciais do Transtorno Obsessivo Compulsivo é o caráter irracional das idéias obsessivas. Há casos, por exemplo, em que o indivíduo acometido pela doença acredita que se não lavar as mãos determinado número de vezes, sua mãe morrerá sendo torturada, ou ele perderá sua perna, ainda que não haja nenhuma plausibilidade nessas idéias. É a doença se manifestando. É uma doença sobremaneira intrusiva e perturbadora, a qual requer tratamento psiquiátrico o quanto antes. Uma das características do TOC é a persistência da alternância entre idéias de certeza e de incerteza, algo perturbador, de fato! Se conheço casos como o seu? Bem piores, inclusive. Mas, tenha bom ânimo: Muitos pacientes terminam por se ver livres do TOC, com tratamento psiquiátrico adequado, e livres para sempre. Há excelentes tratamentos disponíveis hoje em dia! Gostaria de poder ajudá-la mais, mas é o que posso comentar por hora. |
| Transtorno Obsessivo Compulsivo - TOC |
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Em nossa prática psiquiátrica utilizamos a combinação de Psicofarmacoterapia (o tratamento com medicamentos) e a Psicoterapia para o tratamento do TOC. Sobre a Psicoterapia Cognitiva ser o único tratamento que produz resultados para o tratamento do TOC, esta informação é discordante de nossa experiência clínica e discordante também de um considerável montante de literatura médica psiquiátrica de importante credibilidade internacional.
Com relação aos atendimentos, por gentileza, ligue
ou escreva para o Consultório. |
| Transtorno Obsessivo Compulsivo - Sinais, Sintomas, Tratamentos - Causas |
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Sim amigo, tenho muito a lhe dizer, e teria ainda muito mais, não fossem as limitações com as quais aqui lidamos, dentre elas a proibição por parte do Conselho Federal de Medicina a que sejam feitas consultas online. É necessário um cuidado específico a fim de que não caiamos no objeto desta proibição. Não que eu a critique, pelo contrário, mas neste caso, torna-se a mesma em um fator limitante.
Primeiramente, minha solidariedade a você e atenção especial diante do sofrimento pelo qual você vem passando. Seu email com sua mensagem sobre o TOC é, até o momento, o mais profundo e o mais bem relatado que já recebi, e logo explicarei o porquê.
O que direi a seguir não pode ser considerado algo como que parte de um tratado sobre psiquiatria, até porque certamente haverá psiquiatras que discordarão de mim. Mas é fruto de anos de experiência profissional, frequência a congressos e jornadas em psiquiatria, vasta leitura de material científico, enfim, trata-se aqui de uma opinião profissional e pessoal, qual seja, eu elenco o Transtorno Obsessivo Compulsivo dentre as cinco doenças psiquiátricas que mais tormentos trazem às pessoas. Tenho visto casos impressionantes e muito tristes, sendo que o mais triste é o atraso com que muitas dessas pessoas começam a ser tratadas, diversas delas com evidentes manifestações de TOC desde a infância, mas que passaram desapercebidas, mal tratadas ou sem tratamento algum. Salvo casos de leves manifestações da Doença Obsessivo Compulsiva, não me lembro de casos graves de TOC que tenham sido curados sem uma profunda abordagem sobre diversos aspectos das vivências pessoais da pessoa, o que inclui aspectos morais, severos conflitos intra-psíquicos, lutas com a própria consciência, perfeccionismo motivado e até, em muitos casos, aspectos morais e relativos à espiritualidade, como você relata em sua mensagem.
Se o TOC fosse um transtorno psiquiátrico tão simples assim, não estariam hoje em pleno curso as cirurgias para tratamento do TOC. E isto sem falar no fato da indispensável e criteriosa busca por algum outro transtorno psiquiátrico associado ao TOC (comorbidade), o que tenho verificado não ser incomum.
Vou lhe dar um exemplo que tenho assistido, o de um paciente portador de TOC grave, o qual está sob os cuidados de outro médico, aliás, o melhor psiquiatra que conheço. De longe, o melhor médico que conheço e que é meu professor. Tudo o que sei, devo a ele. E digo isto com muito orgulho e humildade. E ainda que eu possua mais de duas décadas de experiência profissional, meu professor possui mais do que isso. Foi também desse mesmo professor que aprendi que a humildade é o segredo para o sucesso.
