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Dr Eduardo Adnet - Médico Psiquiatra

 

Especialista Titulado Pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Médica Brasileira

 

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Desde que publicamos esta seção no site, temos recebido diversos emails com diferentes dúvidas e questionamentos sobre Transtornos Psiquiátricos, medicamentos, dentre outros assuntos relacionados com a Psiquiatria. Devido à importância de vários dos temas mencionados por nossos visitantes, gostaríamos de solicitar que, ao final de cada mensagem, a pessoa que nos enviar um email coloque, em baixo na mensagem, a autorização para que publiquemos aqui suas dúvidas. E isto para que outros também possam se beneficiar. Evidentemente, não divulgaremos nem o nome e nem o email do visitante, apenas as perguntas.

 

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Por normatização do Conselho Federal de Medicina, Não são Permitidas Consultas Online, mas apenas esclarecimentos de dúvidas de caráter genérico com vistas a utilidades informativas. Para situações que envolvam demasiada especificidade pessoal na pergunta, não há como substituir a consulta com o médico psiquiatra.

 

As perguntas enviadas são selecionadas para resposta, e somente serão respondidas as perguntas que puderem suscitar respostas para benefício dos visitantes do site no que diz respeito a uma melhor compreensão de assuntos ligados à Psiquiatria.

Devido ao grande volume de emails que recebo, passei a agrupar as perguntas por assuntos e tópicos, a fim de facilitar a navegação no site. Sugiro que primeiramente, se faça uma busca no site. Se não encontrar o que deseja, envie suas dúvidas. As perguntas selecionadas serão respondidas.

 

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                 Médico Psiquiatra

 

 

 

Perguntas Relacionadas ao Transtorno do Humor Bipolar - Bipolaridade

 

Esquizofrenia ou Bipolaridade? Limites tênues e delicados de duas Doenças Psiquiátricas Severas
Olá dr. meu irmão a partir dos 26 anos com o término de um relacionamento amoroso, deixou de ser normal. Ficou totalmente perturbado emocionalmente. Se tornou agressivo, triste, doente e passou a se comportar como se fosse um animal. As vezes ele se diz ser o anjo Gabriel, e em seguida o Gladiador, depois o próprio coisa ruim.... Dr será q ele possui o Transtorno do humor bipolar? Já agrediu fisicamente a todos nós. Minha mãe já não vive mais. Vegeta. Obrigada! (Bahia)
 
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Variações do Humor, Transtorno Bipolar, o "Dr. Google" e o Diagnóstico em Psiquiatria
“meu marido diz que sou bipolar pois tenho variações de humor frequentemente em um dia posso estar feliz, triste deprimida e zangada em questão de horas nunca tinha percebido alguns dizem que tenho dupla personalidade pois as veses falo algo e derepente digo algo ao contrario do que dizia não gostar estou confução como faço para fazer um tratamento e descobri o que realmente acontece comigo ao 12 anos tentei suicidio poderia ser da bipolaridade por favor me responda abrigada” (Paraná)
 
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Bipolaridade - Uso de Drogas, Álcool, Irritabilidade e Agressividade
Consultei por muitos anos com psicólogos desde criança, por causa do meu comportamento, mas nada foi diagnosticado. Então parei os tratamentos, mas tenho todos os sintomas da bipolaridade. Gostaria de saber se esse transtorno causa um nível muito superior de agressividade, pois não tenho bom relacionamento nem com minha família, amigos e relacionamentos que já tive, chegando até agredir fisicamente. Se tiver gostaria de saber, pois pra mim é extremamente torturando ir a um psiquiatra sendo que não suporto a ideia de ter uma doença assim, ultimamente encontro-me usuária de drogas e sem motivação nenhuma para nada. (São Paulo)
 

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Transtorno Bipolar sem Melhora há Sete Anos

Boa noite Dr. Eduardo, meu nome é (...), sou de (...), SC, meu pai tem disturbio bipolar, mais ate hoje nenhum médico deu geito de fazer um tratamento adquado a ele, pois ele está cada vez pior, teve um médico de Rio do Sul, que disse que não sabia mais o que fazer, faz 7 anos que descobrimos essa doença nele, ele mudou muito. Ele fica o dia inteiro sentado, ele fica falando que tem ferros na boca, que tem alicate, ele sempre fica mexendo com a boca, diz que está tentando tirar os ferros da boca. Gostaria muito de sua ajuda, isso pode se dizer que é um filho desesperado sem saber o q fazer com seu pai, só queria o meu pai de volta. Se for preciso levo ele até Curitiba para se consultar com o Dr. Desde já agradeço pela atenção! Atenciosamente (...) (Santa Catarina)

 

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Diagnóstico do Transtorno Bipolar e Tratamento

Dr. Eduardo Adnet, segundo as informações que eu passei ao meu psiquiatra, ele afirma eu ter transtorno bipolar. Faz 4 anos que eu tomo paroxetina, existe épocas que a medicação parece não fazer efeito desejado. O meu psiquiatra já recomendou tomar um lítio junto com a paroxetina. Eu tenho receio (medo) de ficar dependente em mais um farmaco.O que devo fazer? (Santa Catarina)

 

Em Psiquiatria, bem como em toda a Medicina, a chave inicial para um bom tratamento é o diagnóstico correto. Você diz que seu Psiquiatra afirma que você é portadora de Transtorno Bipolar. Todavia, parece haver uma certa hesitação de sua parte ao mencionar seu diagnóstico.
Quando o diagnóstico é certeiro e bem estabelecido, o paciente percebe tal precisão. Somente a partir deste ponto é que se pode traçar comentários sobre o tratamento em questão.
Também nesta questão, o paciente deve ser bem orientado a fim de poder compreender a relação entre o seu diagnóstico e a necessidade do uso desse ou daquele remédio. Não deve haver hesitação em nenhuma das situações. A sintonia entre ambos: Psiquiatra e paciente, deve ser harmônica como a combinação de instrumentos em uma orquestra sinfônica.

É o que posso lhe responder no momento.

