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Pergunte ao Psiquiatra Tire suas Dúvidas sobre Psiquiatria
Dr Eduardo Adnet - Médico Psiquiatra
Especialista Titulado Pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira
Gratos por sua visita! Desde que publicamos esta seção no site, temos recebido diversos emails com diferentes dúvidas e questionamentos sobre Transtornos Psiquiátricos, medicamentos, dentre outros assuntos relacionados com a Psiquiatria. Devido à importância de vários dos temas mencionados por nossos visitantes, gostaríamos de solicitar que, ao final de cada mensagem, a pessoa que nos enviar um email coloque, em baixo na mensagem, a autorização para que publiquemos aqui suas dúvidas. E isto para que outros também possam se beneficiar. Evidentemente, não divulgaremos nem o nome e nem o email do visitante, apenas as perguntas.
LEIA ISTO COM ATENÇÃO ANTES DE ENVIAR SUA PERGUNTA! Por normatização do Conselho Federal de Medicina, Não são Permitidas Consultas Online, mas apenas esclarecimentos de dúvidas de caráter genérico com vistas a utilidades informativas. Para situações que envolvam demasiada especificidade pessoal na pergunta, não há como substituir a consulta com o médico psiquiatra.
As perguntas enviadas são selecionadas para resposta, e somente serão respondidas as perguntas que puderem suscitar respostas para benefício dos visitantes do site no que diz respeito a uma melhor compreensão de assuntos ligados à Psiquiatria.
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Perguntas Relacionadas ao Transtorno do Humor Bipolar - Bipolaridade
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| Diagnóstico do Transtorno Bipolar e Tratamento |
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Em Psiquiatria, bem como
em toda a Medicina, a chave inicial para um bom tratamento é o
diagnóstico correto. Você diz que seu Psiquiatra afirma que você é
portadora de Transtorno Bipolar. Todavia, parece haver uma certa
hesitação de sua parte ao mencionar seu diagnóstico. |
| Transtorno Bipolar, Personalidade, Temperamento e Caráter |
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A correta percepção da realidade interna e externa a uma pessoa é algo de fundamental importância para que medidas sejam tomadas visando uma qualidade de vida cada vez melhor. Ocorre, todavia, que por vezes essa percepção da realidade (a correta compreensão de como a pessoa se encontra inserida na realidade da vida) pode estar comprometida, seja pela doença, seja por carência de informações sobre o estado de saúde psíquica e afetiva do indivíduo. É papel indissociável do exercício da psiquiatria a correta orientação do paciente no sentido da melhor compreensão possível sobre seu modo de se expressar diante da realidade da existência. Isto se chama de psicoeducação. Partindo do pressuposto de que seu diagnóstico esteja correto, um dos principais alvos do tratamento da Bipolaridade é, justamente, a modulação do humor com vistas à supressão de eventos críticos, sejam eles pertencentes ao pólo maníaco (eufórico) ou ao pólo depressivo da doença. Isto feito e estabilizado o quadro clínico do paciente, o objetivo é conquistar essa estabilidade ad perpetuam, ou seja, para o resto da vida. E isto é possível! Já sobre considerações sobre personalidade e caráter, estes são tópicos distintos, haja vista que a Bipolaridade compromete, essencialmente, o humor e o temperamento. É minha opinião que também o caráter pode ser investigado em um trabalho que, de certo modo, transcende o que poderíamos chamar de exercício regular da atividade psiquiátrica. Porém, pode ser feito. O importante é que não confundamos comportamentos diretamente relacionados ao Transtorno do Humor Bipolar com manifestações e expressões sejam da personalidade, sejam do caráter pessoal de cada um. Este é um trabalho que dá melhores resultados após a estabilização da doença de base, nesse caso o THB. Estimo-lhe rápida e pronta recuperação, assim como uma excelente visualização e leitura de sua realidade de fato! Grato por seu contato! |
| Transtorno Bipolar, uso de Drogas e Internação |
