Bancários, Estresse, Fobias, Fadiga e Depressão
 

Bancários, uma categoria profissional em grande Estresse!

Não é de hoje que todos sabemos do universalmente bem conhecido e pesado jugo com que os banqueiros têm conduzido políticas, empregos e momentos de muitas nações ao longo da História. E não é de surpreender que seus empregados mais diretos e imediatos, os bancários, estejam de tal modo sofrendo debaixo deste jugo tão pesado e estressante. E o dia a dia dos nossos consultórios o revela de modo cristalino. Abaixo, publicamos matéria (boa e precisa matéria, a propósito) sobre a atual situação da saúde mental dos bancários brasileiros.
 

Estresse é um problema entre bancários

“Baixa imunidade, distúrbios de sono, hipertensão, dores musculares, cansaço mental. Estes são apenas alguns dos reflexos do estresse gerado pela rotina dos bancários nas agências. De acordo com enquete realizada pelo Sindicato da Bahia, o estresse é o maior problema entre os bancários, com 45% dos votos. Ler/Dort aparece na segunda colocação (29%). O esforço repetitivo por conta da alta demanda e o uso diário de equipamentos inadequados interferem na postura e nas articulações, o que reflete diretamente no rendimento do empregado.
De acordo com o diretor de Saúde do SBBA, Reinaldo Martins, “há muita coisa em jogo dentro de uma agência, como o medo de desemprego, os constantes assaltos e o aumento de pressão”. Os fatores, além das metas e do assédio moral, estão diretamente ligados ao estresse.”

(Sindicato dos Bancários da Bahia. 09 de Julho de 2013).

 

O que fazer? Existe algum tipo de prevenção destes males? Sim, existe!

Embora além de médico psiquiatra e nutrólogo, seja eu também pós-graduado em Medicina do Trabalho, especialidade médica que exerci durante alguns anos, opto por deixar os problemas atrelados a LER (Lesão por Esforços Repetitivos) ou DORT (Doenças Osteo-Articulares Relacionadas ao Trabalho) especialmente a cargo dos colegas especialistas em outros territórios da Medicina (nestes casos, o Ortopedista, o Neurologista, o Reumatologista). Apenas lembrando que a adequação dos ambientes e aparelhos (móveis, mesas, cadeiras, iluminação, ventilação, dentre outros) ao perfil anatômico e fisiológico dos funcionários deve ser sempre uma das principais preocupações de qualquer empregador por questão de, principalmente a humanidade com que devem tratar seus funcionários, porém, também porque as multas nesse território podem ser bastante pesadas, sem falar no problema do absenteísmo (a falta ao trabalho por motivo de doença), evidentemente. E a estas adequações chamamos de Ergonomia. Muita prevenção de doenças osteo-articulares relacionadas ao trabalho (DORT) podem, e precisam ser feitas nessa área.

Já na Psiquiatria, a especialidade na qual mais atuo, posso afirmar que há medidas de prevenção que podem ser tomadas a fim de evitar, de minimizar ou, preferencialmente e se possível, eliminar os fatores de risco no trabalho que podem conduzir ao adoecimento psíquico.

Fatores como excesso de carga horária, acúmulo excessivo e anormal de tarefas no trabalho, indisposições entre funcionários, transferências de agências (o que pode incluir transferências de cidade ou de Estado), falta de sono, alimentação inadequada, levar trabalho pra casa, o uso de álcool, a falta de exercícios físicos e também os prejuízos nos relacionamentos em família pelo estresse profissional são fatores de risco nos quais se pode intervir, embora eu reconheça que isto quase nunca seja uma tarefa fácil.