 
Transtorno Bipolar, Personalidade, Temperamento e Caráter

Olá Dr, Estou em tratamento psiquiátrico para transtorno bipolar há um mês. Apesar de nos últimos dois anos meus sintomas terem se agravado, percebo alterações em meu humor há bastante tempo. Estou muito confuso pois não sei mais o que é a doença e o que são minhas falhas de caráter. Tenho imensa dificuldade em manter amizades pois quando estou depressivo eu fujo das pessoas, então elas pensam que não gosto delas, ou que sou muito estranho para estar por perto. Já quando estou eufórico incomodo com minha ânsia por "justiça" e ser sempre "o certo". Não sei se o fato de eu perceber que sou assim dificulta meu tratamento, pois eu percebo isso há tempos e essa consciência apenas gera uma grande ansiedade e desespero. (Campinas - São Paulo)

 

A correta percepção da realidade interna e externa a uma pessoa é algo de fundamental importância para que medidas sejam tomadas visando uma qualidade de vida cada vez melhor. Ocorre, todavia, que por vezes essa percepção da realidade (a correta compreensão de como a pessoa se encontra inserida na realidade da vida) pode estar comprometida, seja pela doença, seja por carência de informações sobre o estado de saúde psíquica e afetiva do indivíduo. É papel indissociável do exercício da psiquiatria a correta orientação do paciente no sentido da melhor compreensão possível sobre seu modo de se expressar diante da realidade da existência. Isto se chama de psicoeducação.

Partindo do pressuposto de que seu diagnóstico esteja correto, um dos principais alvos do tratamento da Bipolaridade é, justamente, a modulação do humor com vistas à supressão de eventos críticos, sejam eles pertencentes ao pólo maníaco (eufórico) ou ao pólo depressivo da doença. Isto feito e estabilizado o quadro clínico do paciente, o objetivo é conquistar essa estabilidade ad perpetuam, ou seja, para o resto da vida. E isto é possível!

Já sobre considerações sobre personalidade e caráter, estes são tópicos distintos, haja vista que a Bipolaridade compromete, essencialmente, o humor e o temperamento. É minha opinião que também o caráter pode ser investigado em um trabalho que, de certo modo, transcende o que poderíamos chamar de exercício regular da atividade psiquiátrica. Porém, pode ser feito.  O importante é que não confundamos comportamentos diretamente relacionados ao Transtorno do Humor Bipolar com manifestações e expressões sejam da personalidade, sejam do caráter pessoal de cada um. Este é um trabalho que dá melhores resultados após a estabilização da doença de base, nesse caso o THB. Estimo-lhe rápida e pronta recuperação, assim como uma excelente visualização e leitura de sua realidade de fato! Grato por seu contato!

 
Transtorno Bipolar, uso de Drogas e Internação

Bom dia, tenho um filho de 21 anos que já foi internado varias vezes, por usar e surtar com drogas, na ultima internação ficou 6 meses e diagnosticaram bipolaridade, mas saiu da clinica sem medicamento nenhum, e menos de um mês recaiu, e internamos de novo, não seria necessario acompanhamento psiquiatrico e quando da saida ele tomar um estabilizador? Por favor me ajude, será que é necessário uma internação tão longa? Tem alguém competente que poderia me indicar em São Paulo?

 

Pela importância do tema, me alongarei nesta resposta.

Parece ser um fato cada vez melhor estudado e documentado que existe uma relação estreita entre Bipolaridade e comportamentos de risco, dentre os quais se inclui o uso de drogas ilícitas, sobretudo os psicotrópicos ilícitos com ações euforizantes como a cocaína e seu derivado mais perverso, o crack.

Em havendo a indicação para a internação (seja devido a manifestações clínicas do Transtorno Bipolar, seja pelo uso de drogas ilícitas, ou por ambas as situações), sua observação está correta, há sim a necessidade de um tratamento de seguimento pela psiquiatria, na maioria das vezes com a utilização de medicamentos. E há robusta documentação técnica, internacionalmente reconhecida, que sustenta a grande eficácia psicofarmacoterapêutica (o tratamento com medicamentos) na abordagem de pacientes bipolares e usuários de psicoativos de uso ilícito.

Em minha experiência, todavia, tem sido muito mais necessário recorrer ao tratamento em regime de internação devido ao uso de drogas do que pela Bipolaridade, cujas manifestações clínicas (algumas delas) também podem justificar tratamento com internação, com adequado suporte da Psiquiatria. As internações convêm sejam de curta permanência, sendo que a resposta do paciente ao tratamento instituído, bem como sua estabilização clínica, estão entre os parâmetros mais importantes na hora de se avaliar o tempo necessário do tratamento em regime de internação.

Ocorre, todavia, que a situação acima descrita parte do pressuposto de que o paciente tenha recebido uma atenção e um tratamento de boa qualidade (o excelente é o desejável), situação cada vez mais difícil de ocorrer desde a instauração da chamada “luta antimanicomial”, um movimento político e ideológico que tem promovido uma desassistência generalizada a quem precisa de internação psiquiátrica em hospitais e em clínicas vinculados ao SUS. Muitos desses pacientes, os quais poderiam estar internados e recebendo uma assistência digna e de qualidade, hoje perambulam pelas ruas como mendigos, são recolhidos a presídios juntamente com marginais perigosos, morrem atropelados e em consequência de tantas outras lamentáveis situações que poderiam ser evitadas.

Ressalte-se, todavia, que diversas clínicas e hospitais que tratam pacientes psiquiátricos (me refiro às tecnicamente qualificadas) têm se mantido como heroínas frente a uma das mais desastradas administrações públicas, no que tange à saúde mental, que já se assistiu na história brasileira.

Esta é uma das razões pelas quais muitos psiquiatras estão abandonando o serviço público, pois por mais qualificados tecnicamente que sejam estes colegas médicos, os ambientes relacionados à psiquiatria e administrados com recursos do SUS estão em uma situação muito preocupante, e por que não dizer alarmante. Recursos aqui se refere a dinheiro e também a material humano. As honrosas exceções falam por si só e não necessitam de defesa alguma.

Ainda sobre as internações psiquiátricas, é minha opinião técnica que a instituição dos chamados "protocolos de tratamentos", uma tentativa de nivelar, categorizar e homogeneizar as abordagens de tratamentos em psiquiatria, correm o sério risco de nivelar por baixo a qualidade da assistência prestada em saúde mental. Conheço diversos desses protocolos, e muitos deles recorrem às medicações de menor custo, muitas delas francamente ultrapassadas diante de medicamentos psiquiátricos mais modernos e mais eficazes.

E por último, sobre as chamadas equipes terapêuticas (enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, dentre outras categorias profissionais) que trabalham conjuntamente com psiquiatras nos cuidados a pacientes psiquiátricos, é fundamental que os integrantes dessas equipes estejam completamente desvinculados de indicações políticas. Que suas posições sejam alcançadas por méritos técnicos e pessoais, não por apadrinhamentos políticos de qualquer ordem. Quem conhece a realidade dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) Brasil afora, sabe bem a que me refiro. É o que, por hora, posso comentar.

Grato por seu contato.

 

"A qualidade da vida de uma pessoa está em direta proporção com o seu grau de comprometimento com a excelência, independentemente de sua área de atuação." Vince Lombardi (Treinador e campeão de futebol americano; em sua homenagem, até hoje é concedido o Troféu Vince Lombardi).