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Pela importância do tema, me alongarei nesta resposta. Parece ser um fato cada vez melhor estudado e documentado que existe uma relação estreita entre Bipolaridade e comportamentos de risco, dentre os quais se inclui o uso de drogas ilícitas, sobretudo os psicotrópicos ilícitos com ações euforizantes como a cocaína e seu derivado mais perverso, o crack. Em havendo a indicação para a internação (seja devido a manifestações clínicas do Transtorno Bipolar, seja pelo uso de drogas ilícitas, ou por ambas as situações), sua observação está correta, há sim a necessidade de um tratamento de seguimento pela psiquiatria, na maioria das vezes com a utilização de medicamentos. E há robusta documentação técnica, internacionalmente reconhecida, que sustenta a grande eficácia psicofarmacoterapêutica (o tratamento com medicamentos) na abordagem de pacientes bipolares e usuários de psicoativos de uso ilícito. Em minha experiência, todavia, tem sido muito mais necessário recorrer ao tratamento em regime de internação devido ao uso de drogas do que pela Bipolaridade, cujas manifestações clínicas (algumas delas) também podem justificar tratamento com internação, com adequado suporte da Psiquiatria. As internações convêm sejam de curta permanência, sendo que a resposta do paciente ao tratamento instituído, bem como sua estabilização clínica, estão entre os parâmetros mais importantes na hora de se avaliar o tempo necessário do tratamento em regime de internação. Ocorre, todavia, que a situação acima descrita parte do pressuposto de que o paciente tenha recebido uma atenção e um tratamento de boa qualidade (o excelente é o desejável), situação cada vez mais difícil de ocorrer desde a instauração da chamada “luta antimanicomial”, um movimento político e ideológico que tem promovido uma desassistência generalizada a quem precisa de internação psiquiátrica em hospitais e em clínicas vinculados ao SUS. Muitos desses pacientes, os quais poderiam estar internados e recebendo uma assistência digna e de qualidade, hoje perambulam pelas ruas como mendigos, são recolhidos a presídios juntamente com marginais perigosos, morrem atropelados e em consequência de tantas outras lamentáveis situações que poderiam ser evitadas. Ressalte-se, todavia, que diversas clínicas e hospitais que tratam pacientes psiquiátricos (me refiro às tecnicamente qualificadas) têm se mantido como heroínas frente a uma das mais desastradas administrações públicas, no que tange à saúde mental, que já se assistiu na história brasileira. Esta é uma das razões pelas quais muitos psiquiatras estão abandonando o serviço público, pois por mais qualificados tecnicamente que sejam estes colegas médicos, os ambientes relacionados à psiquiatria e administrados com recursos do SUS estão em uma situação muito preocupante, e por que não dizer alarmante. Recursos aqui se refere a dinheiro e também a material humano. As honrosas exceções falam por si só e não necessitam de defesa alguma. Ainda sobre as internações psiquiátricas, é minha opinião técnica que a instituição dos chamados "protocolos de tratamentos", uma tentativa de nivelar, categorizar e homogeneizar as abordagens de tratamentos em psiquiatria, correm o sério risco de nivelar por baixo a qualidade da assistência prestada em saúde mental. Conheço diversos desses protocolos, e muitos deles recorrem às medicações de menor custo, muitas delas francamente ultrapassadas diante de medicamentos psiquiátricos mais modernos e mais eficazes. E por último, sobre as chamadas equipes terapêuticas (enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, dentre outras categorias profissionais) que trabalham conjuntamente com psiquiatras nos cuidados a pacientes psiquiátricos, é fundamental que os integrantes dessas equipes estejam completamente desvinculados de indicações políticas. Que suas posições sejam alcançadas por méritos técnicos e pessoais, não por apadrinhamentos políticos de qualquer ordem. Quem conhece a realidade dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) Brasil afora, sabe bem a que me refiro. É o que, por hora, posso comentar. Grato por seu contato.
"A qualidade da vida de uma pessoa está em direta proporção com o seu grau de comprometimento com a excelência, independentemente de sua área de atuação." Vince Lombardi (Treinador e campeão de futebol americano; em sua homenagem, até hoje é concedido o Troféu Vince Lombardi). |
| Bipolaridade e Afetos |
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Ainda que eu não esteja me referindo, diretamente, à pessoa por você mencionada, vale lembrar que há muito mais gente doente, sofrendo de transtornos psiquiátricos, do que se imagina. Infelizmente, as estatísticas feitas no Brasil sobre portadores de transtornos mentais são pessimamente elaboradas, dissonantes da realidade e, o que é pior, servem para mascarar um sistema de saúde pública que se encontra entre os piores do planeta! O Brasil ocupa a 125ª posição no rank internacional de bom desempenho dos sistemas públicos de saúde, e sua péssima colocação chega a ser inferior a países como El Salvador, o qual ocupa a 115ª posição. Agradeçam aos políticos em quem vocês têm votado!