Pois bem, ele está tratando de um paciente portador de comorbidade TOC-Bipolaridade severos. O paciente em questão possui uma poderosa inclinação para a retidão, para a honestidade e se esmera por acertar em tudo o que faz. Possui uma visão moral e espiritual saudável. Todavia, como todo ser humano, possui falhas e defeitos, e um desses defeitos abrange aspectos morais. Quando manifesta surge a sua fraqueza, o TOC vem logo a seguir. Tal fraqueza normalmente só surge quando esse paciente faz uso de álcool, e já chegou à conclusão de que não lhe é nada saudável ingerir bebidas alcoólicas (é o que poderíamos chamar de um péssimo bebedor). E por mais irônico que possa parecer, o TOC, que nele surge em razão de manifestações de sua Bipolaridade, tem se manifestado quando ele tenta interromper o uso do álcool. É algo muito complexo, embora à primeira vista possa não parecer. Este paciente em questão já havia deliberado não mais beber (e também não mais se envolver em outros atos que lhe agridem a consciência e seus valores morais, éticos e espirituais). Mas por diversas vezes, após ter decidido não mais fazer nenhuma daquelas coisas, o TOC se manifesta como que lhe dizendo: “Você ainda não pode parar de fazer nenhuma dessas coisas, pois a situação (seja a posição em que se encontrava, seja o que lhe passava pela cabeça naquela hora, dentre outras coisas), “não se ajustavam às exigências do TOC para que aquela fosse considerada a última vez em que tal ato fosse realizado”. Por exemplo, se ele decidisse que aquele seria o último gole e o copo não estivesse na posição exata que “precisava estar”, a interrupção do hábito de beber não ocorria, senão até que outra oportunidade surgisse para que um outro último gole fosse dado "do modo correto", "na posição correta" e “sem falhas no último ato”. Após cada falha, seguiam-se episódios depressivos severos, autopunições, sensações de impotência e muita tristeza.
Evidentemente, isto é apenas parte do seu problema, pois pouco ou nada comentei a respeito de sua Bipolaridade. Mas veja que sofrimento! O homem desejoso de acertar, de fazer as coisas de modo correto e o TOC se interpondo com força suficiente para causar tamanho estrago e impedimento. Não conheço as profundidades desse caso, pois, como já dito, este paciente está sob os cuidados do meu professor, o qual, com a serenidade que lhe é peculiar me asseverou: Este caso já está bem próximo do seu fim. Sua cura é certa!
Citei este exemplo para lhe dizer que não considero o TOC como algo passível de ser reduzido ao binômio doença - medicamento, embora haja casos leves e simples onde apenas a medicação pode resolver o problema. Em casos graves, porém, jamais vi a cura do TOC com esse tipo de abordagem terapêutica, ainda mais porque em diversos casos de TOC severo a comorbidade está presente.
Vou finalizar deixando aqui algumas situações onde os ambientes interno e externo são favoráveis ao surgimento e ao desencadeamento de manifestações do Transtorno Obsessivo Compulsivo:
Na tenra idade: Ambientes de muita cobrança na infância, situações na infância e na adolescência onde o indivíduo se sente impotente para solucionar situações impossíveis de serem solucionadas nessa faixa etária por eles próprios, medo do fracasso por pressão dos pais ou de outros, desavenças familiares frequentemente presenciadas por crianças e adolescentes, abuso sexual, início precoce da sexualidade, sentimentos de rejeição e de inferioridade, hereditariedade, dentre outros.
Na idade adulta: conflitos com a consciência, intolerância ao fracasso, ansiedade pelo desfecho de situações que frequentemente são demoradas, perfeccionismo, narcisismo, sentimentos de culpa motivados, vícios, auto-estima comprometida, autopunições, prática de atos em desacordo com as exigências morais do indivíduo, práticas de atos em desacordo com as exigências espirituais aceitas pela pessoa, tentativas de reparar atos passados, comorbidades, hereditariedade, dentro outros.
É óbvio que o que foi elencado acima pode também estar relacionado a outros transtornos psiquiátricos, todavia, no caso específico do TOC, a identificação de tais fatores causadores, desencadeantes ou agravantes precisa estar em uma linha de tratamento psiquiátrico que tenha o TOC como o fator doença com o qual se está lidando, caso contrário, a coisa pode perder o rumo e corre-se o risco de se adentrar em um tratamento carente de coerência e de orientação adequada. Em cada caso, o uso de medicação deve ser avaliado cuidadosamente. E sobre a identificação da categoria na qual você se enquadra, as informações fornecidas por você são insuficientes para esta determinação, o que, aliás, só seria recomendável ser feito em situação de consulta. Grato por seu contato. |
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