 
Bipolaridade e Afetos

Caro dr. fiquei contente em ver a pagina e saber que posso ter uma opiniao de uma pessoa atuante sobre bipolaridade. a alguns meses comecei a me relacionar com uma pessoa que sofre dessa doença crônica, comigo ela teve dois momentos que demonstrou sua doença, da primeira vez do nada ela se isolou em casa, nao atendia telefone e nem respondia as mensagens, chegando lá alguns dias depois ela estava em depressão e na mesma noite já estava boa. mas da outra vez. só porque a contrariei, dizendo que ia embora naquele dia, já que moro em outro bairro dela, eu desconheci o semblante dela e ela com um tom agressivo, levantou o punho e ficou dizendo que eu nao ia fazer isso com ela, eu paralisei na hora e fiquei olhando pra ela e perguntando, como é? resultado, nao fui embora, conversei de! pois com ela e ela disse que nao falou alto, mas desde esse dia nao fui mais ao encontro dela e to com isso na cabeça, gosto muito dela e ela segue a risca os remédios prescritos pelo psiquiatra. o que o sr. me aconselha, eu também tenho minhas opiniões e nao quero abrir mão delas. (Mensagem enviada do Estado da Paraíba)

 

Ainda que eu não esteja me referindo, diretamente, à pessoa por você mencionada, vale lembrar que há muito mais gente doente, sofrendo de transtornos psiquiátricos, do que se imagina. Infelizmente, as estatísticas feitas no Brasil sobre portadores de transtornos mentais são pessimamente elaboradas, dissonantes da realidade e, o que é pior, servem para mascarar um sistema de saúde pública que se encontra entre os piores do planeta! O Brasil ocupa a 125ª posição no rank internacional de bom desempenho dos sistemas públicos de saúde, e sua péssima colocação chega a ser inferior a países como El Salvador, o qual ocupa a 115ª posição. Agradeçam aos políticos em quem vocês têm votado!

 

Após esta introdução, vem o que é o mais importante: sejam pessoas sadias, física ou mentalmente, ou doentes, o fato é que algum grau de adaptação amorosa e condescendente é requerido daqueles que lidam com portadores de transtornos psiquiátricos. Costumo dizer que o apoio sincero e desinteressado dos familiares e de pessoas amigas para com os que sofrem, seja de transtornos psiquiátricos severos, moderados ou leves, pode significar até mesmo 90% do sucesso do tratamento. Não há nada pior do que a doença associada à solidão, ao desamparo e ao preconceito.

 

Embora existam tratamentos espetacularmente eficazes para a Bipolaridade, não podemos deixar de admitir que há casos rebeldes ao tratamento e há, ainda, situações onde os compromissos do tratamento, além de trabalhosos, comprometem, direta ou indiretamente, os entes queridos. E é, precisamente, nessas horas que se pode aquilatar o valor dos afetos que alguém diz possuir e dirigir a um portador de transtorno psiquiátrico. Lembrando, ainda, que não existe consenso na comunidade científica internacional ligada à Psiquiatria sobre se existe, de fato, cura definitiva para a Bipolaridade. Aqui dou minha opinião, e em minha opinião, fundamentada em 21 anos de atividade profissional, é que há! Ainda mais porque quando se fala em Bipolaridade, necessariamente há que se adentrar no conceito do Espectro Bipolar, um território ainda não completamente explorado e que comporta pessoas que apresentam características da doença bipolar sem que sejam, necessariamente, bipolares autênticos ou estritos. Os diagnósticos da Classificação Internacional de Doenças (CID) são chamados de diagnósticos categoriais pragmáticos, e ainda são, sobremodo, um tanto quanto repletos de inespecificidades e de imprecisões. Espera-se que, com o tempo, esta classificação evolua, que ainda mais se sofistique e que se torne melhor.

 

Em seu relato, chama a atenção o fato de você ter dito que a pessoa em foco segue à risca o tratamento prescrito pelo psiquiatra. Todavia, a incongruência do relato sugere ou que a pessoa a quem você se refere ou ainda não entrou no que chamamos de fase de estabilização da doença, ou que o tratamento esteja, de certo modo, sendo ineficaz.

 

Boa técnica, habilidade profissional, adesão do paciente ao tratamento, prescrição medicamentosa adequada são, indubitavelmente, ingredientes indispensáveis para o sucesso de um tratamento psiquiátrico bem conduzido. Todavia, tenho a dizer que o amor, o carinho e a compreensão podem ter um poder de cura muito mais poderoso do que a própria ciência compreende e admite.

 
Lamotrigina e Suspeita de Bipolaridade

Gostaria de saber se o fato de uma medicação (no caso é a Lamotrigina 25mg) ministrada a um paciente com suspeita de Bipolaridade, isso realmente configura o fato de ser???

 

Prezada Sra, "suspeita de Bipolaridade", pelo menos aos meus ouvidos, é algo que não soa bem. Evidentemente, nem sempre é possível se firmar um diagnóstico de certeza na primeira avaliação. Todavia, há que se ter muito cuidado com diagnósticos mal feitos e com orientações pobres fornecidas aos pacientes.

A Lamotrigina é uma droga antiepiléptica e que também pode ser usada como coadjuvante no tratamento de pacientes que necessitam de estabilização do humor. Todavia, o que pode determinar o diagnóstico correto é a avaliação do médico psiquiatra. Lembrando, ainda, que existem pacientes que sofrem de comorbidades, ou seja, da presença de mais de um transtorno psiquiátrico associado.

 
Transtorno Bipolar, Tratamento e Vida Normal

Boa tarde Dr Eduardo, parabéns pelo seu site, fiquei muito contente em encontrá-lo, pois tem um conteúdo muito rico e sério.
Faz um tempo que venho estudando sobre a bipolaridade, pois conheci uma moça maravilhosa pela qual estou me apaixonando de verdade. Ela é Bipolar diagnosticada à 2 anos (tem 21 anos agora) e desde então ela vem melhorando muito. Atualmente ela toma apenas Depakote er 500 mg/dia e o prognóstico dela, segundo o psiquiatra, é muito positivo, sendo assim eu acredito que o caso dela é brando. As vezes fico um pouco inseguro pois nos conhecemos à poucos meses, mas ela é realmente muito amável, estuda, trabalha e têm um estado emocional muito equilibrado, se ela não tivesse me contado que é bipolar eu nem desconfiaria. Gostaria de saber se uma pessoa bipolar (que se cuida e adere ao tratamento corretamente) pode ter uma vida plena e feliz a longo prazo (ter uma carreira bem sucedida, casamento, filhos, etc) assim como qualquer outra pessoa. Acho que você deve conhecer muitos casos de sucesso e eu ficaria feliz se você compartilha-se sua opinião comigo. Desde já agradeço pela atenção Dr Eduardo. Um grande abraço.