Após esta introdução, vem o que é o mais importante: sejam pessoas sadias, física ou mentalmente, ou doentes, o fato é que algum grau de adaptação amorosa e condescendente é requerido daqueles que lidam com portadores de transtornos psiquiátricos. Costumo dizer que o apoio sincero e desinteressado dos familiares e de pessoas amigas para com os que sofrem, seja de transtornos psiquiátricos severos, moderados ou leves, pode significar até mesmo 90% do sucesso do tratamento. Não há nada pior do que a doença associada à solidão, ao desamparo e ao preconceito.
Embora existam tratamentos espetacularmente eficazes para a Bipolaridade, não podemos deixar de admitir que há casos rebeldes ao tratamento e há, ainda, situações onde os compromissos do tratamento, além de trabalhosos, comprometem, direta ou indiretamente, os entes queridos. E é, precisamente, nessas horas que se pode aquilatar o valor dos afetos que alguém diz possuir e dirigir a um portador de transtorno psiquiátrico. Lembrando, ainda, que não existe consenso na comunidade científica internacional ligada à Psiquiatria sobre se existe, de fato, cura definitiva para a Bipolaridade. Aqui dou minha opinião, e em minha opinião, fundamentada em 21 anos de atividade profissional, é que há! Ainda mais porque quando se fala em Bipolaridade, necessariamente há que se adentrar no conceito do Espectro Bipolar, um território ainda não completamente explorado e que comporta pessoas que apresentam características da doença bipolar sem que sejam, necessariamente, bipolares autênticos ou estritos. Os diagnósticos da Classificação Internacional de Doenças (CID) são chamados de diagnósticos categoriais pragmáticos, e ainda são, sobremodo, um tanto quanto repletos de inespecificidades e de imprecisões. Espera-se que, com o tempo, esta classificação evolua, que ainda mais se sofistique e que se torne melhor.
Em seu relato, chama a atenção o fato de você ter dito que a pessoa em foco segue à risca o tratamento prescrito pelo psiquiatra. Todavia, a incongruência do relato sugere ou que a pessoa a quem você se refere ou ainda não entrou no que chamamos de fase de estabilização da doença, ou que o tratamento esteja, de certo modo, sendo ineficaz.
Boa técnica, habilidade profissional, adesão do paciente ao tratamento, prescrição medicamentosa adequada são, indubitavelmente, ingredientes indispensáveis para o sucesso de um tratamento psiquiátrico bem conduzido. Todavia, tenho a dizer que o amor, o carinho e a compreensão podem ter um poder de cura muito mais poderoso do que a própria ciência compreende e admite. |
| Lamotrigina e Suspeita de Bipolaridade |
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Prezada Sra, "suspeita de Bipolaridade", pelo menos aos meus ouvidos, é algo que não soa bem. Evidentemente, nem sempre é possível se firmar um diagnóstico de certeza na primeira avaliação. Todavia, há que se ter muito cuidado com diagnósticos mal feitos e com orientações pobres fornecidas aos pacientes. A Lamotrigina é uma droga antiepiléptica e que também pode ser usada como coadjuvante no tratamento de pacientes que necessitam de estabilização do humor. Todavia, o que pode determinar o diagnóstico correto é a avaliação do médico psiquiatra. Lembrando, ainda, que existem pacientes que sofrem de comorbidades, ou seja, da presença de mais de um transtorno psiquiátrico associado. |
| Transtorno Bipolar, Tratamento e Vida Normal |
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Prezado amigo, desde que o diagnóstico do THB tenha sido bem feito e o tratamento adequado instituído, é nossa experiência que estas pessoas podem, sim, viver uma vida normal, produtiva e feliz. No entanto, o acompanhamento psiquiátrico periódico é aconselhável, visto tratar-se de uma doença crônica. Grato pelo contato! |
| Eu acho que não tenho o Transtorno do Humor Bipolar - THB |
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Psicoeducação é um termo que engloba, dentre outras coisas, a correta elucidação do paciente sobre diversos aspectos envolvidos no diagnóstico e no tratamento do indivíduo. Assim como em outras especialidades médicas, o paciente tem o direito de ter acesso a quantas informações possa, até que compreenda, de modo satisfatório, o que se passa com ele (o que inclui, como já dito, diagnóstico e tratamento). Casos como o que você relata não são incomuns, e o primeiro passo a ser tomado é buscar uma conversa e um diálogo com o psiquiatra a fim de esclarecer todas as dúvidas. Também assim como em outras especialidades médicas, ouvir uma segunda opinião é algo perfeitamente normal, caso isso se faça necessário. |
| Transtorno Bipolar e Internação - Resposta em Áudio |
| Bipolaridade, Sofrimento da Família, Comorbidade e Grupos de Apoio |
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Prezada senhora, li com atenção suas palavras e a construção de seu relato sofrido. Sua mensagem é rica em detalhes importantes e alguns deles comentarei. Primeiramente, essa sensação de tristeza que pessoas acometidas por algum transtorno psiquiátrico sentem ao magoarem seus entes mais queridos deve ser avaliada com cuidado a fim de que não entre em cena a autopunição. A maioria das pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos, sejam eles leves ou severos, não têm culpa de portá-los. Muitas das vezes tratam-se de manifestações hereditárias e se formos começar a culpar a nós mesmos e nos infligirmos sofrimentos, teremos que chegar em Adão e Eva. O enfrentamento da doença com fé, coragem, disciplina, boa técnica, sabedoria, ciência e persistência é o que gratifica e que traz bons resultados.