Já quanto ao problema da insegurança, do medo do desemprego, rebaixamento do humor, insônia, irritabilidade e diversas manifestações relacionadas aos transtornos de ansiedade, estas devem ser, o quanto antes, avaliadas e tratadas. No que tange aos problemas de ordem psíquica, afetiva e psicológica onde também existam problemas orgânicos associados (comorbidade), é minha opinião que o primeiro profissional a ser procurado deva ser o Psiquiatra, já que como médicos, nossa capacitação técnico-profissional nos permite avaliar de modo mais amplo a situação do estado de saúde física e psíquica dos pacientes, nesta combinação, haja vista que em não poucos casos, há também, além dos fatores psíquicos e emocionais, problemas metabólicos e cardiovasculares envolvidos nas muitas queixas de desconforto relatadas pelos bancários. Sendo médicos, podemos também avaliar exames de imagem e emitirmos opiniões técnicas sobre alguma possível lesão neurológica e/ou ortopédica, além de podermos também orientar os pacientes sobre como proceder na maioria dos casos, o que não é o âmbito de atuação dos profissionais da psicologia (os psicólogos), pois sua formação não é uma formação médica. O que, por outro lado, não descarta a possibilidade de, caso seja do desejo do próprio paciente, procurar um psicólogo, se for este o caso. Não recomendo que se procure de imediato um psicanalista, pois muitos psicanalistas não são formados em psicologia e nem em psiquiatria, tendo eles realizado o chamado curso técnico de formação em psicanálise, o que não exige que o indivíduo possua nível superior completo. Psicanálise é um curso de formação técnica, não é um curso de nível superior e absolutamente nada tem a ver com a Medicina.
 

De acordo com cada caso, o psiquiatra, ou outro colega de outra especialidade médica, poderá não somente esclarecer dúvidas dos bancários já adoecidos, ou em processo de adoecimento, tratar o paciente, e se for o caso, além do tratamento, emitir um atestado médico, quando for o caso, para que o bancário se afaste do trabalho até a sua recuperação, necessitando em alguns casos também de um período de reabilitação. O que dependerá de cada caso, evidentemente.

É também muito importante que o bancário tenha sempre guardados os documentos que comprovam a realização do primeiro exame de admissão ao trabalho (o ASO - Atestado de Saúde Ocupacional, ou Exame de Saúde Ocupacional Admissional) a fim de comprovar que não era portador de nenhuma destas doenças antes de assumir o emprego bancário, o que também lhe poderá conferir proteção legal em caso de eventuais disputas judiciais.

 



Conheça um pouco sobre a história dos banqueiros, seus bancos e suas práticas

Podemos traçar a sistemática das operações bancárias modernas às práticas que aconteciam nas cidades medievais italianas de Florença, Veneza e Gênova. Os banqueiros italianos faziam empréstimos aos príncipes para o financiamento de guerras e de seus estilos de vida luxuosos, e também aos comerciantes envolvidos em trocas comerciais internacionais. Na verdade, esses bancos tendiam a ser criados por famílias privilegiadas, as quais participavam deste tipo de negociação como parte de suas atividades mais gerais nos diversos negócios que empreendiam. As famílias Bardi e Peruzzi, por exemplo, eram muito influentes na Florença do século 14 e chegavam a estabelecer sucursais em outras partes da Europa a fim de facilitar suas atividades comerciais. Estes bancos concederam empréstimos substanciais para o rei Eduardo III de Inglaterra para financiar a famosa guerra contra a França, conhecida como a Guerra dos Cem Anos. Mas com a derrota de Eduardo III, esses bancos foram à falência.

Talvez o mais famoso dos bancos medievais italianos tenha sido o Banco de Medici, criado por Giovanni de Medici, em 1397. A família Medici já possuía um longo histórico de práticas cambistas, mas foi Giovanni quem transferiu a sede de operações de seus negócios para o salão de um palácio que havia construído para si mesmo. Ele também ampliou o escopo de seus negócios e estabeleceu sucursais de seu banco, chegando até Londres.
Enquanto o Banco de Medici estendia seus empréstimos para comerciantes e para membros da realeza, Medici também apreciava a distinção de ser o principal banqueiro do Papa. As transações realizadas com o papado trouxeram lucros ainda maiores para o banco, mais do que qualquer das suas outras atividades, e foi a principal força motriz por trás da criação de suas filiais em outras cidades italianas e em toda a Europa.

Grande parte das atividades internacionais dos bancos medievais se deu através do uso de letras de câmbio. Do modo mais simples, a negociação envolvia um fornecedor de crédito em moeda local para um tomador de empréstimos em troca de uma nota afirmando que uma determinada quantidade de outra moeda seria paga em uma data futura determinada. Esta data era frequentemente fixada no período de realização de grandes eventos internacionais.
Devido a uma proibição da época, imposta pelo Papa, não era permitida a cobrança de juros de modo direto, por isso a conexão entre banco e comércio era algo essencial. Os banqueiros recebiam depósitos em uma cidade, realizavam o empréstimo a alguém que transportasse mercadorias para outra cidade, e depois recebiam o pagamento no local de destino. O pagamento era geralmente recebido em uma moeda diferente, e assim podiam facilmente incorporar o pagamento de juros na mecânica dos negócios, contornando as proibições papais. Ilustraremos com um exemplo prático: Um banco florentino emprestaria mil florins em Florença e, posteriormente, requereria o pagamento de 40.000 pence em três meses no escritório do banco em Londres. Em Londres, o banco, então, emprestaria 40.000 pence a serem reembolsados em Florença, a uma taxa de 36 pence por Florin em três meses. Em seis meses, o banco obtinha 11,1 por cento, o equivalente a uma taxa anual de 23,4 por cento. Também é interessante notar que um sistema de contabilidade de dupla entrada era utilizado por estes banqueiros medievais e que os pagamentos poderiam ser executados por simples transferências em livros.