 

Prezado amigo, desde que o diagnóstico do THB tenha sido bem feito e o tratamento adequado instituído, é nossa experiência que estas pessoas podem, sim, viver uma vida normal, produtiva e feliz. No entanto, o acompanhamento psiquiátrico periódico é aconselhável, visto tratar-se de uma doença crônica.

Grato pelo contato!

 
Eu acho que não tenho o Transtorno do Humor Bipolar - THB
Ola doutor primeiro quero te dar parabens seu sait e otimo vamos as perguntas eu faço o tratamento thbipolar mais eu nao gosto de tomar remedios no começo do tratamento eu tomava os remedios mas eu acho que eu nao tenho o thb e porisso ja faz um tempo que eu nao uso o medicamento o que o senhor acha disso eu fui somente a um so psiquiatra e ela disse que eu tenho o thb e ai doutor o que eu faço ?

Psicoeducação é um termo que engloba, dentre outras coisas, a correta elucidação do paciente sobre diversos aspectos envolvidos no diagnóstico e no tratamento do indivíduo. Assim como em outras especialidades médicas, o paciente tem o direito de ter acesso a quantas informações possa, até que compreenda, de modo satisfatório, o que se passa com ele (o que inclui, como já dito, diagnóstico e tratamento). Casos como o que você relata não são incomuns, e o primeiro passo a ser tomado é buscar uma conversa e um diálogo com o psiquiatra a fim de esclarecer todas as dúvidas. Também assim como em outras especialidades médicas, ouvir uma segunda opinião é algo perfeitamente normal, caso isso se faça necessário.

 
Transtorno Bipolar e Internação - Resposta em Áudio
 
Bipolaridade, Sofrimento da Família, Comorbidade e Grupos de Apoio

Prezado doutor; Fiquei muito satisfeita em encontrar seu site. Sou advogada, tenha filhos e marido e em 2003 fui diagnosticada com Bipolaridade. Tenho vários episódios da fase eufórica da doença onde sou afligida por um bombardeio de pensamentos que não cessam e pela angustiante situação de imaginar algo e passar a divagar negativamente acerca do fato imaginado, como sou advogada, diversas vezes, quando estava em crise, comecei a pensar sobre algum processo e a imaginar coisas terríveis que poderiam acontecer na causa e esse pensamento era tão forte que varias vezes me levava, no meio da madrugada, ao meu escritório, somente para revisar uma pasta ou petição, isso sem contar que no outro dia, já na abertura do fórum, estava eu lá, só para ver o processo que afligia meus pensamentos. Detalhe, nunca nenhuma das minhas preocupações com os processos foi verdadeira pq os autos estavam sempre em ordem, o que não estava era a minha capacidade de discernimento. Tendo em vista tudo o que narrei eu me sentia muito mal pq pensava que os surtos e delírios que eu tenho somente eram afetos a mim e a mais ninguém. Lendo seu site, especialmente a sessão de perguntas, fiquei acalentada, em saber que, varias pessoas sofrem como eu, cada um do seu modo. Isso me faz não me sentir sozinha e me ajuda a tentar superar essa doença horrível. Vale lembrar que quem é bipolar se sente muito mal pelas pessoas que magoa quando está em crise, mas a doença é malvada e quase sempre, o descarrego de emoções e as atitudes de quem está em crise, acabam se voltando exatamente, para quem mais amamos e que está por perto. Minha pergunta é, se o dr. tem conhecimento da existência de algum grupo de apoio para portadores de bipolaridade? Obrigada pelo site; cordialmente

 

Prezada senhora, li com atenção suas palavras e a construção de seu relato sofrido. Sua mensagem é rica em detalhes importantes e alguns deles comentarei.

Primeiramente, essa sensação de tristeza que pessoas acometidas por algum transtorno psiquiátrico sentem ao magoarem seus entes mais queridos deve ser avaliada com cuidado a fim de que não entre em cena a autopunição. A maioria das pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos, sejam eles leves ou severos, não têm culpa de portá-los. Muitas das vezes tratam-se de manifestações hereditárias e se formos começar a culpar a nós mesmos e nos infligirmos sofrimentos, teremos que chegar em Adão e Eva. O enfrentamento da doença com fé, coragem, disciplina, boa técnica, sabedoria, ciência e persistência é o que gratifica e que traz bons resultados.

 

Todos nós, em nosso dia a dia, logo ao sairmos para o trabalho ou estudos, vestimos uma máscara social que nos desfigura, pois não somos aquilo. Mas precisamos vestir fantasias pois as solicitações desse mundo hipócrita assim nos aflige a agir. Embora jamais devamos abrir mão de nossa autenticidade, honestidade e integridade. Mas com nossos familiares, somos quem somos, não vestimos trajes “politicamente corretos” e não necessitamos de máscaras diante deles. Por isso é que são os nossos entes mais queridos aqueles que nos vêem verdadeiramente como somos. E nem tudo o que somos em nossa totalidade é belo. Mas diante disso, podemos ter a certeza de que somos amados por eles e que também os amamos, ainda que nossas manifestações de carinho para com eles não seja a que desejaríamos que sempre fosse. Mas o que eles mesmos desejam é que estejamos bem, saudáveis, ainda que eles tenham que sofrer juntamente conosco.

Sobre os grupos de apoio, sim, eles existem e possuem sua importância e papel. Todavia, considero haver algo que me preocupa sobre esses grupos (algo ainda em seu início, historicamente falando em se tratando de Transtorno do Humor Bipolar). E o que me preocupa são pessoas com diagnósticos mal feitos convivendo com pessoas que são, de fato, bipolares. Sem medo de errar, afirmo que a maioria das pessoas que me procura no consultório afirmando serem bipolares, ou não são portadoras deste transtorno, ou são portadoras de comorbidade, ou seja, há outro (ou outros) transtornos envolvidos e disto elas não foram informadas.

Amanhã de manhã, estarei sendo entrevistado em uma rádio de Curitiba, e se houver a oportunidade, não só falarei sobre isto, mas procurarei disponibilizar a entrevista no site. Refiro-me a pacientes que são equivocadamente diagnosticados como sendo bipolares (porém, como já dito, ou não são bipolares coisíssima nenhuma, ou vêm sendo tratados sem que tenha sido levada em conta alguma comorbidade ativa) e que saem de outros consultórios como que vestindo uma camiseta “Eu sou Bipolar”, e se fartam de informações sobre o Transtorno do Humor Bipolar incorporando em suas mentes o que podem e o que não deveriam sobre esta doença.

O seu próprio relato sugere, fortemente, a presença de comorbidade. Mas não se deixe impressionar, e nem fique preocupada, pois abaixo explicitarei de modo a que você possa compreender melhor o que estou dizendo.