Todos nós, em nosso dia a dia, logo ao sairmos para o trabalho ou estudos, vestimos uma máscara social que nos desfigura, pois não somos aquilo. Mas precisamos vestir fantasias pois as solicitações desse mundo hipócrita assim nos aflige a agir. Embora jamais devamos abrir mão de nossa autenticidade, honestidade e integridade. Mas com nossos familiares, somos quem somos, não vestimos trajes “politicamente corretos” e não necessitamos de máscaras diante deles. Por isso é que são os nossos entes mais queridos aqueles que nos vêem verdadeiramente como somos. E nem tudo o que somos em nossa totalidade é belo. Mas diante disso, podemos ter a certeza de que somos amados por eles e que também os amamos, ainda que nossas manifestações de carinho para com eles não seja a que desejaríamos que sempre fosse. Mas o que eles mesmos desejam é que estejamos bem, saudáveis, ainda que eles tenham que sofrer juntamente conosco. Sobre os grupos de apoio, sim, eles existem e possuem sua importância e papel. Todavia, considero haver algo que me preocupa sobre esses grupos (algo ainda em seu início, historicamente falando em se tratando de Transtorno do Humor Bipolar). E o que me preocupa são pessoas com diagnósticos mal feitos convivendo com pessoas que são, de fato, bipolares. Sem medo de errar, afirmo que a maioria das pessoas que me procura no consultório afirmando serem bipolares, ou não são portadoras deste transtorno, ou são portadoras de comorbidade, ou seja, há outro (ou outros) transtornos envolvidos e disto elas não foram informadas. Amanhã de manhã, estarei sendo entrevistado em uma rádio de Curitiba, e se houver a oportunidade, não só falarei sobre isto, mas procurarei disponibilizar a entrevista no site. Refiro-me a pacientes que são equivocadamente diagnosticados como sendo bipolares (porém, como já dito, ou não são bipolares coisíssima nenhuma, ou vêm sendo tratados sem que tenha sido levada em conta alguma comorbidade ativa) e que saem de outros consultórios como que vestindo uma camiseta “Eu sou Bipolar”, e se fartam de informações sobre o Transtorno do Humor Bipolar incorporando em suas mentes o que podem e o que não deveriam sobre esta doença. O seu próprio relato sugere, fortemente, a presença de comorbidade. Mas não se deixe impressionar, e nem fique preocupada, pois abaixo explicitarei de modo a que você possa compreender melhor o que estou dizendo.