Durante os séculos 17 e 18 os holandeses e ingleses aprimoraram as técnicas bancárias italianas. Um desses desenvolvimentos chave dessa época, frequentemente atribuídos aos ourives de Londres, foi a adoção do sistema bancário de reservas fracionárias.
Em meados do século 17, a guerra civil resultou em uma retração dos negócios tradicionais de ourivesaria, ou seja, a fabricação e venda de objetos de ouro e de prata. Forçados a encontrar um modo de escapar da crise, e também pela necessidade de terem de armazenar metais preciosos de modo seguro, eles então se voltaram para o negócio da custódia de metais preciosos. Os ourives, então, emitiam um recibo de depósito para o ouro e para a prata que guardavam em seus cofres. No início desse período, esses recibos circulavam funcionando como dinheiro. Mas, finalmente, percebendo que nem todos os depositantes requisitariam seu ouro e sua prata, esses ourives passaram a emitir mais recibos do que os metais preciosos que mantinham em custódia. E, como será visto adiante, esse sagaz estratagema se transmutou em esquemas fraudulentos ainda muito mais sofisticados, os quais estão por trás de diversas crises financeiras que surgiriam no futuro, inclusive nos dias de hoje.

 

O Significado de Fiat Money (o Dinheiro Fiduciário ou Dinheiro Político)

Fiat é um termo em Latim que significa "Haja".

"Dixitque Deus fiat lux et facta est lux" Gênesis 1:3

"E disse Deus: Haja luz; e houve luz" Gênesis 1:3

Fiat Money significa, portanto, toda e qualquer forma de dinheiro não lastreado em commodities (mercadorias). É o dinheiro trazido à existência através da cunhagem ou da impressão gráfica e cujo lastro físico monetário é em nada ou em coisa alguma. É o dinheiro lançado no mercado cujo valor é atrelado à autoridade monetária governamental. Termina a autoridade na qual esse dinheiro se fundamenta, termina juntamente com ela o seu dinheiro. Difere, portanto, do dinheiro real, ou seja, com valor intrínseco, independentemente de governos ou de políticas econômicas, fiscais ou cambiais. É o caso do ouro e da prata, por exemplo.

Atualmente o papel-moeda não tem nenhum respaldo em termos de lastro assim como o dinheiro em forma de moedas. O seu valor está na confiança que cada indivíduo tem de que o dinheiro será aceito como meio de pagamento pelas outras pessoas, por isso é chamado de dinheiro fiduciário (de fidúcia = confiança). A moeda hoje é de emissão privativa do Estado, e já não há mais conversibilidade.

Em um sistema fiat money (fiat money system), não há restrições quanto à quantidade de dinheiro que pode ser criado. Isso também permite a criação de crédito ilimitado. Inicialmente, um rápido crescimento na disponibilidade de crédito é muitas vezes confundido com crescimento econômico, uma vez que o consumo e os lucros em certos negócios crescem e frequentemente há também alta nos preços de algumas ações. No longo prazo, no entanto, a economia tende a sofrer devido à contração que ocorre a seguir, o que termina por não compensar os ganhos em função da expansão de crédito anterior (bolhas de crédito). Essa expansão do crédito pode ser vista na relação Dívida / PIB.
Na maioria dos casos, um sistema monetário estabelecido sobre dinheiro fiduciário passa a existir como resultado de uma dívida pública excessiva. Quando um governo é incapaz de permitir o resgate de toda a sua dívida em commodities físicas (prata ou ouro), a tentação de remover a proteção física ao invés de controlar seus gastos se torna irresistível. Este foi o caso quando Nixon retirou o último elo entre o dólar e o ouro, o sistema que está em vigor hoje.

 

Médico Psiquiatra e Nutrólogo

 

 

 

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