 

Lembro-me de uma paciente que apresentava uma lesão supurativa em uma das mamas. Era enfermeira, e como trabalhávamos no mesmo hospital no Rio de Janeiro, ela me mostrou a lesão e a secreção purulenta. Já havia sido consultada por outro médico que lhe prescreveu um antibiótico específico. Passadas algumas semanas, ela tornou a me procurar e a lesão não tinha praticamente mais nenhuma secreção. Só que havia um problema: não cicatrizava de jeito nenhum. Para encurtar o relato, o que aquela senhora tinha era tuberculose cutânea, e o tratamento que ela havia feito no início apenas amenizou uma infecção secundária, pois a doença primária, a tuberculose, não havia sido diagnosticada corretamente (e logo não foi inicialmente tratada corretamente). Somente após o diagnóstico preciso e com a medicação específica foi que sumiram, de vez, não só as secreções, mas a própria ferida principal, a qual cicatrizou por completo. O diagnóstico inicial daquela senhora era mastite/piodermite. E ela assumiu a doença e passou a se tratar. Todavia, a piodermite naquele caso era secundária a uma doença que ela nem sabia que existia, a tuberculose cutânea. Digamos que ela passasse a frequentar um grupo de apoio a portadores de mastite/piodermite e visse que outras pessoas melhoravam e ela não. E pense também no impacto negativo que as outras senhoras teriam vendo que sua evolução clínica não era boa. E imagine a situação inversa, uma senhora frequentando um grupo de apoio para portadoras de tuberculose cutâneo-mamária sendo que, na realidade, era portadora de uma simples mastite? As dificuldades e as complexidades envolvidas na hora de se estabelecer um diagnóstico correto e preciso em psiquiatria estão entre os motivos porque muitos médicos não desejem ser psiquiatras.

Sendo assim, pelo menos até a presente data, não possuo um corpo de informações suficientes sobre nenhum grupo de apoio que lhe possa sugerir para o seu caso. Caso eu encontre algum que satisfaça meu rigor nesse sentido, anunciarei nos meus sites. O que recomendo, seja dentro ou fora da psiquiatria, é que se a doença for crônica, o acompanhamento deve ser ininterrupto, até a cura ou um controle satisfatório da doença, seja ela qual for. É o que lhe posso dizer por hora.

Grato pelo contato.

 

Transtorno Bipolar e Caráter

Dr. Eu fui casada por 8 anos,até que meu esposo começou ter atitudes das quais eu comecei a estranhar, temos 2 filhos,e infelizmente até decobrir que ele tinha TB, muta coisa aconteceu chegando assim ao fim de nosso casamento, foi muito tragico, tirste demais,ele fez coisas das quais eu nunca imaginei passar,violento,e o que é pior o adultério. Dr.eu gostaria de saber se a pessoa que tem transtorno Bipolar,ela parte para o adultério sem ter noção do que esta fazendo? e tbm gostaira de saber se torna a pessoa muito má com quem ela diz amar,ele dizia que me amava e me magoava demais fazia cada coisa ,mais dava a entender que era tdo tudo manipulado....a doença deixa  apessoa assim mesmo?desde jah agradeço...obrigada!!!

 

Prezada Sra, me aterei a lhe responder apenas sobre suas indagações sobre o Transtorno Bipolar, pois não penso ser conveniente traçar aqui qualquer consideração sobre o comportamento específico de seu marido (ou ex-marido?). Portanto, que aqui fique bem claro: o que estarei afirmando será sobre algumas manifestações da Doença Bipolar, nada que diga respeito, especificamente, ao seu cônjuge.

Existem comportamentos passíveis de ocorrer no Transtorno do Humor Bipolar quando o indivíduo entra no que chamamos de fase maníaca da doença. Nessa fase, algumas pessoas portadoras do THB podem ficar superagitadas, com o pensamento bastante acelerado, inquietas, podem se envolver em comportamentos de risco (dirigir em alta velocidade, beber em excesso, usar drogas, gastarem de modo nada prudente, e também podem se envolver em comportamentos sexuais promíscuos). Todavia, isto não é uma regra, mas uma possibilidade para quem sofre desse transtorno psiquiátrico. Há portadores do THB que jamais chegam a situações assim. Seja lá como for, com um diagnóstico preciso e com o tratamento adequado, a melhora, muitas vezes, é bastante satisfatória. Lembre-se de que estamos falando de uma doença crônica, a qual pode chegar a durar vários anos. A ciência psiquiátrica avança cada vez mais rumo à cura do THB. Sobre se o Transtorno Bipolar tem cura, há algumas observações que escrevi aqui.

Já sobre maldade, como você indaga, esta nada tem a ver com a Doença Bipolar. Maldade, perversidade, desonestidade são atributos negativos do caráter de muitas pessoas. O caráter não é influenciado por doença alguma, até porque quando falamos em caráter, estamos indo além dos limites da Psiquiatria. Caráter e personalidade não são a mesma coisa, e embora a Psiquiatria também se ocupe do tratamento dos Transtornos da Personalidade, seus limites de alcance são incapazes de lidar com o caráter do ser humano. Fazer o bem ou fazer o mal, ser bom ou ser mau, ter um bom ou um mau caráter, envolve questões morais e existenciais que estão muito mais para a Teologia do que para a Psiquiatria.

Em minha experiência clínica, tenho observado que há pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos severos, como a Esquizofrenia, por exemplo, e que são dóceis e mansas. E embora essa observação não se constitua em nenhuma regra fixa, há pessoas mentalmente saudáveis, intelectualmente privilegiadas, não apresentam transtorno psiquiátrico algum, porém são pessoas más, arrogantes e egoístas e que não hesitam em fazer mal ao próximo. Sumarizando: transtornos mentais devem ser vistos de modo distinto quando também se deseja avaliar o caráter das pessoas.

 

Transtorno Bipolar - Estatísticas - Famosos Portadores de THB

Caro Doutor, gostaria de saber qual a percentagem de doentes com transtorno Bipolar no Brasil e no mundo e qual a referencia para pesquisa na Internet, pois preciso desta informação somente para comprovar o percentual de incidencia da doença. Agradeço muito o seu site, adoro as suas respostas, pois são honestas e corretas! Muito obrigada! Obs: É verdade que várias personalidades como: Kurt Cobain, Vincent Van Gogh, Elizabeth Taylor, Edgar Allen Poe, Ulysses Guimarães, Leon Tolstoy, Jackson Pollock, Mozart, Virginia Woolf, Winston Churchill eram considerados bipolares? Até o nosso saudoso Ulysses? E sempre trabalhou! Obrigada Doutor! Obrigada!