Lembro-me de uma paciente que apresentava uma lesão supurativa em uma das mamas. Era enfermeira, e como trabalhávamos no mesmo hospital no Rio de Janeiro, ela me mostrou a lesão e a secreção purulenta. Já havia sido consultada por outro médico que lhe prescreveu um antibiótico específico. Passadas algumas semanas, ela tornou a me procurar e a lesão não tinha praticamente mais nenhuma secreção. Só que havia um problema: não cicatrizava de jeito nenhum. Para encurtar o relato, o que aquela senhora tinha era tuberculose cutânea, e o tratamento que ela havia feito no início apenas amenizou uma infecção secundária, pois a doença primária, a tuberculose, não havia sido diagnosticada corretamente (e logo não foi inicialmente tratada corretamente). Somente após o diagnóstico preciso e com a medicação específica foi que sumiram, de vez, não só as secreções, mas a própria ferida principal, a qual cicatrizou por completo. O diagnóstico inicial daquela senhora era mastite/piodermite. E ela assumiu a doença e passou a se tratar. Todavia, a piodermite naquele caso era secundária a uma doença que ela nem sabia que existia, a tuberculose cutânea. Digamos que ela passasse a frequentar um grupo de apoio a portadores de mastite/piodermite e visse que outras pessoas melhoravam e ela não. E pense também no impacto negativo que as outras senhoras teriam vendo que sua evolução clínica não era boa. E imagine a situação inversa, uma senhora frequentando um grupo de apoio para portadoras de tuberculose cutâneo-mamária sendo que, na realidade, era portadora de uma simples mastite? As dificuldades e as complexidades envolvidas na hora de se estabelecer um diagnóstico correto e preciso em psiquiatria estão entre os motivos porque muitos médicos não desejem ser psiquiatras. Sendo assim, pelo menos até a presente data, não possuo um corpo de informações suficientes sobre nenhum grupo de apoio que lhe possa sugerir para o seu caso. Caso eu encontre algum que satisfaça meu rigor nesse sentido, anunciarei nos meus sites. O que recomendo, seja dentro ou fora da psiquiatria, é que se a doença for crônica, o acompanhamento deve ser ininterrupto, até a cura ou um controle satisfatório da doença, seja ela qual for. É o que lhe posso dizer por hora. Grato pelo contato. |
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Transtorno Bipolar e Caráter |
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Prezada Sra, me aterei a lhe responder apenas sobre suas indagações sobre o Transtorno Bipolar, pois não penso ser conveniente traçar aqui qualquer consideração sobre o comportamento específico de seu marido (ou ex-marido?). Portanto, que aqui fique bem claro: o que estarei afirmando será sobre algumas manifestações da Doença Bipolar, nada que diga respeito, especificamente, ao seu cônjuge. Existem comportamentos passíveis de ocorrer no Transtorno do Humor Bipolar quando o indivíduo entra no que chamamos de fase maníaca da doença. Nessa fase, algumas pessoas portadoras do THB podem ficar superagitadas, com o pensamento bastante acelerado, inquietas, podem se envolver em comportamentos de risco (dirigir em alta velocidade, beber em excesso, usar drogas, gastarem de modo nada prudente, e também podem se envolver em comportamentos sexuais promíscuos). Todavia, isto não é uma regra, mas uma possibilidade para quem sofre desse transtorno psiquiátrico. Há portadores do THB que jamais chegam a situações assim. Seja lá como for, com um diagnóstico preciso e com o tratamento adequado, a melhora, muitas vezes, é bastante satisfatória. Lembre-se de que estamos falando de uma doença crônica, a qual pode chegar a durar vários anos. A ciência psiquiátrica avança cada vez mais rumo à cura do THB. Sobre se o Transtorno Bipolar tem cura, há algumas observações que escrevi aqui. Já sobre maldade, como você indaga, esta nada tem a ver com a Doença Bipolar. Maldade, perversidade, desonestidade são atributos negativos do caráter de muitas pessoas. O caráter não é influenciado por doença alguma, até porque quando falamos em caráter, estamos indo além dos limites da Psiquiatria. Caráter e personalidade não são a mesma coisa, e embora a Psiquiatria também se ocupe do tratamento dos Transtornos da Personalidade, seus limites de alcance são incapazes de lidar com o caráter do ser humano. Fazer o bem ou fazer o mal, ser bom ou ser mau, ter um bom ou um mau caráter, envolve questões morais e existenciais que estão muito mais para a Teologia do que para a Psiquiatria. Em minha experiência clínica, tenho observado que há pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos severos, como a Esquizofrenia, por exemplo, e que são dóceis e mansas. E embora essa observação não se constitua em nenhuma regra fixa, há pessoas mentalmente saudáveis, intelectualmente privilegiadas, não apresentam transtorno psiquiátrico algum, porém são pessoas más, arrogantes e egoístas e que não hesitam em fazer mal ao próximo. Sumarizando: transtornos mentais devem ser vistos de modo distinto quando também se deseja avaliar o caráter das pessoas. |
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Transtorno Bipolar - Estatísticas - Famosos Portadores de THB |
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Nações como os EUA, Austrália e alguns países europeus possuem estatísticas atualizadas sobre a prevalência de transtornos psiquiátricos em seus países. Lamentavelmente, as estatísticas produzidas pelo Ministério da Saúde no Brasil são muito mal elaboradas, frequentemente desatualizadas e, não raramente, contaminadas com propaganda política e ideológica. Possuo algumas informações estatísticas em meus sites. Algumas delas podem ser acessadas aqui. Estima-se que cerca de 4% da população mundial de adultos seja portadora do Transtorno do Humor Bipolar (dados fornecidos pela ABSSN australiana). Dados da Depression and Bipolar Support Alliance dos EUA sugerem que cerca de 6 milhões de norte-americanos adultos sofram do THB e que de 10 a 25 por cento dos indivíduos diagnosticados como sendo portadores de Transtornos Depressivos sejam na realidade bipolares. Não creio ser tarefa fácil (se não impossível) encontrar estatísticas oficiais precisas e fidedignas no Brasil sobre a prevalência e sobre a incidência do THB pelas razões já supra-citadas. Além do que, o Ministério da Saúde do Brasil, em seu setor de Saúde Mental, parece apenas se preocupar com o que eles chamam de "Reforma Psiquiátrica" (a tal luta antimanicomial) que nada tem a ver com Reforma Psiquiátrica, mas sim com a adoção de políticas de saúde pública pavorosamente elaboradas e instituídas e com resultados práticos mais apavorantes ainda. Outro dado curioso, é que após a elaboração de determinados documentos, tais como as Conferências de Saúde Mental, apresentam em seu final nomes e funções dos elaboradores de tais documentos (coordenador disso, secretário daquilo, representante daquilo outro, etc.) sem contudo especificar a FORMAÇÃO ACADÊMICA dessas pessoas. Quem são essas pessoas que elaboram esses documentos? São enfermeiros, psicólogos, dentistas, médicos, pipoqueiros, massagistas, manicures, cabos eleitorais? Como saber? Isto depõe desfavoravelmente contra esse tipo de publicação, pois ficam a pairar dúvidas sobre a real capacitação técnica dessas pessoas a fim de que possam, de fato, entender sobre o que estão escrevendo e publicando. Logo, como encontrar material estatístico de qualidade sobre Saúde Mental no Brasil é algo que desconheço. A exceção fica para trabalhos individuais de qualidade produzidos por pesquisadores esforçados e também para material fidedigno publicado pela Associação Brasileira de Psiquiatria, que não é um órgão governamental. Sobre pessoas famosas portadoras de THB, tratam-se de avaliações retrospectivas que buscam identificar sinais deste ou daquele transtorno mental em pessoas cujas expressões de comportamento sugeriam serem elas pessoas doentes, tais como Edgar Allan Poe, Honoré de Balzac, Johan Wolfang von Goethe, Vincent Van Gogh, Fjodor Dostojevskij, Leone Tolstoj, Ernest Hemingway, Michelangelo Buonarroti, Marylin Monroe, Maria Callas, Christina Onassis, dentre outros. Todavia, se não houver registros históricos oficiais sobre o estado mental destas pessoas, ou prontuários médicos tornados públicos por familiares destes personagens históricos, restará sempre uma grande lacuna para comportar fortes doses de especulação.
Grato por seu contato! |
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Transtorno do Humor Bipolar e Genética
As causas do Transtorno do Humor Bipolar não
foram até hoje completamente esclarecidas, embora hoje muito já se
conheça sobre essa entidade psicopatológica. Estudos recentes têm
sugerido que pelo menos 80% das pessoas portadoras do THB possuem
história familiar com a presença de Bipolaridade e Depressões.
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Transtorno Bipolar? Depressão? Ciúme Patológico? Paranóia? O Diagnóstico em Psiquiatria
Sua mensagem é um bom exemplo de como o diagnóstico de Transtornos Mentais, Afetivos e Comportamentais deve ser deixado a cargo do especialista. Muitas vezes pode estar presente a angústia, não só pelo que se está passando, mas também para se saber o porquê do comportamento que está afetando a vida de uma pessoa de nosso convívio próximo. Por essa razão buscam-se informações. Seus questionamentos são compreensíveis em se observando seu relato. Todavia, você menciona diagnósticos distintos em Psicopatologia. Existem muitos casos da presença de mais de um transtorno psiquiátrico (comorbidade) acometendo uma pessoa. E isto pode ou não ser o caso. A avaliação psiquiátrica acurada deve ser feita explicando-se à pessoa as possíveis variações anormais de seu comportamento, e isto a fim de que ela possa ter uma visão mais crítica, porém orientada, sobre seu próprio comportamento e, em concordância com o Psiquiatra, aceitar, ou não, o tratamento proposto, se for o caso. Algumas considerações apenas com finalidade informativa, não se tratando de “consulta online”, o que não é permitido pelo Conselho Federal de Medicina.