 

Nações como os EUA, Austrália e alguns países europeus possuem estatísticas atualizadas sobre a prevalência de transtornos psiquiátricos em seus países. Lamentavelmente, as estatísticas produzidas pelo Ministério da Saúde no Brasil são muito mal elaboradas, frequentemente desatualizadas e, não raramente, contaminadas com propaganda política e ideológica. Possuo algumas informações estatísticas em meus sites. Algumas delas podem ser acessadas aqui.

Estima-se que cerca de 4% da população mundial de adultos seja portadora do Transtorno do Humor Bipolar (dados fornecidos pela ABSSN australiana). Dados da Depression and Bipolar Support Alliance dos EUA sugerem que cerca de 6 milhões de norte-americanos adultos sofram do THB e que de 10 a 25 por cento dos indivíduos diagnosticados como sendo portadores de Transtornos Depressivos sejam na realidade bipolares.

Não creio ser tarefa fácil (se não impossível) encontrar estatísticas oficiais precisas e fidedignas no Brasil sobre a prevalência e sobre a incidência do THB pelas razões já supra-citadas. Além do que, o Ministério da Saúde do Brasil, em seu setor de Saúde Mental, parece apenas se preocupar com o que eles chamam de "Reforma Psiquiátrica" (a tal luta antimanicomial) que nada tem a ver com Reforma Psiquiátrica, mas sim com a adoção de políticas de saúde pública pavorosamente elaboradas e instituídas e com resultados práticos mais apavorantes ainda.

Outro dado curioso, é que após a elaboração de determinados documentos, tais como as Conferências de Saúde Mental, apresentam em seu final nomes e funções dos elaboradores de tais documentos (coordenador disso, secretário daquilo, representante daquilo outro, etc.) sem contudo especificar a FORMAÇÃO ACADÊMICA dessas pessoas. Quem são essas pessoas que elaboram esses documentos? São enfermeiros, psicólogos, dentistas, médicos, pipoqueiros, massagistas, manicures, cabos eleitorais? Como saber? Isto depõe desfavoravelmente contra esse tipo de publicação, pois ficam a pairar dúvidas sobre a real capacitação técnica dessas pessoas a fim de que possam, de fato, entender sobre o que estão escrevendo e publicando. Logo, como encontrar material estatístico de qualidade sobre Saúde Mental no Brasil é algo que desconheço. A exceção fica para trabalhos individuais de qualidade produzidos por pesquisadores esforçados e também para material fidedigno publicado pela Associação Brasileira de Psiquiatria, que não é um órgão governamental.

Sobre pessoas famosas portadoras de THB, tratam-se de avaliações retrospectivas que buscam identificar sinais deste ou daquele transtorno mental em pessoas cujas expressões de comportamento sugeriam serem elas pessoas doentes, tais como Edgar Allan Poe, Honoré de Balzac, Johan Wolfang von Goethe, Vincent Van Gogh, Fjodor Dostojevskij, Leone Tolstoj, Ernest Hemingway, Michelangelo Buonarroti, Marylin Monroe, Maria Callas, Christina Onassis, dentre outros. Todavia, se não houver registros históricos oficiais sobre o estado mental destas pessoas, ou prontuários médicos tornados públicos por familiares destes personagens históricos, restará sempre uma grande lacuna para comportar fortes doses de especulação.

 

Grato por seu contato!

 

Transtorno do Humor Bipolar e Genética

Quero elogiar o site e as informações ali prestadas, pois são de valia aos leigos e interessados no assunto. Aproveitando o link que nos é aberto para indagações, quero abrir alguns questionamentos: A Bipolaridade é uma doença com forte tendência genética? Minha mãe tem o distúrbio, e eu gostaria de saber quais as chances de um de seus filhos desenvolverem a mesma doença. Em que situações as alterações de humor podem ser preocupantes e consideradas indício da doença? Independente da resposta anterior: Há algum tratamento ou acompanhamento indicado aos familiares do paciente com Transtorno Afetivo Bipolar? Também gostaria de perguntar se o Dr. Eduardo é psiquiatra em Bipolaridade e se atende por algum convênio particular. Autorizo a publicação das perguntas no site. Desde já, fico muito grata pela resposta.

As causas do Transtorno do Humor Bipolar não foram até hoje completamente esclarecidas, embora hoje muito já se conheça sobre essa entidade psicopatológica. Estudos recentes têm sugerido que pelo menos 80% das pessoas portadoras do THB possuem história familiar com a presença de Bipolaridade e Depressões.
Uma investigação recente de pesquisadores canadenses e ingleses realizou estudos em gêmeos bipolares e foi verificado, segundo este mesmo estudo, que as chances para que o outro gemelar desenvolva a bipolaridade é de 85 a 89%. Porém, note: Os gêmeos possuem uma proximidade genética especial e peculiar em relações parentais.
Todavia, estes dados não podem ser tidos como um indicador de que se uma pessoa da família tenha sido identificada como sendo portadora do THB, outros familiares herdarão a doença. O mesmo se aplica a diversas outras doenças, como o Diabetes Melito, ou a Atopia, por exemplo.
Estas estatísticas são instrumentos de que se serve a Medicina, todavia não podem ser tidas como preditores da presença futura dessas doenças em ninguém.
Também assim como em outras doenças em outros territórios de especialidades médicas, se houver suspeita da presença de sintomas de alguma doença, o médico deve ser consultado. Tudo porém feito com tranquilidade e coerência, pois não são poucas as pessoas que estão sujeitas a assimilar doenças em seus imaginários, quando na realidade não portam as tais doenças. Por isso a avaliação do especialista é importante.
Finalizando, todos os Psiquiatras estão capacitados a tratar a Bipolaridade. Por isso é importante que, antes de marcar uma consulta com um Psiquiatra, vale a pena consultar o site do Conselho Federal de Medicina na seção "Busca Médico" a fim de saber se o médico em questão possui o Título de Especialista em Psiquiatria, concedido pela Associação Médica Brasileira e pela Associação Brasileira de Psiquiatria.
Com relação aos atendimentos, por gentileza, ligue ou escreva para o Consultório.
Grato pelo seu contato.