Sobre o Transtorno do Humor Bipolar, possuímos material que pode ser acessado aqui.
Ciúme Patológico: Esta categoria diagnóstica pode se apresentar de modo isolado ou associada a um outro Transtorno Psiquiátrico, como o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) ou um Transtorno de Personalidade, para citar apenas dois possíveis exemplos. Caracteriza-se por um ciúme literalmente doentio, obsessivo e profundamente comprometedor, para quem o possui e também para os que o cercam. Lembrando, ainda, que o caráter (as características essenciais e centrais da personalidade) da pessoa pode vir a desempenhar um papel importante em casos de Ciúme Patológico. Algumas pessoas podem ter uma visão exageradamente centrada em si próprias, como se o mundo girasse apenas em torno delas. São excessivamente egocentristas e se algo lhes contraria, podem tornar-se irritadas e até mesmo descontroladas em alguns casos. Por outro lado, há também aqueles que possuem uma profunda insegurança sobre si próprios e expressam comportamentos anômalos como forma de defesa ou de compensação. Podem ou não estar cientes e conscientes do problema que os aflige. O diagnostico de Ciúme Patológico só deve ser feito após diversos aspectos e detalhes psíquicos, afetivos, sociais e comportamentais da vida da pessoa terem sido, cuidadosamente, avaliados. Há também outras investigações médicas que podem auxiliar na hora de se firmar o diagnóstico, e isto deve ficar a cargo do Psiquiatra.
Irritabilidade: Pode estar associada a uma grande miríade de Transtornos Psiquiátricos e/ou Neurológicos distintos, ou em alguns casos, em comorbidade (doenças acontecem juntamente). A irritabilidade deve ser avaliada pelo especialista a fim de que este possa determinar se se trata de uma irritabilidade fisiológica (normal), ou patológica. Existe, ainda, uma hipertênue fronteira entre a irritabilidade per se e variação patológica do humor (a labilidade do humor), e que não são necessariamente a mesma coisa.
Paranóia: Este termo se tornou um tanto quanto genérico em seus usos no cotidiano, mais devido ao seu uso popular, não infrequentemente utilizado de modo equivocado. Portanto, devido à necessidade da definição da especificidade de cada um dos conceitos envolvidos na definição do que seja a Paranóia, no momento opto por não comentá-los aqui, o que demandaria um espaço bastante extenso.
Buscar ter uma conversa franca, objetiva e direta com a pessoa de quem se suspeita estar acometida por algum Transtorno Psiquiátrico é uma medida importante a ser tomada a fim de que ela, caso concorde, seja avaliada por um Médico Psiquiatra. E que persista, juntamente com o Psiquiatra, no aprofundamento da avaliação a fim de que o diagnóstico correto e específico seja firmado (o que costumamos chamar de sofisticação diagnóstica), e a seguir seja o melhor tratamento proposto. A conduta do Médico Psiquiatra deve ser respeitada e seguida, porém não sem a concordância do paciente, para o qual tudo deve ser explicado, inclusive os prós e os contras das medidas de tratamento sugeridas. Enquanto a pessoa permanecer sob os cuidados de um determinado Psiquiatra, seja ele quem for, esta responsabilidade caberá a ele. Em nossa visão e experiência clínica profissional, o diagnóstico em Psiquiatria deve ser trabalhado ao máximo possível de sua sofisticação, ou seja, um milímetro à esquerda ou à direita pode fazer muita diferença. Pois o que importa, no final das contas, é que a pessoa se veja livre do sofrimento que a aflige, e que pode também estar afetando a outros que o cercam.
Sobre a indicação de um colega Psiquiatra em São Paulo, sinto não poder lhe ajudar, pois a maioria dos colegas Psiquiatras com os quais convivo são do Rio de Janeiro e de Curitiba, onde atuo profissionalmente. Todavia, antes de aceitar alguma indicação, sugiro-lhe que, de posse do nome do profissional indicado, verifique se esse profissional possui o Título de Especialista em Psiquiatria, pois só podem se anunciar como Psiquiatras os que possuem esse título. Busque acessar o site do Conselho Regional de Medicina de seu Estado e logo na página inicial, procure por onde está escrito: "Pesquisar Médicos" ou "Buscar Médicos" e então digite o nome do profissional em questão. Se for um especialista, esta informação deverá aparecer junto aos dados do nome e do CRM do médico. Esta busca pode também ser feita no site do Conselho Federal de Medicina.