 

Transtorno Bipolar? Depressão? Ciúme Patológico? Paranóia? O Diagnóstico em Psiquiatria

Boa Tarde Dr. Eduardo,
Estou passando por uma situação complicada, acho que meu namorado sofre de transtorno bipolar. No inicio achei que era ciúmes exagerado mas lendo sobre o assunto acredito que possa ser transtorno bipolar, existe alguma ligação entre Transtorno bipolar e ciúmes patológico? Meu namorado antes de nos conhecermos já fazia tratamento com psiquiatra devido a uma depressão que teve. Ele tomo Assert e Rivotril. Fui em uma consulta com o consentimento dele conversar com o médico dele e ele disse não saber das coisas que estavam acontecendo, ele nunca toca no assunto...
Meu namorado é paranóico ele acredita em coisas que ele cria e as toma como verdades e em cima disso cria situações bizarras... Da mesma forma que ele é um amor, um namorado cuidadoso em frações de segundos se torna uma pessoa grossa e agressiva. Não tem o menor pudor em falar o que vem na cabeça dele. Não posso revidar, questionar que ele se irrita. Se eu fico quieta esperando minha raiva passar tbm o irrita... é uma situação que não tenho para onde ir.
Em momentos de lucidez ele sabe que eu cuido que eu gosto, mas no segundo seguinte ela fala que eu não faço nada por ele, que eu não o amo e por assim vai, todo dia.
Dr. o que devo fazer, como devo proceder? Quem devo procurar? O Dr. tem alguma indicação de algum médico que cuide disso em São Paulo?

Sua mensagem é um bom exemplo de como o diagnóstico de Transtornos Mentais, Afetivos e Comportamentais deve ser deixado a cargo do especialista. Muitas vezes pode estar presente a angústia, não só pelo que se está passando, mas também para se saber o porquê do comportamento que está afetando a vida de uma pessoa de nosso convívio próximo. Por essa razão buscam-se informações. Seus questionamentos são compreensíveis em se observando seu relato.

Todavia, você menciona diagnósticos distintos em Psicopatologia. Existem muitos casos da presença de mais de um transtorno psiquiátrico (comorbidade) acometendo uma pessoa. E isto pode ou não ser o caso. A avaliação psiquiátrica acurada deve ser feita explicando-se à pessoa as possíveis variações anormais de seu comportamento, e isto a fim de que ela possa ter uma visão mais crítica, porém orientada, sobre seu próprio comportamento e, em concordância com o Psiquiatra, aceitar, ou não, o tratamento proposto, se for o caso.

Algumas considerações apenas com finalidade informativa, não se tratando de “consulta online”, o que não é permitido pelo Conselho Federal de Medicina.

 

Sobre o Transtorno do Humor Bipolar, possuímos material que pode ser acessado aqui.

 

Ciúme Patológico: Esta categoria diagnóstica pode se apresentar de modo isolado ou associada a um outro Transtorno Psiquiátrico, como o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) ou um Transtorno de Personalidade, para citar apenas dois possíveis exemplos. Caracteriza-se por um ciúme literalmente doentio, obsessivo e profundamente comprometedor, para quem o possui e também para os que o cercam. Lembrando, ainda, que o caráter (as características essenciais e centrais da personalidade) da pessoa pode vir a desempenhar um papel importante em casos de Ciúme Patológico. Algumas pessoas podem ter uma visão exageradamente centrada em si próprias, como se o mundo girasse apenas em torno delas. São excessivamente egocentristas e se algo lhes contraria, podem tornar-se irritadas e até mesmo descontroladas em alguns casos. Por outro lado, há também aqueles que possuem uma profunda insegurança sobre si próprios e expressam comportamentos anômalos como forma de defesa ou de compensação. Podem ou não estar cientes e conscientes do problema que os aflige. O diagnostico de Ciúme Patológico só deve ser feito após diversos aspectos e detalhes psíquicos, afetivos, sociais e comportamentais da vida da pessoa terem sido, cuidadosamente, avaliados. Há também outras investigações médicas que podem auxiliar na hora de se firmar o diagnóstico, e isto deve ficar a cargo do Psiquiatra.

 

Irritabilidade: Pode estar associada a uma grande miríade de Transtornos Psiquiátricos e/ou Neurológicos distintos, ou em alguns casos, em comorbidade (doenças acontecem juntamente). A irritabilidade deve ser avaliada pelo especialista a fim de que este possa determinar se se trata de uma irritabilidade fisiológica (normal), ou patológica. Existe, ainda, uma hipertênue fronteira entre a irritabilidade per se e variação patológica do humor (a labilidade do humor), e que não são necessariamente a mesma coisa.

 

Paranóia: Este termo se tornou um tanto quanto genérico em seus usos no cotidiano, mais devido ao seu uso popular, não infrequentemente utilizado de modo equivocado. Portanto, devido à necessidade da definição da especificidade de cada um dos  conceitos envolvidos na definição do que seja a Paranóia, no momento opto por não comentá-los aqui, o que demandaria um espaço bastante extenso.

 

Buscar ter uma conversa franca, objetiva e direta com a pessoa de quem se suspeita estar acometida por algum Transtorno Psiquiátrico é uma medida importante a ser tomada a fim de que ela, caso concorde, seja avaliada por um Médico Psiquiatra. E que persista, juntamente com o Psiquiatra, no aprofundamento da avaliação a fim de que o diagnóstico correto e específico seja firmado (o que costumamos chamar de sofisticação diagnóstica), e a seguir seja o melhor tratamento proposto. A conduta do Médico Psiquiatra deve ser respeitada e seguida, porém não sem a concordância do paciente, para o qual tudo deve ser explicado, inclusive os prós e os contras das medidas de tratamento sugeridas.  Enquanto a pessoa permanecer sob os cuidados de um determinado Psiquiatra, seja ele quem for, esta responsabilidade caberá a ele.

Em nossa visão e experiência clínica profissional, o diagnóstico em Psiquiatria deve ser trabalhado ao máximo possível de sua sofisticação, ou seja, um milímetro à esquerda ou à direita pode fazer muita diferença. Pois o que importa, no final das contas, é que a pessoa se veja livre do sofrimento que a aflige, e que pode também estar afetando a outros que o cercam.

 

Sobre a indicação de um colega Psiquiatra em São Paulo, sinto não poder lhe ajudar, pois a maioria dos colegas Psiquiatras com os quais convivo são do Rio de Janeiro e de Curitiba, onde atuo profissionalmente. Todavia, antes de aceitar alguma indicação, sugiro-lhe que, de posse do nome do profissional indicado, verifique se esse profissional possui o Título de Especialista em Psiquiatria, pois só podem se anunciar como Psiquiatras os que possuem esse título. Busque acessar o site do Conselho Regional de Medicina de seu Estado e logo na página inicial, procure por onde está escrito: "Pesquisar Médicos" ou "Buscar Médicos" e então digite o nome do profissional em questão. Se for um especialista, esta informação deverá aparecer junto aos dados do nome e do CRM do médico. Esta busca pode também ser feita no site do Conselho Federal de Medicina.