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Transtorno do Humor Bipolar e Capacidade
Laborativa
Há diversas variáveis intervenientes no curso do Transtorno do Humor Bipolar. A efetiva resposta ao tratamento instituído é um dos diversos meios de que se dispõe a fim de avaliar a capacidade laborativa das pessoas portadoras do THB. Embora possa haver casos de incapacitação permanente para o trabalho, em nossa experiência temos verificado tratar-se de uma minoria de casos. Em havendo uma boa resposta ao tratamento a pessoa pode viver com qualidade de vida e trabalhar normalmente. A supervisão psiquiátrica a longo prazo é recomendada. |
| “Talvez seja Transtorno Bipolar” |
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Alterações frequentes do humor e também irritabilidade, ou agressividade, não são situações exclusivas do Transtorno Bipolar. Diversos outros transtornos psiquiátricos podem evoluir com a apresentação desses sinais e sintomas. Depressão, Transtorno Bipolar e Síndrome do Pânico são transtornos psiquiátricos que ficaram famosos, e portanto é fácil encontrar informações sobre eles na internet, ainda que muitas dessas informações sejam pobres e mescladas de erros, pois muitas delas são escritas por pessoas leigas no assunto. “Talvez seja Transtorno Bipolar” não é um diagnóstico. É necessário que o diagnóstico seja preciso a fim de que se inicie um tratamento adequado, se for o caso. Seus esforços em pesquisar para saber mais sobre transtornos mentais é uma atitude louvável, ainda mais sendo motivada por sua preocupação com seu esposo. Todavia, durante muitas dessas pesquisas, corre-se o risco de procurar “encaixar” a pessoa nesse ou naquele transtorno psiquiátrico que se pesquisou, porque pode “parecer” que seja esta ou aquela doença pesquisada na internet a que está acomentendo a pessoa com a qual estamos preocupados. A melhor medida, a mais prudente e a mais inteligente, é a de procurar um especialista, nesse caso, pelo conteúdo do seu relato, um Psiquiatra. |
| Transtorno Bipolar e Lamotrigina |
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A Lamotrigina é, por definição, uma droga antiepiléptica. Todavia, assim como também acontece com determinados outros medicamentos antiepilépticos, a Lamotrigina tem sido usada em Psiquiatria para quadros psiquiátricos onde haja a necessidade de ser administrado um estabilizador do humor (como no Transtorno do Humor Bipolar, por exemplo). Em nossa experiência profissional, não costumamos utilizar este medicamento com grande frequência em razão de considerarmos outros psicofármacos bem mais eficazes do que a Lamotrigina quando se trata de estabilização do humor. Sobre a UNIMED, não atendemos por este convênio. |
| Transtorno Bipolar e Afastamento do Trabalho |
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Favor ler o tópico acima, onde está escrito:
Transtorno do Humor Bipolar e Capacidade
Laborativa. |
| Transtorno Bipolar e uso de Drogas |
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Em determinadas fases do Transtorno do Humor Bipolar (como nas diversas possíveis manifestações clínicas dos pólos maníacos, por exemplo) não é incomum vermos pessoas portadoras do THB se envolverem em comportamentos de risco, o que inclui o abuso de álcool e o uso de drogas. Muitos usuários de drogas são bipolares não tratados ou clinicamente descompensados. As drogas são, sim, uma praga miserável que tem devastado sociedades pelo mundo afora. Porém, o raciocínio está bem mais para Bipolaridade levando ao uso de drogas do que drogas levando à Bipolaridade. O que não significa dizer que o uso de álcool e de drogas não possa servir como um gatilho para o desencadeamento de manifestações (ou descompensação) da Doença Bipolar. Porém, como venho afirmando, continuamente, hoje há excelentes tratamentos para o Transtorno Bipolar e com resultados gratificantes. Ocorre, entretanto, que muitas pessoas são portadoras do Transtorno Bipolar e não o sabem, isto sem falar que também há aquelas que relutam em admitir a doença. O fato é que quanto mais precocemente for instituído o tratamento pelo Psiquiatra, maiores são as probabilidades de uma melhora de qualidade maior com alívio para o paciente e para seus familiares.
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Médico Psiquiatra
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