 

Transtorno do Humor Bipolar e Capacidade Laborativa

Gostaria de um esclarecimento. Meu irmão foi diagnosticado com bipolaridade. Ele recebia auxilio-doença do inss, mas foi cortado. Não consegue voltar ao trabalho. Esta doença o impede de trabalhar? O que devo fazer? Obrigada

Há diversas variáveis intervenientes no curso do Transtorno do Humor Bipolar. A efetiva resposta ao tratamento instituído é um dos diversos meios de que se dispõe a fim de avaliar a capacidade laborativa das pessoas portadoras do THB. Embora possa haver casos de incapacitação permanente para o trabalho, em nossa experiência temos verificado tratar-se de uma minoria de casos. Em havendo uma boa resposta ao tratamento a pessoa pode viver com qualidade de vida e trabalhar normalmente. A supervisão psiquiátrica a longo prazo é recomendada.

 
“Talvez seja Transtorno Bipolar”

Olá,tenho uma duvida meu esposo, muda de humor rapidamente e as vezes até agresivo,convesando com minha medica,ela mim disse que talvez seja trastornos bipolar,então resolvi pesquisa sobre, as vezes sai pra trabalhar bem e a noite ja chegar com a maior raiva do mundo,eu procuro entender mais não consigo porque tanta raiva que parece as vezes que ele vai explodir. Sera que ele e doente, mim ajude tire minhas duvidas por favor,sou casada com ele a 4 quatros desde quanto namorava-mos ele tive isto, um detalhe não convesar com ninquem, e percebo que mais comigo, não posso chegar nem perto,senão saio ferida com suas palavras de baixo calão, e depois que passa ele parece uma pessoa indefesa sem ninquem e abrigo, por isso não tenho coragem de deixar.

 

Alterações frequentes do humor e também irritabilidade, ou agressividade, não são situações exclusivas do Transtorno Bipolar. Diversos outros transtornos psiquiátricos podem evoluir com a apresentação desses sinais e sintomas.

Depressão, Transtorno Bipolar e Síndrome do Pânico são transtornos psiquiátricos que ficaram famosos, e portanto é fácil encontrar informações sobre eles na internet, ainda que muitas dessas informações sejam pobres e mescladas de erros, pois muitas delas são escritas por pessoas leigas no assunto. “Talvez seja Transtorno Bipolar” não é um diagnóstico. É necessário que o diagnóstico seja preciso a fim de que se inicie um tratamento adequado, se for o caso.

Seus esforços em pesquisar para saber mais sobre transtornos mentais é uma atitude louvável, ainda mais sendo motivada por sua preocupação com seu esposo. Todavia, durante muitas dessas pesquisas, corre-se o risco de procurar “encaixar” a pessoa nesse ou naquele transtorno psiquiátrico que se pesquisou, porque pode “parecer” que seja esta ou aquela doença pesquisada na internet a que está acomentendo a pessoa com a qual estamos preocupados. A melhor medida, a mais prudente e a mais inteligente, é a de procurar um especialista, nesse caso, pelo conteúdo do seu relato, um Psiquiatra.

 
Transtorno Bipolar e Lamotrigina

O uso de lamotragina é efetivo em quais casos do trasntorno bipolar? Aproveitando a oportunidade, minha namorada tem transtorno bipolar e faz o tratamento com lamotragina, porém não está apresentando melhoras significativas, gostaria de saber se o senhor atende pelo plano UNIMED para termos uma segunda opinião e quem sabe iniciar uma psicoterapia. Obrigado!

A Lamotrigina é, por definição, uma droga antiepiléptica. Todavia, assim como também acontece com determinados outros medicamentos antiepilépticos, a Lamotrigina tem sido usada em Psiquiatria para quadros psiquiátricos onde haja a necessidade de ser administrado um estabilizador do humor (como no Transtorno do Humor Bipolar, por exemplo). Em nossa experiência profissional, não costumamos utilizar este medicamento com grande frequência em razão de considerarmos outros psicofármacos bem mais eficazes do que a Lamotrigina quando se trata de estabilização do humor. Sobre a UNIMED, não atendemos por este convênio.

 
Transtorno Bipolar e Afastamento do Trabalho

eu gostaria de saber se tenho o direito de permanecer afastada do serviço com crianças sendo diagnosticado bipolar, e manifestando os sinais clinicos mesmo com remedios, a principal reclamação dos outros no serviço é de que eu sou uma pessoa de dificil convivencia, mas esta fora de mim este controle, o qual tenho que aprender

Favor ler o tópico acima, onde está escrito: Transtorno do Humor Bipolar e Capacidade Laborativa.
No demais, em determinadas situações pode ser necessária a realização de uma Perícia Médica Psiquiátrica a fim de solucionar questionamentos desta ordem. Via de regra, situações assim passam pela Medicina do Trabalho. Encontra-se no âmbito de decisão do Serviço de Medicina do Trabalho de empresas e instituições a opção (ou não) pela solicitação de perícias realizadas por outros especialistas.

 
Transtorno Bipolar e uso de Drogas

Venho através desta não fazer uma pergunta, mas sim um desabafo. tenho um irmão que a dez anos descobriu que tem transtorno bipolar desde então a vida dele e a vida da familia se tornou uma vida de muitas crises e muitos problemas a familia tentou ajudar só que aos longo dos anos tudo isto se tornou cada vez mais dificil.... Neste momento estou muito triste pois ele esta internado... Mas sei la quero fazer uma pergunta esta doença tem a ver com uso de drogas? A familia ainda pensa em cura....  at, Obrigado

 

Em determinadas fases do Transtorno do Humor Bipolar (como nas diversas possíveis manifestações clínicas dos pólos maníacos, por exemplo) não é incomum vermos pessoas portadoras do THB se envolverem em comportamentos de risco, o que inclui o abuso de álcool e o uso de drogas. Muitos usuários de drogas são bipolares não tratados ou clinicamente descompensados. As drogas são, sim, uma praga miserável que tem devastado sociedades pelo mundo afora. Porém, o raciocínio está bem mais para Bipolaridade levando ao uso de drogas do que drogas levando à Bipolaridade. O que não significa dizer que o uso de álcool e de drogas não possa servir como um gatilho para o desencadeamento de manifestações (ou descompensação) da Doença Bipolar.

Porém, como venho afirmando, continuamente, hoje há excelentes tratamentos para o Transtorno Bipolar e com resultados gratificantes. Ocorre, entretanto, que muitas pessoas são portadoras do Transtorno Bipolar e não o sabem, isto sem falar que também há aquelas que relutam em admitir a doença. O fato é que quanto mais precocemente for instituído o tratamento pelo Psiquiatra, maiores são as probabilidades de uma melhora de qualidade maior com alívio para o paciente e para seus familiares.

 

    Ver também: Entrevistas na Mídia Dr Eduardo Adnet: Transtorno Bipolar

 

                  Médico Psiquiatra

 

 

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